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A Revolta dos Malês - Já se vão 170 anos

Em 25 de janeiro de 1835, explodiu uma das mais importantes rebeliões de negros e negras da história do país: a Revolta dos Malês. Praticamente omitida pela historiografia oficial, a Revolta é uma lição de garra e luta pela liberdade. Mas também da perversidade das elites dominantes.


Uma explosão pela liberdade e contra a intolerância


A Revolta foi planejada por um grupo de africanos muçulmanos — negros de origem haussa e nagô, chamados de malês, devido ao fato de que, em ioruba, muçulmano é imale — formado, dentre outros, por Ahuma, Pacífico Licutan , Luiza Mahin, Aprício, Pai Inácio, Luís Sandim, Manuel Calafate, Elesbão do Carmo, Nicoti e Dissalu. A data escolhida, o amanhecer de 25 de janeiro, coincidia com um dia importante do ponto de vista religioso: o fim do mês sagrado muçulmano, o Ramadã, e dos tradicionais festejos religiosos dedicados a Nossa Senhora da Guia, que manteriam ocupados os católicos.


O objetivo da conspiração era libertar seus companheiros islâmicos e negros em geral e matar brancos e mulatos considerados traidores. Uma meta que traduzia a complexa combinação entre escravidão negra e perseguição religiosa, imposta pelos colonizadores católicos. 

Dois aspectos singulares influenciaram todo o processo. Em primeiro lugar, diferentemente da grande maioria dos negros (que compunham mais da metade dos cerca de 20 mil habitantes de Salvador) os malês sabiam ler e escrever em árabe. Além disso, boa parte dos líderes da Revolta, era formada por “negros de ganho” (escravos que faziam serviços urbanos, artesanato ou vendas, recebendo algo por isso) o que não só facilitava sua circulação pela cidade, mas também possibilitou que muitos deles comprassem sua alforria e, nos meses que anteriores à Revolta, adquirissem armas.

Nos dias que antecederam o levante, notícias davam conta de uma intensa movimentação, sobretudo de escravos vindos do Recôncavo Baiano para Salvador. Viriam unir-se ao líder Ahuma, que havia sido preso e estava sendo brutalmente castigado. Além disso, o respeitado Alufá Pacífico Licutan, vítima de constantes maltratos por parte de seu “senhor”, também encontrava-se preso na cadeia municipal. É certo que as agressões sofridas por esses dois mestres foi o estopim para por em prática a revolta há muito planejada.

O número de pessoas envolvidas na preparação da rebelião (entre libertos, escravos, islâmicos e gente que professa outras religiões) varia de acordo com a documentação entre 600 e 1.500, a grande esmagadora deles nascidos na própria África.

Traição e massacre

Antes mesmo de eclodir a Revolta foi denunciada por uma negra ao juiz de paz. A polícia invadiu, na noite de 24 de janeiro, a residência de Manuel Calafate, um dos locais de encontros e reuniões de africanos de fé islâmica. Resistindo à polícia, partiu dali um grupo de escravos que tentou assaltar a cadeia, ainda então instalada na parte baixa do prédio da Câmara Municipal. Outro grupo procurou avisar escravos e libertos malês que trabalhavam nas residências de cônsules e comerciantes estrangeiros. Reuniram-se cerca de 50 a 60 homens armados com pistolas, lanças, espadas e facas. Foram esses os que, primeiro, combateram com a polícia e atacaram o quartel que controlava a cidade.

De forma desorganizada, a Revolta tomou a cidade, mas, devido à inferioridade numérica e de armamentos, acabou sendo massacrada pelas tropas da Guarda Nacional, pela polícia e por civis armados que estavam apavorados ante a possibilidade do sucesso da rebelião negra. 

Durante os confrontos, morreram cerca de 70 negros e aproximadamente 10 soldados das forças repressoras. Com a derrota, centenas foram presos, sendo condenados à deportação (muitos para a África, algo até então inédito no Brasil), a brutais castigos ou à pena de morte. Na seqüência do evento, instalou-se na Bahia, sobretudo em Salvador e Santo Amaro, a mais generalizada e cruel repressão contra os escravos que estendeu a perseguição a outros malês. O temor provocado pela rebelião foi tamanho que a corte imperial proibiu a transferência de qualquer escravo baiano para qualquer outra região do país. 

Uma intifada negra

Muitas vezes apontada como uma rebelião de caráter puramente religiosa, a Revolta, na verdade, foi muito mais complexa. Como lembra João José Reis, autor Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835, em uma entrevista publicada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ``com o risco do anacronismo, diria que a revolta estava mais para Intifada do que para Jihad, embora a guerra santa tenha sempre algum lugar no coração de um muçulmano que se rebela``.

Além disso, o processo só pode ser entendido dentro do quadro de rebeliões negras que sacudiam a Bahia, desde o início do século em sucessivos levantes (1807, 1809, 1813, 1826, 1828 e 1830), envolvendo as mais diversas etnias e grupos. Em relação à predominância dos malês, favorecida pelos aspectos mencionados acima, também é importante lembrar que vários documentos apontam para o fato de que eles viam os demais negros como aliados em potencial.

Acima de tudo, apesar de derrotada, a Revolta serviu como inspiração fundamental para as lutas contra a escravidão, não só pelo exemplo que forneceu, mas também pelo envolvimento de muitos de seus líderes e participantes, como Luiza Mahin (veja abaixo) em outros processos. Uma lição que para nós, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU, continua viva na necessidade de travar uma luta sem tréguas contra o racismo, toda forma de intolerância e, particularmente, contra o sistema que alimenta estas práticas. O colonial, no passado; o capitalista, na atualidade.

Luíza Mahin: mulher guerreira

Esta africana guerreira teve importante papel na Revolta dos Malês. Pertencente à etnia jeje, alguns afirmam que ela foi transportada para o Brasil, como escrava; outros se referem a ela como sendo natural da Bahia e tendo nascido livre por volta de 1812. Em 1830 deu a luz a um filho, Luis Gama, que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista e escreveria as seguintes palavras sobre sua mãe: ‘‘Sou filho natural de uma negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã’’. 

Luiza Mahin foi uma mulher inteligente e rebelde. Sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século XIX, dentre elas a chamada Grande Insurreição, de 1835. Luiza conseguiu escapar da violenta repressão desencadeada pelo Governo da Província e partiu para o Rio de Janeiro, onde também parece ter participado de outras rebeliões negras, sendo por isso presa e, possivelmente, deportada para a África.

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Estudantes chilenos voltam às ruas e exigem ensino público, gratuito e de qualidade

Os estudantes chilenos, que protagonizaram uma forte mobilização em 2011 por educação pública, gratuita e de qualidade, estão de volta. Desta vez são os do ensino médio, que há duas semanas lideram nova luta marcada por repressão policial e que já culminou numa greve nacional nesta quinta-feira (23).

