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Após Zara, trabalho escravo é investigado em 20 grifes



Bolivianos que trabalhavam como costureiros foram legalizados 


O flagrante de trabalho escravo num dos fornecedores da rede Zara no Brasil parece ser apenas a ponta do iceberg. Estão em andamento no MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) outras 20 investigações contra grifes de roupas nacionais e internacionais. Como os processos correm em sigilo, os nomes dessas marcas não foram revelados.

O auditor fiscal da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo, Luis Alexandre de Faria, disse que esse assunto era um tabu no mundo da moda.

- Como o caso Zara ganhou repercussão, haverá uma corrida de outras empresas por legalização.

Na oficina irregular de Americana, no interior de São Paulo, onde foram encontradas peças com etiqueta da rede espanhola, os fiscais se depararam com roupas de outras cinco marcas conhecidas. As empresas estão sendo chamadas para prestar esclarecimentos, mas ainda não há provas concretas contra elas.

O lote de roupas encontrado nessa oficina levou os fiscais do trabalho a investigar os 50 fornecedores da Zara no Brasil. Um deles chamou a atenção. Com apenas 20 máquinas e 20 costureiras registradas, a empresa AHA produziu mais de 50 mil peças para a rede em três meses.

Os fiscais estiveram em duas das 30 oficinas de costura dessa empresa e encontraram lá 16 bolivianos e cinco crianças, trabalhando e vivendo num ambiente sujo, apertado e sem condições mínimas de segurança. Os trabalhadores tinham dívidas com os donos das oficinas e recebiam apenas R$ 2 por peça produzida.

A multinacional foi responsabilizada pelas irregularidades e terá de responder a 48 autos de infração. Ser for condenada, a multa é de R$ 1 milhão. Os dois locais foram interditados e os costureiros bolivianos, legalizados. A AHA arcou com o pagamento de R$ 140 mil de encargos trabalhistas - uma exigência da própria Zara.

A multinacional divulgou, em nota, que vai fiscalizar seus fornecedores no Brasil e descredenciar os irregulares. Desde 1995, mais de 40 mil trabalhadores que eram mantidos em regime análogo à escravidão foram libertados no país - a maioria deles na zona rural. Desde que as investigações começaram a ser feitas na capital paulista, quatro grandes redes varejistas de roupa foram denunciadas: Marisa, Pernambucanas, Collins e, agora, a Zara. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Escravidão hoje tem até Grife...

Zara Brasil é suspensa de pacto por afrontar "lista suja"

Envolvida em flagrante de escravidão em 2011, grife foi punida por pregar a inconstitucionalidade do cadastro de empregadores mantido pelo governo

A grife de roupas e acessórios Zara, que foi implicada em caso de escravidão contemporânea flagrado na confecção de roupas da marca, está suspensa do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. O Comitê de Coordenação e Monitoramento da iniciativa, que reúne empresas comprometidas em agir contra a exploração de mão de obra escrava, decidiu pela suspensão da companhia têxtil espanhola em decorrência do posicionamento no sentido da inconstitucionalidade da "lista suja" do trabalho escravo, assumido pela mesma empresa em ação judicial apresentada à Justiça do Trabalho.

De acordo com comunicado assinado pelos membros do Comitê, o comportamento da Zara, ao colocar em xeque o cadastro de empregadores envolvidos em casos de trabalho escravo, "afronta" e "enseja a violação" dos princípios basilares e formadores do Pacto Nacional, que mantém atividades desde 2005. Ressalte-se que, mesmo após pedido prévio de esclarecimento, a empresa - que faz parte do grupo Inditex, com sede na Espanha, considerado o mais valioso conglomerado empresarial do setor têxtil em todo o mundo - informou que mantém inalterada a sua posição.

"A ´lista suja´ é uma referência internacional, inclusive citada em relatórios globais sobre o tema", comentou Luiz Machado, coordenador do Programa de Erradicação do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), órgão que integra o Comitê de Coordenação e Monitoramento do Pacto Nacional. "A suspensão [em vigor desde a última sexta (17)] não tira a importância de outras ações e investimentos de responsabilidade social que estão sendo realizadas no combate ao problema, que é muito grave". Além da OIT, fazem parte do Comitê o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, o Instituto Observatório Social (IOS) e a ONG Repórter Brasil.

