sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Os interesses por trás da expropriação da Refinaria de Manguinhos


A refinaria de Manguinhos tem uma história marcada por grandes contradições. A empresa viveu momentos de glórias quando era propriedade da família Peixoto de Castro. Constituiu um gigante conglomerado industrial e comercial, com banco, refinaria, complexo petroquímico, incorporadora, haras e imobiliária entre outros negócios.
Manguinhos chegou a ser estatal por alguns meses no governo João Goulart e depois, com o golpe militar em 1964, voltou a iniciativa privada. Mas na verdade grande parte do sucesso da empresa se deve aos pesados subsídios que eram repassados pelo governo federal. Quando terminou o subsídio, a empresa foi à bancarrota.
Hoje, Manguinhos enquanto refinaria não existe. Estranhamente sua atual diretoria anuncia aumento no refino. Intitula-se em outdoor na porta da refinaria como “a refinaria privada que mais cresce no país”. Até o próprio governador Sérgio Cabral diz que há muito tempo Manguinhos não funciona como refinaria, o que concordarmos.
Além disso, a refinaria está instalada sobre concessão em terra da União. Uma refinaria sucateada fora de funcionamento desde 2005, com um parque de tanques de armazenamento de combustível razoável e com um oleoduto interligado à baía de Guanabara com precária manutenção, que acarretou recentemente mais um acidente com vítima fatal. Será que vale a pena o estado pagar R$ 170 milhões para desapropriá-la?
O custo para eliminar os riscos de doenças oriundas dos derivados de petróleo no local vai muito além do valor anunciado pela desapropriação. Trata-se de uma área contaminada há mais de meio século por diversos poluentes químicos, acumulando um altíssimo passivo ambiental.
Além disso, só a médio, longo prazo os riscos ambientais e humanos poderão diminuir. Construir residências no local da refinaria de Manguinhos é tão absurdo como mantê-la próxima ao centro e entre favelas.
A grande preocupação do Sindipetro-RJ é que essa seja apenas mais uma manobra para favorecer os donos da empresa. Vamos lutar para garantir o emprego dos trabalhadores de Manguinhos. Cabral e o Governo Federal não podem permitir mais uma vez a demissão em massa de trabalhadores em Manguinhos como já aconteceu em 2004. Em 2011 e 2012 ocorreram novas demissões contrariando as promessas em notas amplamente divulgadas de novas contratações.
Os trabalhadores da refinaria ao longo da história têm sido usados como massa de manobra pela direção da empresa para conseguir benesses do Estado. A Petrobrás, como a principal empresa de petróleo no país e das maiores no mundo, deveria ser envolvida para decidir o destino da refinaria de Manguinhos e dos trabalhadores!
Fonte: Sindipetro-RJ
Via: FNP

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Um comentário:

  1. Excecente reportagem. Direto, objetivo e imparcial.

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