Protestos de rua foram o início de uma onda de ocupações e greves, principalmente em estabelecimentos mais tradicionais do estado que respondeu com forte repressão policial. Os jovens exigem um novo modelo educacional que reforce o sistema público.

Segundo matéria no El País, o movimento tem crescido de forma mais radical. Uma das principais líderes é Eloisa Gonzalez, porta-voz da Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundários (ACES) que pediu um boicote às eleições municipais de outubro próximo e desafiou as autoridades e o presidente. “Nós iniciamos uma nova explosão social”, falou ao anunciar na segunda-feira a greve nacional desta quinta-feira.

Os estudantes da Universidade do Chile, a mais antiga do país, também paralisaram as atividades acadêmicas e ocuparam a universidade.

Em resposta a luta desses estudantes no ano passado, o governo ofereceu créditos mais baratos, mais bolsas de estudos e uma reforma tributária que está sendo discutida no Congresso, que procura arrecadar entre US$ 700 milhões e US$ 1 bilhão para a educação, mas nega as mudanças estruturais do sistema exigidas pelos estudantes. Por isso, a retomada da mobilização, além da reivindicação do fim do lucro existente em muitos centros particulares e dos altos custos das mensalidades, que devem pagar através de créditos do sistema financeiro.

Popularidade de cada um - A educação continua a ser uma das principais preocupações dos chilenos de acordo com a pesquisa do CEP (Centro de Estudos Públicos). O estudo indica que 12% da população acredita que o governo está atuando “muito bom e bom” na área da educação, e 57% acreditam que está atuando de forma “ruim e muito ruim.” A pesquisa revela que a confiança pública no movimento estudantil foi reduzida de 35% para 30% desde dezembro de 2011, mas a sua credibilidade é maior do que a do governo (23%), do Congresso (10%) e dos partidos políticos (6%).

O governo do presidente Sebastián Piñera, que tem sido marcado por essas mobilizações estudantis tem visto sua popularidade cair. Está em 27%, apesar do crescimento econômico de 5,5%, revela a pesquisa.

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Força da greve dos servidores públicos federais faz governo Dilma recuar


Os servidores federais realizaram mais um dia de luta nesta terça-feira (21) e estão numa fase decisiva com o governo. Durante toda essa semana as diversas categorias do funcionalismo público realizam atividades e mobilizações até que o governo apresente sua proposta.

A greve no funcionalismo público federal já ultrapassa três meses. A primeira categoria a deflagrar a paralisação foi a dos docentes das universidades e institutos federais, marcando uma das mais fortes e extensas greves do setor dos últimos dez anos.

Esses servidores se enfrentaram com o governo Dilma e encararam sua truculência. Segmentos do funcionalismo tiveram corte nos salários. Além disso, o governo editou um decreto substituindo os grevistas.

Mesmo com todos esses ataques, a reposta do funcionalismo federal foi uma inédita unificação dos setores contra o arrocho salarial e em defesa dos serviços públicos.

A disposição desses servidores com adesão de setores estratégicos do funcionalismo, como a Polícia Federal, e mais recentemente como os policiais rodoviários, que também decidiram deflagrar greve nesta segunda- feira, fez o governo recuar e sinalizar abertura de diálogo com uma proposta para o setor.

No próximo dia 31 de agosto encerra-se o prazo para o governo fechar a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) para o próximo ano, que deve conter os reajustes aos servidores.


“A força do movimento impôs um recuo e uma derrota política ao governo Dilma e à sua intransigência em não conceder nenhum reajuste, como ameaçava fazer no início da greve justificando para isso a crise econômica internacional”, ressaltou o membro da Secretaria Executiva Paulo Barela, acrescentando que enquanto o orçamento deste ano aos servidores soma R$ 1,5 bilhão, o total dos reajustes já arrancados do governo garante R$ 14 bilhões anuais até 2015. 

“É ainda insuficiente para o conjunto dos servidores, principalmente se compararmos com o que é destinado ao pagamento da dívida pública, quase metade do Orçamento da União, e o que está sendo gasto com as isenções de IPI e os subsídios às grandes empresas, mas mesmo assim é mais do que o governo estava disposto a conceder no início do movimento”, avalia.

O dirigente aponta ainda a derrota que os servidores impuseram ao Projeto de Lei 549 que, na prática, estabelecia o congelamento dos salários dos servidores para o próximo 10 anos.

“A greve até aqui foi vitoriosa, quebrando a intransigência do governo e forçando um recuo de Dilma. Porém, ainda não terminou e os servidores tem até o final de agosto para melhorar as propostas do governo e arrancar índices melhores. Ou seja, as mobilizações ainda não terminaram”, salientou.

Greve forte e marcada pela unidade - A greve dos servidores federais atinge mais de 30 setores, com a paralisação de algo como 400 mil trabalhadores em todo o país.

O movimento se chocou com intransigência do governo Dilma, que não foi capaz de dobrar as mobilizações dos servidores. A disposição do governo Dilma em não negociar com a categoria em greve chegou a provocar elogios do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, responsável pelos anos de neoliberalismo que destruíram boa parte dos serviços públicos no país, além de seu partido, o próprio PSDB.

Os servidores federais, porém, foram às ruas e se mobilizaram, apostando na unificação do serviço público e na unidade com os estudantes, no caso das universidades federais. Além de reivindicarem reajuste e planos de carreira, os servidores denunciaram à população o caos que vive hoje os serviços públicos, desmentindo a propaganda de mentira de massas que é veiculado em boa parte da grande imprensa no Brasil. Foram várias marchas a Brasília e dias de luta que mobilizaram servidores de todo o país, com ações radicalizadas como o corte de estradas e o bloqueio do Ministério do Planejamento.

A radicalização da categoria e a revolta da base dos servidores bateram de frente com a intransigência do governo Dilma e chegou a gerar crise entre a cúpula das centrais governistas, como a CUT e a CTB, e o governo, desmascarando o verdadeiro caráter do governo Dilma. A presidente chegou a anunciar que não concederia reajuste aos servidores para proteger “os que não têm estabilidade no emprego”, dando a entender que os bilhões em subsídios às grandes empresas geram e mantém os empregos, o que não está ocorrendo.

Avança negociação com os técnicos administrativos das IFES – Setores como os técnicos administrativos, base da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras), já avançam nas negociações e arrancam importantes conquistas do governo.

O setor foi um dos mais mobilizados e radicalizados durante a greve, embora seja uma categoria extremamente heterogênea, com cinco níveis de escolaridade e diversas profissões.

Embora o governo insista no limitado reajuste de 15% parcelados em três anos, e reajuste de 3,6% para 3,8% nos índices de progressão de carreira, houve uma importante vitória parcial nos índices nos distintivos de qualificação, os adicionais de graduação. Esse reajuste pode chegar a 44% em três anos em alguns níveis, contando o reajuste e o incentivo à qualificação.