A Zara tornou-se signatária do Pacto Nacional em novembro de 2011, ocasião em que também incentivou a adesão de 48 de suas fornecedoras. Desde que uma fiscalização coordenada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) encontrou 15 pessoas produzindo peças de vestuário da marca em condições análogas à escravidão em meados de 2011, a grife assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e vem anunciando uma série de medidas direcionadas ao enfrentamento do trabalho escravo. Acabou, porém, sendo punida por pregar no Judiciário a inconstitucionalidade de um instrumento considerado central nos esforços para a erradicação deste tipo de crime.

A Justiça do Trabalho concedeu liminar para que a Zara Brasil Ltda. não seja incluída na "lista suja" do trabalho escravo, mas, valendo-se do princípio da publicidade, negou o pedido para que o processo corra em segredo de Justiça. A ação, que contesta ainda os 48 autos de infração emitidos contra a empresa e a atuação dos auditores-fiscais do trabalho, corre na 3ª Vara do Trabalho de São Paulo (SP). Uma audiência relativa ao imbróglio judicial está marcada para o próximo dia 13 de setembro.

Contactada pela Repórter Brasil, a Zara Brasil informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que prefere não se pronunciar a respeito da suspensão por tempo indeterminado - que, segundo o Comitê, tem sua vigência "condicionada à existência e tramitação do processo e às eventuais decisões judiciais sobre os pedidos constantes da Ação Anulatória".

Responsabilidades

Em sua defesa, a Zara se sustenta basicamente em dois argumentos complementares. O primeiro deles é a de que a empresa espanhola não poderia ter sido autuada por submeter pessoas a condições análogas à escravidão, pois mantinha apenas uma relação comercial (compra e venda de produtos) com a fornecedora AHA. Esta última teria, para a Zara, decidido terceirizar a produção para oficinas de costura menores por sua própria conta e risco.

O segundo argumento é o de que, mesmo supostamente não tendo responsabilidade jurídica pelo ocorrido, a grife teria demonstrado reiterado compromisso com padrões de trabalho decente em sua cadeia produtiva, com ações concretas de responsabilidade social.

O argumento inicial é contestado frontalmente pela fiscalização trabalhista responsável pela libertação das 15 vítimas, realizada na capital paulista em meados de 2011. Na visão dos coordenadores da inspeção, não há dúvidas de que o esquema prestava-se exclusivamente "para encobrir o real empregador e esconder a alocação de trabalhadores em atividades permanentes e essenciais ao objeto do negócio da autuada [no caso, a Zara Brasil Ltda.] - atividade de confecção das peças que comercializava".

Os advogados da Zara sustentam que a AHA era uma empresa independente que produzia para outras marcas além da Zara. A auditoria da SRTE/SP constatou, no entanto, que as peças da grife correspondiam a 91% do total confeccionado pela AHA no período de três meses que antecederam a operação. E que, além da dependência econômica, não pairaram dúvidas acerca do gerenciamento da produção por parte da Zara. Entre os atos típicos de poder diretivo, os agentes ressaltaram "ordens verbais, fiscalização, controle, e-mails solicitando correção e adequação das peças, controle de qualidade, reuniões de desenvolvimento, cobrança de prazos de entrega etc." No entendimento da SRTE/SP, portanto, a Zara constitui "pessoa jurídica que de fato dirige o processo produtivo e se beneficia dessa mão de obra".

Em adição, a Zara busca sublinhar, em seu segundo argumento, a sua conduta "socialmente responsável" perante a Justiça. Para tanto, apresenta uma série de ações, como a própria adesão ao Pacto Nacional, a assinatura do TAC (dos R$ 3,4 milhões de indenização por dano moral coletivo acordados, a empresa alega já ter desembolsado pelo menos R$ 1,3 milhão), parcerias com entidades da sociedade civil e a realização de centenas de auditorias completas (como parte do monitoramento do Código de Conduta imposto a parceiros comerciais) após a repercussão internacional gerada pela divulgação do caso de trabalho escravo contemporâneo.