“As assembleias que ocorrem esta semana vão decidir se aprovamos ou não essa proposta, mas já dá pra dizer que ela arranca algo do governo, que não estava disposto a ceder, além de fortalecer elementos da carreira”, analisa Gibran Ramos, coordenador da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras.


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Violência na UERJ

PM lança bombas de efeito moral em protesto da UERJ


A Polícia Militar reprimiu uma manifestação de professores e estudantes no câmpus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no fim da tarde desta quinta. De acordo com vizinhos do campus, no Maracanã, zona norte, foram lançadas bombas de efeito moral e houve pânico entre as pessoas que passavam na rua, próximo à universidade. Técnicos, professores e estudantes estão em greve desde 11 de junho.

A professora Márcia dos Passos Neves, que mora junto à UERJ, contou que os carros do Batalhão de Choque chegaram por volta das 18 horas. "Parecia barulho de tiro, bomba. As pessoas saíram correndo na calçada. A universidade também ficou completamente às escuras", disse.

À tarde, havia ocorrido uma assembleia coletiva de técnicos professores e estudantes. Ao fim da reunião, houve uma passeata nos arredores da UERJ e o trânsito na Avenida Radial Oeste foi interrompido, provocando engarrafamento. O grupo voltou para a universidade e os estudantes se reuniram em frente a uma agência bancária, para outra assembleia. Nesse momento, os policiais militares chegaram. O grupo foi dispersado com spray de pimenta.

"Os professores já tinham se dispersado e os alunos estavam reunidos em frente à agência, que era o único lugar iluminado. A polícia entrou jogando gás lacrimogêneo. Foi uma coisa muito agressiva, uma repressão inútil, porque não teve depredação, nada", disse o professor de Comunicação Fábio Iório.

Em nota, a Polícia Militar informou que o 4.º Batalhão (São Cristóvão) foi acionado para conter manifestantes da UERJ, que tentavam fechar a Avenida Radial Oeste com pneus. O Batalhão de Choque foi chamado para auxiliar. "Os grevistas deixaram a via, entraram na universidade e depredaram um caixa eletrônico. Uma bomba de efeito moral foi lançada para dispersar o grupo", diz o texto. O movimento grevista nega que o caixa tenha sido depredado.

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A São José dos Campos das lutas operárias

Nesta sexta feira 24 de agosto às 16 horas a Comissão dos presos e perseguidos políticos da ex-Convergencia Socialista esta convocando um ato no sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campo: 


“AS LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS CONTRA A DITADURA”

Depois todos irão para a Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) onde às 19 horas mais de uma centena de operários que trabalhavam na Embraer receberão a Anistia Política do Ministério da Justiça e o pedido oficial de perdão por parte do governo brasileiro, por ter perseguido e demitido estes operários que realizaram greves contra a ditadura.


Neste ato estarão presentes antigos militantes da Convergência Socialista que protagonizaram as greves e as lutas operárias em São José dos Campos no final da década de 70 e inicio da década de 80.

Entre eles estará Ernesto Gradella, atual candidato a prefeito pelo PSTU em São José dos Campos, ex-vereador e ex-deputado federal. Um dos que esteve à frente as lutas daquela época.

Gradella chegou a São José dos Campos em julho de 1978, vindo da Universidade de São Carlos. Ai encontrou três outros militantes da Convergência Socialista: Robério Paulino, atual candidato do PSOL a prefeitura de Natal; Sandra Piccinin e Tambaú (Eduardo Stetnner), e começou a trabalhar na Siderúrgica Fi-El, empresa depois vendida ao grupo Mannesman e revendida ao grupo Gerdau.

Naquele período a luta central era contra a Ditadura Militar, por isso este grupo de militantes além de realizar trabalho clandestino nas fábricas da região se integraram a seção local do Comitê Brasileiro de Anistia. Organizando vários atos públicos pela anistia (ampla, geral e irrestrita).

Nesta época a presença marcante da Convergência Socialista levou o então Valeparaibano, hoje jornal O Vale, a publicar um editorial de que a atuação “radical” da CS poderia atrapalhar a volta das eleições para prefeito na cidade. Naquele período, São José era considerada estância hidromineral e portanto, o prefeito municipal era um cargo indicado pela ditadura.

Como se vê a imprensa burguesa, antes como hoje, sempre tenta colocar nas costas da organizações de esquerda o ônus dos ataques que a patronal desenvolve contra os trabalhadores.

Neste ano o trabalho cresceu na Fi-El, e eles abriram vários contatos, como o operário poeta João Roberto, trabalhador da Embraer e atual diretor da Admap (Associação dos Aposentados).

Após as greves de 78 no ABC, havia uma disposição de luta nas fábricas joseenses. Por isso as greves chegaram na cidade em 1979. Gradella e seus camaradas procuraram o sindicato, dirigido por um antigo pelego Zé Domingues, que havia participado do Congresso Estadual dos Metalúrgicos na cidade de Lins/SP, onde foi aprovada a fundação do PT – Partido dos Trabalhadores, proposta pelo Zé Maria Almeida, da Convergência Socialista, no congresso dos metalúrgicos de Santo André.

Distribuíram por conta deles boletins do Sindicato convocando as assembleias de campanha salarial, que contaram com a presença maciça de metalúrgicos e foram realizadas no Sindicato dos Têxteis.

Quando chegou a assembleia para votação do acordo, o Sindicato fez um boletim chamando a greve, mas sem colocar o seu timbre. Ele foi distribuído de madrugada nos pontos de ônibus para os trabalhadores que iam para as fábricas e à noite o salão do sindicato dos têxteis ficou pequeno para tantos metalúrgicos presentes. O ABC havia rejeitado a proposta no dia anterior e iniciado a greve.

O pelego Zé Domingos pretendia aprovar o acordo, mas Tambaú tomou a palavra, defendeu a greve e colocou a proposta em votação de imediato. A partir daí o pelego perdeu o controle da assembleia e teve que aceitar a greve.

De imediato, os trabalhadores começaram a organizar os piquetes para as entradas do turno das 22 horas na Bundy, Ericsson, Fi-El, etc . Os operários da GM foram parar a Fi-El, os da Fi-El e Ericsson foram fazer piquete na Bundy, e assim por diante, usando seus próprios veículos, uma vez que o sindicato não dispunha nem de um carro de som. Todas as metalúrgicas pararam completamente.

Pela manhã, novos piquetes se formaram para parar a GM, Embraer e todas as outras empresas.

No final do dia, o pelego fechou o sindicato dos metalúrgicos e “desapareceu”. Foi então criado um Comando de Greve, com a presença de jovens metalúrgicos, entre eles Toninho, na época na GM (atual candidato a vereador pelo PSTU), José Luiz Gonçalves, também trabalhador da GM; Ari Russo da Ericsson; Edson Cavalcanti e outros.

A partir daí, cresce a repressão, e os piquetes passam a ser feitos dentro da cidade, parando os ônibus que iam para as fábricas metalúrgicas. A greve dura mais três dias, e seu grande saldo é a construção da Oposição Metalúrgica, votada na última assembleia.

Com a greve dos metalúrgicos o peso da CS cresce na classe operária. Lula vem à cidade para fazer uma palestra sobre a construção do PT, na Casa do Jovem, no bairro Santana.

Em 1980 é fundado o PT e a CS tem um papel destacado na afiliação ao partido. A atual vereadora do PT, As lutas crescem, a CS aglutina dezenas de militantes, e nas eleições de 1982, Ernesto Gradella é lançado candidato a vereador, eleito com aproximadamente 2700 votos.

Como vereador, militante da Convergência, participa das principais lutas operárias da década de 80 em São José, além da criação da CUT e da “Campanha das Diretas Já” e contra os planos econômicos do governo Sarney, até ser eleito deputado federal em 1990.

Amélia Naomi, entra para os quadros da Convergência, por volta de 1983, trabalhando na Nacional Panasonic. Nas eleições para a diretoria do sindicato dos metalúrgicos em 1984, ela integra a chapa junto com outros militantes da CS, como Assis, Pedro Rosa, Oliveira e o Toninho (Antonio Donizetti). Os militantes do PT da diretoria racham com o PMDB e juntam-se a CS na formação de uma chapa, ganham as eleições.

Estas e muitas outras histórias serão recordadas neste encontro, entre elas a greve da Embraer de 1984 e a greve com a ocupação de fabrica da GM, de 1985, onde militantes da CS tiveram uma destacada participação.

Vai valer a pena estar presente e participar.




[1] Américo Gomes, da Coordenação da Comissão de presos e perseguidos políticos da ex-Convergencia Socialista.
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RJ - Ato Unificado - 24/08/12 - Educação Saúde e Habitação



Na próxima sexta-feira, 24.08, às 10 :00 da manhã realizaremos um ato no Maracanã .O ponto de encontro é a estátua do Bellini . Lá faremos uma panfletagem e, em seguida, realizaremos uma passeata até a UERJ para manifestar nossa solidariedade à luta dos docentes, técnicos e estudantes da universidade estadual, que estão em greve por melhores condições de trabalho há uns dois meses .

O objetivo do ato é denunciar a transferência de recursos e patrimônio público que vem sendo operada pelo governos para as empresas imobiliárias, da construção civil e do ramo do turismo e do entretenimento, em detrimento do investimento em educação e saúde pública e em habitação para os segmentos mais pauperizados da classe trabalhadora .

Hoje, faremos contato com companheiros que militam nas ocupações urbanas, com os operários da obra do Maracanã e com alguns ativistas do Comitê popular da Copa para esclarecer as razões da manifestação e convidá-los a se integrar. Precisamos que nos ajudem a divulgar. Creio que teremos um bom ato .Espero encontrar com todos(as) lá !

Abraços

Sonia Lucio
p/ Comando Unifcado de greve da educação 







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Petroleiros: É hora de lutar


Dieese/RJ revela que os petroleiros tiveram perda salarial acima de 5%


O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Escritório Regional do Rio de Janeiro, divulgou, nesta terça-feira (24/7), seu estudo preliminar “Conjuntura da campanha pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho de 2012”, no qual avalia a evolução salarial dos petroleiros do Rio de Janeiro e recomenda reajustes (para 1º setembro/2012), de 5,94% (ICV-DIEESE) e 4,97% de acordo com o INPC-IBGE
De acordo com o Dieese, o estudo “visa apoiar a Direção do Sindicato dos‭ ‬Petroleiros‭ ‬do Rio de Janeiro‭ ‬em sua campanha pela renovação das convenções coletivas de trabalho junto ao patronato”.
O estudo levou em conta, também, o comportamento da economia brasileira, que precisa ser retomada, pois apresenta desaceleração. Segundo o Dieese, em 2010, a economia nacional teve um crescimento de 7,5% e caiu para 2,7% em 2011. “Tal resultado refletiu,‭ ‬por um lado,‭ ‬as medidas restritivas impostas pela política monetária do Banco Central,‭ ‬que elevou a taxa básica de juros‭ (‬Selic‭) ‬de‭ ‬8,75%,‭ ‬em abril de‭ ‬2010,‭ ‬para‭ ‬12,75%,‭ ‬em julho de‭ ‬2011,‭ ‬e,‭ ‬por outro lado,‭ ‬aos efeitos da crise econômica na zona do euro”.
Para a análise da evolução salarial dos petroleiros, o Dieese se baseou em dois índices: ICV-DIEESE e INPC-IBGE. O período estudado – setembro/2011 a agosto/2012 – apresentou uma variação, respectiva, de 5,94% e 4,97%. E no mesmo período os salários foram reajustados em 0,00%. As perdas salariais: -5,61% (agosto/2012, ICV-DIEESE) e -4,73% (agosto/2012, INPC-IBGE).
Assim, o Dieese sugere reajustes (para 1º setembro/2012), respectivos, de 5,94% e 4,97%, de acordo com o INPC-IBGE.
É de extrema importância que os petroleiros tenham conhecimento do presente estudo, na íntegra, sobretudo com o aproximar das negociações do novo dissídio coletivo da categoria.
Baixe agora mesmo o estudo (formato pdf), que está dividido em dois arquivos.
Fonte: Dieese/RJ, com edição da Agência Petroleira de Notícias.
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Autonomia em Questão: Carta de um Professor do IFRJ


POR QUE DEFENDO O VOTO UNIVERSAL NAS ELEIÇÕES PARA REITOR NO  IFRJ

A pedra de toque da autonomia universitária como também a dos Institutos Federais de Tecnologia é a eleição do reitor, em processo que principia e termina no âmbito restrito de suas respectivas comunidades. Assim fazem algumas universidades e têm muito mais liberdade da ação que as públicas. Um reitor escolhido, como no nosso caso, de uma lista tríplice, pode ser independente, porém à custa de conflito permanente com o governo. O ideal seria que o governo não interferisse em nossa autonomia respeitando o reitor eleito e indicado livre e soberanamente pela comunidade acadêmica. Acontece, porém, que esta ideia é vista com indiferença, temor e ódio por muitos membros das comunidades acadêmicas ( é o medo à liberdade de Sartre). Por outro lado, não há como leva-la adiante com a fraqueza atual dos movimentos coletivos. Isso posto, vem a questão da eleição. Houve época em que a lei vigente mandava que se respeitasse a ponderação   de 70% para o segmento docente, na lógica de os professores serem os senhores e donos da verdade política, acadêmica e administrativa da gestão (“participativa”) de seus respectivos centros universitários. Sejamos justos: é a mesma lógica da paridade. No caso do IFRJ, o voto de um servidor  professor vale mais que o de um servidor técnico- administrativo e mais do que o de 20 alunos. Por que razão um técnico-administrativo e, muito menos um estudante, iriam se interessar numa eleição em que são considerados como cidadãos de 5ª categoria? Claro está que a intenção por trás desse plano maquiavélico é a de deixar os respectivos centros ( universidades e institutos) sob a tutela exclusiva dos professores, que constituem camada social mais próxima do poder e portanto, mais suscetível à cooptação( estamos tendo a comprovação cabal de tal assertiva, pelo descaso com que tratam o segmento técnico-administrativo nesta greve mais do que oportuna). O  atual governo é um exemplo da largura e  retidão da estrada entre as instituições de Ensino e o poder, haja vista o estado atual de nossas negociações, digo, tentativas de negociação com o governo. 