Monitoramento

Ocorre que levantamento realizado pela Repórter Brasil com base em informações divulgadas em relatórios anuais do grupo Inditex revela uma contradição relacionada às auditorias do Código de Conduta. Em matéria publicada na sequência do polêmico episódio de escravidão, chamou-se a atenção para o fato de que somente nove auditorias iniciais foram promovidas em toda a cadeia produtiva brasileira a pedido da Zara no ano de 2010. Não foi possível obter detalhes sobre essas averiguações junto à grife. Em posição inicial encaminhada à reportagem, a companhia alegou apenas que "a base fixa de fornecedores atende a níveis de qualidade tanto no que se refere a seus produtos, quanto às condições em que são fabricados, como revela nosso sistema de auditoria regular" e que 75% dos fornecedores vinham obtendo as qualificações máximas no monitoramento.

Questionada a respeito de possíveis auditorias prévias à fiscalização com foco na AHA, a Zara tem optado pelo silêncio. Em duas ocasiões, porém, deixou escapar que a confecção vinha trabalhando com a grife "há muito tempo" (Regiane Machado, diretora de compras da Zara Brasil) e detinha "muito boa fama" (Jesus Echevarría, diretor global de comunicação da Inditex). A informação a respeito de possíveis visitas da Zara à AHA antes do flagrante é crucial, pois evidencia o nível de "compromisso" da empresa com sua cadeia produtiva: se esteve na fornecedora, seria importante que abrisse os resultados da checagem; se não esteve, é preciso justificar por qual motivo não o fez, já que a AHA era a principal fornecedora de tecidos planos da Zara Brasil.

A comparação dos dados de 2010 com os 2011 também é reveladora. Em contraste com as parcas nove auditorias (todas elas iniciais, ou seja, nenhuma delas de acompanhamento) executadas em 2010, a Inditex/Zara patrocinou 439 auditorias em 2011 - 67 iniciais, 14 de acompanhamento e nada menos que 358 "especiais" -, em grande mobilização que envolveu equipes próprias internas e três consultorias externas contratadas (SGS, Intertek e Apcer).

Enquanto houve uma média de uma auditoria a cada 40 dias em 2010; em 2011, foram uma média de cinco auditorias a cada quatro dias, isto é, mais de uma auditoria por dia. Chamada a responder sobre a disparidade do volume de monitoramentos entre os dois anos, a Zara escolheu mais uma vez o silêncio. Permanece, portanto, a dúvida: como uma empresa tão empenhada em fazer valer o seu Código de Conduta realiza tão raras auditorias anuais, por menor que seja a amostragem, em um universo (cadeia produtiva da marca no Brasil) que comporta até 48,77 vezes mais verificações?

Outra explicação pedida pela Repórter Brasil que não obteve resposta da Zara diz respeito ao Disque-Denúncia ( 0800-7709242), mais uma medida implementada após a ampla divulgação do caso de escravidão. O número de telefone está ativo, mas a reportagem identificou vários problemas com o serviço. O atendimento não está devidamente preparado para receber possíveis denúncias de forma efetiva e segura: não há, por exemplo, a opção para coleta de informações em espanhol e prevalece a confusão quanto às formas de encaminhamento das denúncias. A empresa não quis confirmar sequer o número de casos colhidos e repassados pelo serviço e nem ofereceu mais detalhes sobre os procedimentos que estão sendo utilizados.

Brasil - Brasil de Fato - [Maurício Hashizume]

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Trabalho escravo é energia renovável?!