Não há como fugir da conclusão: “ só se modifica politicamente essa situação se a eleição for feita pelo voto universal, uma cabeça um voto!”. Isso podemos fazer aqui no IFRJ. Basta ter  vontade.

Absurdo, dirão alguns  elitistas ou não. Nem tanto, retorquirão outros. Algumas universidades já realizam este tipo de pleito há bastante tempo. Por que razão não se faz assim aqui no IFRJ, em consulta informal ( à margem da legislação vigente) para indicação do reitor? O que falta? Coragem? A maior vantagem, seria: a possibilidade de eleição com participação maciça de todos e com o compromisso, também maciço e irretratável, do reitor indicado(o que alguns legalistas de plantão acham que vão conseguir com suas retóricas afiadas  a serviço do poder). Com eleição desse tipo haveria força política poderosa para fazer o Conselho Superior curvar-se aos desejos expressos pelo corpo social. Os conflitos internos não desapareceriam. Mas para catalizá-los estariam audíveis as vozes “roucas” das salas de aula, repartições, laboratórios, corredores, pátios e arredores de nossa estimada instituição. Qualquer outra forma de eleição, maquilada com esta ou aquela pintura, é exercício enganoso e inútil de envergonhadas e cínicas forças conservadoras e elitistas que querem passar por democráticas e até mesmo populares...

Mais importante que a forma da eleição é o seu conteúdo. Qualquer eleição é boa para eleger reitoria que serve ao governo, que faz a política de interesse do capital interacional e seus asseclas nacionais, que querem os grandes centros públicos de excelência no Ensino, empresariados e depois empresariais (Como querem fazer com o nosso IFRJ). Porém, é preciso, se ter outra eleição para ter reitoria diferente; que não fique no campo do governo nem discuta com a lógica do governo; que quer manter seu Ensino público e gratuito e de qualidade, com mais e melhores cursos; com projeto responsável de expansão; que estabeleça mecanismos efetivos para evitar a evasão e lute efetivamente para conquistar autonomia plena; que resista às normas, portarias, ordens que arrebentam com sua autonomia, como a limitação que existe hoje para o segmento dos técnicos-administrativos; e cuide também da elevação dos salários, das carreiras de seus servidores; que valorize moral e materialmente os seus técnicos administrativos; que não deixe abandonados os aposentados; que execute programas de extensão com os excluídos e marginalizados; que exija mais verbas para a educação...

ELEGER ESTA REITORIA VALE A PENA; O RESTO É ESPERTEZA E OPORTUNISMO....

SAUDAÇÕES

KWASINSKI (COORDENADOR DA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA E MATEMÁTICA DO CAMPUS RIO DE JANEIRO – POR ENQUANTO...)

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Professores da UFRRJ: "A GREVE CONTINUA E A CULPA É DO GOVERNO!"

Prof.: Ana Cristina Santos, Luciano Alonso e Maria Teresa Cunha 


Assembleia da UFRRJ aprova intensificação da greve e exige que governo negocie pauta já protocolada pelo ANDES-SN


No dia 14 de agosto aconteceu nova Assembleia Permanente na UFRRJ, que contou com a participação de 100 docentes para apreciar os seguintes pontos de pauta: 1) Informes; 2) Avaliação; 3) Encaminhamentos. Os trabalhos foram presididos pela Professora Ana Cristina S. dos Santos e secretariados pelos Professores Luciano Alonso e Maria Teresa C. da Cunha. A composição da mesa, como tem sido práxis, foi indicada pelos integrantes do Comando Local de Greve, que tem se reunido com freqüência na sede da ADUR-RJ.  

O mesmo CLG elaborou o documento “A Greve é forte, a hora é de radicalizar as nossas ações!” [ver abaixo] para subsidiar as discussões na Assembleia, buscando atender algumas orientações do Comando Nacional de Greve – CNG/ANDES-SN, explícitos pela Circular do dia 10/8.   

No início dos trabalhos, foi lida a “Nota dos Dirigentes das IFES/RJ sobre a greve dos servidores”, assinada pelos representantes do CEFET-RJ, IFF, IFRJ, UFF, UFRJ, UFRRJ e UNIRIO. Pelo documento, os dirigentes externavam preocupação com o impasse nas negociações entre os docentes e os técnico-administrativos, e os Ministérios da Educação e do Planejamento, Orçamento e Gestão - MPOG. Também reafirmaram a legitimidade das reivindicações dos segmentos grevistas, que, no caso da UFRRJ, estão em greve desde 17 de maio. De acordo com a nota, “A atuação da ANDIFES e do CONIF, neste momento, deve reafirmar mais uma vez seu papel de lideranças propositivas  e reconhecida capacidade de mediação. Todos os esforços necessários à sensibilização dos Ministérios envolvidos não devem ser poupados na busca da imediata reabertura de negociações com os sindicatos majoritários na representação dos interesses dos docentes e dos técnico-administrativos, e na efetiva superação do presente impasse e breve retorno à normalidade institucional”.  
Alguns professores consideraram positiva a nota dos dirigentes das IFES, compreendendo que ela é resultante das ações de pressão dos Comandos Unificados, contando com representantes dos três segmentos em greve nas Universidades. Na UFRRJ, o Comando Unificado de Greve – CUG tem realizado reuniões com a Administração Superior, cujo objetivo é discutir as pautas locais de reivindicações, envolvendo melhores condições de trabalho na instituição.  

Ainda durante os informes, pelo CUG/UFRRJ, o professor Luciano Alonso lembrou que nos dias 8 e 9 de agosto, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro foi palco de manifestações das três categorias em greve, convergindo com a orientação nacional de intensificação e de radicalização do movimento grevista. Na instituição, os membros da Administração Superior foram impedidos de entrar no prédio principal (P1) até a retirada do documento do Sesu/MEC da página eletrônica da Universidade, que, propositalmente, gerava confusões que levavam à compreensão do fim da greve. A Reitoria também deveria publicar as cartas de cada segmento, pelas quais eram explicitados os motivos da greve. Somente após o atendimento dessas reivindicações o prédio foi liberado à Administração Superior da UFRRJ, não tendo sido impedido o trânsito da comunidade. Lembrou ainda que, no dia 9, quando o P1 esteve novamente fechado, técnico-administrativos, professores e estudantes estiveram mobilizados, segundo o Dia Nacional de Luta dos Servidores Públicos Federais. 