Funcionários relataram que não recebem salários há dois meses, que trabalham das 7h às 22h e que a empresa não deposita o FGTS e não concede férias 
RIBEIRÃO PRETO - Representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e auditores fiscais do Ministério do Trabalho flagraram nesta terça-feira, 6, um grupo de oito bolivianos em condições degradantes na fábrica Biodiesel Brasil, em Pradópolis (SP). Eles trabalhavam no processo de decantação do óleo de cozinha que a fábrica utiliza na produção do combustível e apontaram, como o responsável pela empresa, Miguel Joaquim Dabdoub, um dos pioneiros da produção de biodiesel em escala industrial no Brasil e professor da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP).
Dabdoub admitiu ter iniciado o projeto da unidade e ter trazido os bolivianos para trabalhar na construção e no começo da operação da fábrica. Mas, segundo ele, a unidade foi vendida para uma empresa chamada Energea, há seis meses. "Eu tenho documentos que comprovam o negócio e não posso mais responder por eles (bolivianos)", disse. AAgência Estado não conseguiu localizar os representantes da Energea.
Os bolivianos relataram que não recebem salários há dois meses, que não receberam décimo terceiro salário de 2011 e ainda que a companhia não depositaria o FGTS e não concederia férias aos funcionários. Além disso, dois bolivianos teriam relatado a retenção de documentos, o que impossibilitaria o retorno deles ao País de origem.
Segundo a procuradora do MPT de Ribeirão Preto Regina Duarte, os bolivianos informaram ainda que trabalham das 7h às 22h, de segunda-feira a sábado, e das 7h às 12h no domingo. "O pior foi o alojamento dos funcionários, um galpão improvisado, com ratos, sem comida e com um dos funcionários dormindo ao relento", disse Regina. O alojamento foi fechado e os bolivianos, com ajuda da prefeitura de Pradópolis, encaminhados a um hotel na vizinha Jaboticabal (SP).
"Eles ficarão lá por conta do proprietário da empresa, que ainda não foi localizado", disse a procuradora. "Apenas uma advogada iria lá, mas não tinha aparecido ainda", completou. Ela não soube informar se os bolivianos tinham visto de permanência ou de trabalho no Brasil. "Vamos marcar uma audiência com o empregador para quinta-feira, às 15 horas", explicou.
Já o auditor fiscal do trabalho Edson Bim, que acompanhou a operação, informou que toda a documentação da empresa e dos funcionários terá de ser apresentada até a próxima segunda-feira. "Com isso, queremos apurar se a situação dos empregados era legal", disse.
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Senador denunciado por Trabalho Escravo


Em sessão nesta quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por 7 votos a 3, que o senador João Ribeiro (PR-TO) será réu em um processo que irá investigar as acusações de que tenha empregado 35 trabalhadores em regime de escravidão.
O Supremo aceitou denúncia do Ministério Público que, entre outros, acusa o senador dos crimes de redução à condição análoga à de escravo, aliciamento de menor e submissão a condições degradantes de trabalho em uma fazenda de sua propriedade no município de Piçarra, interior do Pará.

De acordo com a Procuradoria, os trabalhadores não tinham acesso a água potável e luz, trabalhavam aos finais de semana e em jornadas acima de 12 horas diárias, dormiam em chão de terra e não tinham liberdade de locomoção.
A denúncia afirma ainda que os trabalhadores tinham que comprar a comida e instrumentos de trabalho na fazenda, o que implicava em escravidão por dívidas.
O julgamento da denúncia começou em 2010 no Supremo, mas foi interrompido por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A ministra Elle Gracie (já aposentada), relatora do caso, votou pelo recebimento da denúncia à época.
Na sessão plenária de hoje, os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Marco Aurélio votaram pela rejeição da denúncia, afirmando que as condições a que eram submetidos os trabalhadores, apesar de degradantes, não configuravam o regime de escravidão. Segundo os ministros, não ficou provado que tenha havido restrição de liberdade
"Se for dada à vítima a liberdade de abandonar o trabalho e rejeitar as condições supostamente degradantes, não é razoável pensar em crime de redução à condição análoga ao trabalho escravo", afirmou Mendes.
O ministro afirmou que muitas das condições degradantes mencionadas na denúncia são problemas comuns do trabalho rural, e não necessariamente trabalho escravo.
Para ele, também não ficou provado o crime de aliciamento de menor -- de acordo com o Ministério Público, um adolescente de 16 anos foi contratado para roçar um terreno durante 25 dias.
"Qual alternativa oferecemos aos jovens no campo? [depois da fiscalização] Ele foi encaminhado a algum programa de assistência? Foi dada a ele alguma vaga em uma escola ou curso profissionalizante?"
O ministro Ayres Britto rejeitou o argumento de Mendes. "Essa é uma espécie de raciocínio que eu queria traduzir com as seguintes palavras: 'o trabalhador miserável que se submeta a uma condição de trabalho miserável'. Se por um acaso eu encontrar um pássaro preso em uma arapuca, eu vou soltá-lo imediatamente, eu não vou perguntar se ele corre o risco de cair em outra arapuca."
Votaram pelo recebimento da denúncia, além de Ellen Gracie e Britto, Luis Fux, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Celso de Mello e o presidente da corte, Cezar Peluso, que acolheu parcialmente o pedido. Não votaram Rosa Weber, por ter entrado no lugar de Ellen Gracie, e Ricardo Lewandowski, que estava ausente.
Ribeiro é réu em outra ação penal no STF, acusado pelo crime de peculato. Há contra ele ainda dois inquéritos, que investigam crimes ambientais e estelionato. Contatada, a assessoria do parlamentar afirmou que ele se manifestaria por meio de nota a ser publicada.