O mesmo docente advertiu que, como resultado da pressão do movimento paredista na Universidade, a Reitoria divulgou uma nota na manhã do dia 9/8, reafirmando a legitimidade da greve dos professores e técnicos, salientando que os Conselhos Superiores também reconheceram, conforme deliberações do CONSU e do CEPE, a justeza da paralisação.  

Após os informes, os professores fizeram uma avaliação da greve, discutindo o documento distribuído pelo CLG/UFRRJ. Vale lembrar que, conforme deliberado pela Assembleia de 19 de julho, os professores aprovaram que os únicos pontos flexibilizáveis em futura negociação com o governo são o valor do piso salarial e os steps entre as classes. Inegociáveis são os princípios da carreira docente: carreira única; incorporação de todas as gratificações (uma só linha) no contracheque; não flexibilização da Dedicação Exclusiva, reenquadramento sem perda de direitos; ingresso no início da carreira mediante concurso público (provas e títulos) no primeiro nível; 13 steps com interstício de 24 meses; valorização da titulação e avaliação com base na autonomia universitária de cada IFE.  

Os docentes enfatizaram que, ao contrário do que tem sido alardeado, 31 de agosto não é necessariamente o prazo final para que o governo envie a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ao Congresso – o que pode ser estendido ao Legislativo, se for preciso, até o final deste ano. A greve, portanto, não tem prazo para chegar ao fim, mas, se já dura quase 90 dias é por responsabilidade única do governo federal, que, não se mostrou disposto a negociar. 
Durante a Assembleia, foi citada a entrevista do Secretário do MPOG, Sérgio Mendonça, ao Portal Último Segundo (IG), pela qual ele reconhece que o governo falhou ao não ter buscado um entendimento com os representantes do Sindicato no início do movimento grevista.  

Assim, depois de muito debaterem, foram aprovados os seguintes encaminhamentos a partir do texto apresentado pelo CLG/UFRRJ: 

1)    Hoje, mais do que nunca, precisamos ter como foco único a luta para que o governo abra efetivamente a negociação com os trabalhadores da Educação Federal, tomando como referência a pauta apresentada em fevereiro de 2011, que inclui a carreira e as condições de trabalho, e que até agora não foi discutida e nem negociada. É preciso reafirmar quenossa greve não tem prazo em 31 de agosto e se ela se estender por mais tempo será por responsabilidade única do governo; 
2)    Encaminhar ações de radicalização, junto com os outros segmentos da UFRRJ e indicar para que os Comandos Regionais e o Comando Nacional de Greve também adotem neste momento ações de radicalização. Reafirmamos a necessidade de todo o movimento grevista discutir a possibilidade de cancelamento do semestre, boicote ao ENEM, cancelamento de matrículas e outras ações nas IFES; 
3)    Com relação à carreira, só faz sentido apresentar uma contraproposta após o governo concordar em negociar a partir da nossa pauta. O Comunicado do CNG (10/08) não remeteu para as AG a deliberação acerca deste ponto e a sua leitura dá a entender que o movimento grevista já teria decidido enviar uma contraproposta. A Assembleia da UFRRJ é contra o envio de qualquer contraproposta antes que sejam abertas negociações sobre a nossa pauta e achamos incompreensível que a reflexão sobre isso não tenha sido levada para todas as AG. A recusa do governo em negociar resulta na manutenção da lógica do pseudo-acordo com o Proifes e, neste caso, não podemos assinar nada;  
4)    Coerentes com esta posição, entendemos que o Item IV do Comunicado do CNG de 10 de agosto se refere a um exercício que objetiva levantar as posições das nossas AG, com respeito a possíveis cenários de negociação, APÓS O GOVERNO CONCORDAR EM NEGOCIAR A PARTIR DA NOSSA PAUTA. 

Neste exercício, é fundamental que se demarque o que entendemos por princípios da carreira, o que não se consegue ver com clareza no referido Comunicado do CNG.
  
Entendemos que são princípios que nossa greve não pode abrir mão: carreira única, cargo único, paridade, uma só linha no contracheque, dedicação exclusiva (com os percentuais atualmente em vigor), reenquadramento sem perda de direitos, ingresso no início da carreira, mediante habilitação em concurso público de provas e títulos no primeiro nível, 13 stepscom interstício de 24 meses, valorização da titulação (com os percentuais de 7,5% para aperfeiçoamento, 18% para especialização, 37,5% para mestrado e 75% para doutorado) e avaliação para desenvolvimento na carreira em cada IFE com base na autonomia universitária e no âmbito da avaliação institucional.
A AG da UFRRJ já deliberou em 19 de julho corrente que o valor do piso salarial que gera a tabela poderia ser negociado para adequar o montante (impacto orçamentário) que o movimento grevista entenda como limite. Caso a negociação deste piso não permita ainda a reestruturação da carreira, com o montante acordado, poderíamos deliberar se, além deste piso poderíamos negociar também os percentuais de step, mantendo-os constantes. 
O CLG acha um equívoco encaminhar a flexibilização de percentuais de Dedicação Exclusiva e da Titulação, tanto pelo fato que o governo ainda não acenou com alguma negociação do montante (e assim não sabemos se existe a necessidade desta flexibilização), quanto pelo fato de que isto abriria um precedente muito perigoso para que no futuro o governo venha com flexibilizações ainda maiores, desqualificando, por exemplo, a nossa DE; 

Esta Assembleia entende que, no formato em que se encontram as perguntas 01 a 04, enviadas pelo CNG em 10 de agosto, elas já assumem que iremos flexibilizar os itens (“qual é a flexibilização”) e entendemos que existe uma pergunta anterior – se concordamos que o item seja negociado. Neste sentido mudamos as perguntas. A pergunta 05 também foi modificada para maior clareza. Segue estas perguntas e as respostas aprovadas, por maioria, pela AG: 1. A AG entende que o piso salarial do professor 20 horas pode ser flexibilizado? Resposta: SIM;2. A AG entende que a variação percentual dos níveis (steps) pode ser flexibilizada? Resposta: SIM; 3. A AG entende que a variação percentual da Titulação pode ser flexibilizada? Resposta: NÃO; 4. A AG entende que os fatores definidos para o Regime de Trabalho podem ser flexibilizados? Resposta: NÃO; 5. A AG aprova o escalonamento (parcelamento) de reajuste para atender a proposta do ANDES? Resposta: NÃO; 6. Há possibilidade de flexibilização do impacto orçamentário da proposta do ANDES? Resposta: Superada; 7. Quais outros aspectos da proposta do ANDES a AG discutiu a possibilidade de flexibilizar? Resposta: A AG é contrária a flexibilizar qualquer outro item. 

5)    Todos os outros encaminhamentos apontados no referido Comunicado do CNG devem ser ponderados, pois ao encaminhá-los poderemos estar fragmentando e diluindo as nossas ações num momento crucial da Greve - o que pode significar erro estratégico e político.



A Greve é forte, a hora é de radicalizar as nossas ações!


Hoje, a Greve da Educação Federal completa 90 dias, contando com a adesão de 52 Instituições de Ensino Superior[1] e forte mobilização nos campide todo o país. Nas últimas duas semanas, também houve o acirramento dos movimentos grevistas de diversas categorias dos Servidores Públicos Federais (SPF), consolidando uma das maiores paralisações do setor, como não se via há décadas no país. Por culpa do governo, pela sua omissão e pelo desrespeito que vem tratando estes movimentos legítimos, milhares de estudantes estão sem aula, corremos o risco de cancelamento de atividades acadêmicas, e já se registra prejuízos significativos em setores ligados à saúde e à fiscalização portuária, por exemplo. Servidores da CAPES já cruzaram os braços e os do CNPQ estão prestes a aderir à greve.
O governo, ao invés de negociar efetivamente a pauta destes trabalhadores, tenta intimidar ou ludibriar a categoria, com ameaças de corte de ponto e pseudo-acordos com entidade pelega. Desmascarado perante a opinião pública, tenta usar a mídia de grande circulação para jogar os movimentos dos SPF contra a sociedade. Nesta luta, que se estende por cerca de três meses, já conseguimos dar visibilidade ao nosso movimento através de ações de massa e formas criativas de mobilização. Conseguimos denunciar para a sociedade as condições vergonhosas com que o governo administra o patrimônio público e, na semana passada, encaminhamos ações que fizeram as reitorias lembrarem-se da importância de publicizar o seu apoio ao movimento grevista.

O fato de as Assembleias Gerais (AG) do ANDES e do SINASEFE reafirmarem a manutenção da greve – mesmo depois do simulacro de acordo entre o governo e o Proifes – sinaliza que a nossa base não vai aceitar com tranquilidade recuos sem ganhos concretos nos dois pontos de pauta. Devemos manter a posição de que o governo tem que se comprometer com um calendário para resolução dos problemas gerados pela expansão irresponsável, no curto, médio e longo prazos.

Além disso, vale lembrar que, nas contendas entre o movimento docente e os governos da república, não temos registro de que nossas justas reinvindicações tenham sido atendidas apenas através da nossa demonstração de boa vontade e do desejo em negociar. Não temos registro de que o governo tenha se disponibilizado a negociar porque rebaixamos, a priori, as nossas reivindicações. ­O governo sabe o que as AG estão colocando como possibilidades de negociação e não seriam os gestos de “boa vontade” que iriam demovê-lo. Seria ingenuidade política caminhar por estes tortuosos caminhos. A negociação só se efetiva quando o governo é obrigado a fazê-lo, pela força do movimento grevista.
O MOMENTO DA GREVE É OUTRO
O governo apontou que irá para a ofensiva contra os SPF na próxima semana, com o intuito de nos fazer calar e de esvaziar as nossas reinvindicações. Ele tenta impingir uma data para o nosso movimento, valendo-se de contra-informações e da criação de prazos inexistentes. É fato que até 31 de agosto ele tem que enviar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o Congresso, mas sabemos que é possível alterar este instrumento até o final de 2012, porque ele tem ampla maioria no Legislativo.

A AG da UFRRJ, após analisar e debater o Comunicado Especial do CNG de 10 de agosto de 2012, aprova os seguintes encaminhamentos:

1-                  Hoje, mais do que nunca, precisamos ter como foco único a luta para que o governo abra efetivamente a negociação com os trabalhadores da Educação Federal, tomando como referência a pauta apresentada em fevereiro de 2011, que inclui a carreira e as condições de trabalho, e que até agora não foi discutida e nem negociada. É preciso reafirmar que nossa greve não tem prazo em 31 de agosto e se ela se estender por mais tempo será por responsabilidade única do governo;

2-                  Encaminhar ações de radicalização, junto com os outros segmentos da UFRRJ e indicar para que os Comandos Regionais e o Comando Nacional de Greve também adotem neste momento ações de radicalização. Reafirmamos a necessidade de todo o movimento grevista discutir a possibilidade decancelamento do semestre, boicote ao ENEM, cancelamento de matrículas e outras ações nas IFES;

3-                  Com relação à carreira, só faz sentido apresentar uma contraproposta após o governo concordar em negociar a partir da nossa pauta. O Comunicado do CNG (10/08) não remeteu para as AG a deliberação acerca deste ponto e a sua leitura dá a entender que o movimento grevista já teria decidido enviar uma contraproposta. A Assembleia da ADUR-SSind é contra o envio de qualquer contraproposta antes que sejam abertas negociações sobre a nossa pauta eachamos incompreensível que a reflexão sobre isso não tenha sido levada para todas as AG.
A recusa do governo em negociar resulta na manutenção da lógica do pseudo-acordo com o Proifes e, neste caso, não podemos assinar nada;

4-                  Coerentes com esta posição, entendemos que o Item IV do Comunicado do CNG de 10 de agosto se refere a um exercício que objetiva levantar as posições das nossas AG, com respeito a possíveis cenários de negociação, APÓS O GOVERNO CONCORDAR EM NEGOCIAR A PARTIR DA NOSSA PAUTA.

Neste exercício, é fundamental que se demarque o que entendemos por princípios da carreira, o que não se consegue ver com clareza no referido Comunicado do CNG.

Entendemos que são princípios que nossa greve não pode abrir mão: carreira única, cargo único, paridade, uma só linha no contracheque, dedicação exclusiva (com os percentuais atualmente em vigor), reenquadramento sem perda de direitos, ingresso no início da carreira, mediante habilitação em concurso público de provas e títulos no primeiro nível, 13 steps com interstício de 24 meses, valorização da titulação (com os percentuais de 7,5% para aperfeiçoamento, 18% para especialização, 37,5% para mestrado e 75% para doutorado) e avaliação para desenvolvimento na carreira em cada IFE com base na autonomia universitária e no âmbito da avaliação institucional. 
A AG da UFRRJ já deliberou em 19 de julho corrente que o valor do piso salarial que gera a tabela poderia ser negociado para adequar o montante (impacto orçamentário) que o movimento grevista entenda como limite. Caso a negociação deste piso não permita ainda a reestruturação da carreira, com o montante acordado, poderíamos deliberar se, além deste piso poderíamos negociar também os percentuais de step, mantendo-os constantes.