NÁDIA GUERLENDA
DE BRASÍLIA
Foto de Sergio Lima/Folhapress

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Apple: Redes para evitar suicídios...


O jornalista Bill Weir, da rede americana de televisão ABC, teve acesso exclusivo à empresa chinesa administrada pela Foxconn, uma das maiores fornecedoras da gigante do mundo da informática Apple.
Ele mostrou as duras condições na qual os trabalhadores produzem aparelhos como o iPad.
Os trabalhadores são obrigados a morar em dormitórios com outras sete pessoas. Eles fazem exatamente a mesma função na fábrica seis dias por semana.
O executivo Louis Koo, da Foxconn, respondeu a algumas acusações sobre o tratamento que os funcionários da fábrica recebem. Nos últimos anos, 18 deles cometeram suicídio. Para evitar que isso se repetisse, redes foram instaladas do lado de fora do prédio.
Louis Koo disse que a empresa não estava preparada para o ritmo de transformação no mercado - que tem exigido cada vez mais aparelhos Apple - mas ele afirmou que a companhia está mudando aos poucos.




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Minas Gerais: Chacina de Unaí (Matéria de jan/2012)

Oito anos de impunidade. É o que a chacina de Unaí completará nesse sábado, 28/1/2012. Após oito décadas, o julgamento dos acusados de envolvimento na emboscada, seguida de assassinato, de três auditores fiscais do Trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), se arrasta pelo Judiciário mineiro, sem previsões de data para ser realizado. São eles, respectivamente: Erastótenes de Almeida Gonçalves; João Batista Soares Lage; Nelson José da Silva e Ailton Pereira de Oliveira. Em função disso, familiares e amigos das vítimas realizaram, na manhã desta sexta-feira, 27/1, uma manifestação em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF), na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O ato teve o apoio da Associação dos Auditores Fiscais de Minas Gerais (AAFIT/MG). 

Os auditores foram assassinados durante uma fiscalização de rotina em fazendas de Unaí, no noroeste de Minas Gerais. Os acusados como mandantes, os irmãos Antério Mânica e Norberto Mânica, grandes produtores de feijão do País, na época, eram investigados pelo TEM por suspeita de impor condições degradantes a trabalhadores. Desde 2004, a sociedade clama contra a impunidade dos nove envolvidos no crime (entre mandantes e executores). Afinal, embora desde dezembro daquele fatídico ano, o TRF 1ª Região tenha expedido Sentença de Pronúncia, decidindo que TODOS os envolvidos apontados nas investigações deveriam ir a júri popular, ainda não houve julgamento. Atualmente, quatro réus estão em TOTAL liberdade, beneficiados por Hábeas Corpus; os outros cinco permanecem na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). O fazendeiro Antério Mânica, indiciado como mandante, teve o processo desmembrado dos demais. Depois do crime, Mânica foi eleito prefeito de Unaí por duas vezes e, com isso, adquiriu "direito" a foro especial. Por determinação da Justiça, ele só será julgado após concluído o julgamento dos demais implicados. 

Em nota, o Tribunal Regional Federal, em Belo Horizonte, informou esperar pelo envio do processo original, que está no Supremo Tribunal Federal (STF), para análises de recursos. Ainda segundo o TRF após o recebimento do documento, ainda há um prazo para a realização de intimações de testemunhas, a serem ouvidas no dia do julgamento.
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