O CLG acha um equívoco encaminhar a flexibilização de percentuais de Dedicação Exclusiva e da Titulação, tanto pelo fato que o governo ainda não acenou com alguma negociação do montante (e assim não sabemos se existe a necessidade desta flexibilização), quanto pelo fato de que isto abriria um precedente muito perigoso para que no futuro o governo venha com flexibilizações ainda maiores, desqualificando, por exemplo, a nossa DE;

Esta Assembleia entende que, no formato em que se encontram as perguntas 01 a 04, enviadas pelo CNG em 10 de agosto, elas já assumem que iremos flexibilizar os itens (“qual é a flexibilização”) e entendemos que existe uma pergunta anterior – se concordamos que o item seja negociado. Neste sentido mudamos as perguntas. A pergunta 05 também foi modificada para maior clareza. Segue estas perguntas e as respostas aprovadas, por maioria, pela AG: 1. A AG entende que o piso salarial do professor 20 horas pode ser flexibilizado? Resposta: SIM; 2. A AG entende que a variação percentual dos níveis (steps) pode ser flexibilizada? Resposta: SIM; 3. A AG entende que a variação percentual da Titulação pode ser flexibilizada? Resposta: NÃO; 4. A AG entende que os fatores definidos para o Regime de Trabalho podem ser flexibilizados? Resposta: NÃO; 5. A AG aprova o escalonamento (parcelamento) de reajuste para atender a proposta do ANDES? Resposta: NÃO; 6. Há possibilidade de flexibilização do impacto orçamentário da proposta do ANDES? Resposta: Superada; 7. Quais outros aspectos da proposta do ANDES a AG discutiu a possibilidade de flexibilizar? Resposta: A AG é contrária a flexibilizar qualquer outro item. 

5-                  Todos os outros encaminhamentos apontados no referido Comunicado do CNG devem ser ponderados, pois ao encaminhá-los poderemos estar fragmentando e diluindo as nossas ações num momento crucial da Greve - o que pode significar erro estratégico e político.
Entendemos que o quadro é de uma contenda em aberto e as chances de vitória dependem da nossa firmeza e unidade. Esta é a hora de conquistar a carreira defendida pelo ANDES-SN e melhores condições de trabalho nas Universidades!                                                                       

Seropédica, 14 de agosto de 2012.
Assembleia Geral Permanente da ADUR-SSind

 


[1] Conforme boletim do Comando Nacional de Greve – CNG/ANDES-SN, de 9/8/12.
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Massacre de Trabalhadores na África do Sul

La Policía mata a varios manifestantes en Sudáfrica


 A Polícia Sul Africana abriu fogo ontem à tarde contra milhares de mineiros que se manifestavam armados com paus e facões, matando vários deles como confirmou um porta-voz da polícia.

Um repórter do Sul Africano da agência de notícias SAPA disse que contou 18 corpos. Fotografias e imagens de TV da cena mostram a polícia com coletes e fuzis e, no chão, os corpos ensangüentados dos mineiros. Até o momento não há confirmação oficial do número de vítimas.

São trabalhadores de uma mina de Platina pertencente à empresa Lonmin, em Marikana, a cerca de 100 quilômetros de Joanesburgo, capital  Cidade mais populosa da África do Sul. As manifestações começaram no dia 10 de agosto quando cerca de 3.000 mineiros deixaram seus postos de trabalho para protestar por melhores salários. A empresa chamada esta ação de uma “greve ilegal”.

"Os trabalhadores em greve ainda estão armados e sem trabalhar", declarou a empresa Lonmim, antes do ocorrido. "Isso é ilegal", acrescentou a empresa, que ameaçou despedir os mineiros que não voltarem a trabalhar sexta-feira. A Lonmin, de propriedade britânica, é a terceira maior produtora de platina do mundo.

Os confrontos de hoje se deram quando policiais, apoiados por veículos blindados, levantaram barricadas com arame farpado. Diante deles, sobre uma pequena colina, havia cerca de 3.000 mineiros. Em seguida, um grupo de trabalhadores conseguiu superar o cerco e se aproximar da polícia, que respondeu com tiros, segundo um repórter da agência Reuters, que após tiroteio contou sete corpos no chão.

Havia mineiros armados com paus, facões e lanças. Não está claro se eles também tinham armas e teriam disparado contra a polícia antes que estes abrissem fogo.

Uma semana de tumultos

A maioria dos mineiros que estão protestando é representada pela Associação dos Trabalhadores da Mineração e Construção (Association of Mineworkers and Construction Union, AMCU, em Inglês).

Os trabalhadores que tentaram retornar a seus postos no dia seguinte foram atacados, de acordo com a empresa e com o Sindicato Nacional de Mineiros da África do Sul (National Union of Mineworkers, NUM, em Inglês), mais antigo e que faz oposição ao AMCU, de criação mais recente e muito mais ativo em suas demandas.

Líderes de ambos os sindicatos têm tido várias conversas durante esses dias, mas por enquanto ainda não chegaram a um acordo. Enquanto isso, mineiros ligados a ambos sindicatos tem se enfrentado entre si e com a polícia durante a última semana.

No domingo, os manifestantes mataram dois agentes de segurança depois de ter ateado fogo ao seu carro. No dia seguinte as forças de segurança não conseguiram deter outro grupo violento, que matou dois trabalhadores e dois policiais. Estes responderam abrindo fogo e matando pelo menos três manifestantes, de acordo com autoridades e a Polícia.

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Servidores ocupam Brasília mais uma vez

Mais de 7 mil servidores tomaram as ruas de Brasília em nova marcha realizada nesta quarta-feira (15). A manifestação ocupou todas as faixas no sentido Rodoviária/Esplanada e bloqueou o transito da região.

O ato teve concentração no acampamento montado pelos servidores, desde o início desta semana, no gramado do Palácio dos Ministérios. Participaram do ato as Centrais CSP-Conlutas, CUT e CTB, e os diversos segmentos do funcionalismo em greve vindos de todo o Brasil.

Os servidores finalizaram a passeata no Bloco C, onde está localizado o Ministério do Planejamento, e ali realizaram um ato público. No protesto todas as falas denunciavam a política do governo.

O membro da CSP-Conlutas, José Maria Almeida, presente na manifestação, denunciou que o governo aplica a redução do IPI, dá subsídios às grandes empresas e, com isso, deixa de arrecadar o valor que poderia estar sendo investido nos serviços e nos servidores públicos. Além disso, segundo ele, transfere esse prejuízo para os servidores, que pagam a conta tendo seus salários congelados, direitos retirados e pouco investimento no setor. "Para os empresários e o pagamento da dívida pública tem dinheiro, para os servidores não", disse.

Segundo o dirigente, além disso, as empresas recebem isenção, mas não mantém o emprego. Citou o exemplo da GM que ameaçou demitir mais de 2 mil metalúrgicos, que só conseguiram reverter essa situação após intensa mobilização.

Ao final, Zé Maria fez a exigência de que o governo atenda as reivindicações dos servidores públicos e que o movimento se mantenha forte em sua luta por melhores salários.
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