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Monsanto e o Golpe no Paraguai

(Matéria de 23 de Junho de 2012 )

 2012 - Senado do Paraguai destitui o presidente Fernando Lugo
O presidente do Paraguai Fernando Lugo acaba de ser destituído do cargo pelo Senado. Votaram a favor da destituição 39 senadores, enquanto outros quatro se declararam contra. Dois parlamentares estavam ausentes. O processo de impeachment do presidente paraguaio foi iniciado na última quinta (21).
Entre as razões apontadas pelos paralamentares que entraram com o pedido de impeachment estão a ligação de Lugo com movimentos sociais atuantes no campo e o conflito ocorrido em uma fazenda no Nordeste do país, no qual morreram 17 pessoas. “Os acontecimentos trágicos não podem ser caractrizados como um mau desempenho do presidente”, declarou o advogado Adolfo Ferreiro, um dos que representaram Lugo em sua defesa no Senado.

Lugo é acusado de instigar a invasão de terras no país. Os deputados também o acusam de submeter as forças de segurança a ordens dos movimentos sociais. Com isso, os parlamentares dizem que o presidente é incapaz de conter uma onda de violência no país.

2010 – Relembrando

Em meados de agosto o Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (Senave) do governo paraguaio iniciou uma série de ações de fiscalização e destruição de lavouras ilegais de milho transgênico no país.

A primeira ação se deu numa propriedade no estado de Alto Paraná, onde foram destruídos 44 hectares de milho transgênico de propriedade de um agricultor “brasiguaio”, a 90 km da capital Ciudad del Este. O milho, que estava em ponto de colheita, foi totalmente triturado por um rolo-faca, de modo a inviabilizar seu uso como semente. A variedade Bt+RR (tolerante a herbicida e também tóxico a lagartas) havia sido contrabandeada do Brasil.

As ações continuaram ao longo da semana, resultando na destruição de mais de 100 hectares de milho ilegal.

Miguel Lovera
 A reação veio a galope. Logo foram publicadas reportagens com manifestos indignados de representantes do agronegócio paraguaio, criticando as ações e chamando de retrógrado o presidente do órgão, Miguel Lovera.

Alfredo Jaeggl
No auge dos protestos, por iniciativa do senador liberal Alfredo Jaeggli, o Senado paraguaio aprovou uma declaração ao Poder Executivo instando-o “a paralisar as intervenções do Senave com relação ao milho transgênico até que se atualize a normativa atual, conforme o desenvolvimento científico do produto” (em outras palavras, “até que o governo libere definitivamente o milho transgênico”).

Do outro lado, organizações camponesas também se manifestaram, prestando apoio ao Senave, argumentando quanto aos riscos do consumo do produto e em defesa da semente nativa. Pediram ainda que se declare “emergência fitossanitária” pelo descumprimento da legislação que proíbe expressamente o milho transgênico.

Em 28 de agosto, em seguida à manifestação do Senado, Lovera foi a público declarar que o órgão prosseguiria com a fiscalização e a destruição do milho ilegal. A declaração foi feita numa coletiva de imprensa logo depois de Lovera ter-se reunido com o presidente Fernando Lugo. Segundo Lovera, o presidente apoia o trabalho realizado pelo Senave e recomendou que ele “siga cumprindo a lei”, como fez até o momento.

A legislação paraguaia permite o cultivo de algumas variedades de soja transgênica, mas não de milho. Recentemente, entretanto, o Ministério da Agricultura do país publicou uma resolução declarando ser de interesse estratégico a experimentação com sementes de milho transgênico em território paraguaio, o que aconteceria sob a supervisão do Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrária.

Esta semana, a Aliança pela Biodiversidade na América Latina e a Rede por uma América Latina Livre de Transgênicos enviaram uma carta aberta ao ministro da agricultura paraguaio, Enzo Cardozo, expressando profunda preocupação com relação à decisão, uma vez que existe vasta informação científica demonstrando que, após a introdução destas variedades no campo, torna-se impossível deter a contaminação genética das variedades convencionais, crioulas e tradicionais de milho, uma vez que trata-se de uma espécie de polinização aberta.

Nós brasileiros conhecemos bem esta história da “criação do fato consumado” e podemos imaginar as pressões que o governo do Paraguai está sofrendo no sentido de atropelar as avaliações de biossegurança e autorizar “na marra” as variedades transgênicas de milho.


2010

ASSUNÇÃO, Paraguai - "Em qualquer país civilizado moderadamente se você pulverizar seus pesticidas sobre as pessoas, você basicamente irá para a cadeia", disse Miguel Lovera, chefe da agência do Paraguai aplicação agrícola. "Neste país que não era o caso. Ela ainda pode ser o caso em muitos lugares no país que podem ser de pulverização em lugares errados, nas pessoas erradas, nos animais errados - mas nós estamos lá fora, para pôr fim a esta situação ".

Lovera está debaixo de fogo para a destruição da agência de 44 hectares de milho transgénico que estavam sendo cultivadas ilegalmente. Soja transgênica é atualmente a principal exportação do país, e vastas áreas da zona rural foram derrubadas pelos proprietários estrangeiros para abrir caminho para a cultura controversa, mas até agora a soja transgênica é o único permitido para a produção.




2011- MONSANTO

Com um território pouco maior que o estado do Mato Grosso do Sul e uma área agricultável de 850 mil hectares, o Paraguai é o maior cliente da Monsanto do Brasil e recebeu, apenas em 2011, mais de 177 mil sacas de milho em 41 processos de exportação. 
Pablo de La Fuente -
Líder de Negócios da
Monsanto no Paraguai
“O Paraguai se encaminha rapidamente em direção à biotecnologia e vai ficar atrativo não só para a Monsanto, mas para todas as companhias de milho. Aumentar nossa presença hoje, com a ajuda dos híbridos brasileiros, pode ser determinante para continuarmos crescendo e ganhando participação”, explica Pablo de La Fuente, líder de Negócios da Monsanto no Paraguai. O executivo lembra que o excelente volume exportado para o país se deu por conta da qualidade do portfólio brasileiro e à semelhança com clima e solo da região do Paraná. 

Com o apoio do resultado obtido com a comercialização dos produtos brasileiros, que chegam ao Paraguai por vias terrestres, o país inaugurou seu primeiro Centro de Distribuição. “Agora podemos receber as sementes em menos tempo, evitando o congestionamento do fim de ano nas alfândegas e garantindo a entrada mais rápida nas nossas lavouras”, cita de La Fuente.



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Agrotóxico da Monsanto causa morte de células do rim


Cientistas demonstraram que a toxicidade do pesticida Bt e do herbicida Roundup afeta diretamente as células humanas


O 'biopesticida' da Monsanto conhecido como Bt não está apenas desenvolvendo insetos mutantes e exigindo o uso excessivo de pesticidas, mas novas descobertas revelaram que o agrotóxico também está matando células do rim humano - mesmo em dosagens baixas. Por incrível que pareça, outro produto da Monsanto, o super criador de pragas Roundup Ready, também tem apresentado o mesmo efeito. Cientistas demonstraram em uma nova pesquisa que o pesticida Bt e o herbicida Roundup – que tem recorde em vendas – contém toxicidade que afeta diretamente as células humanas.
A descoberta se junta à longa lista de efeitos danosos apresentados pelas criações geneticamente modificadas da Monsanto. Essas perigosas culturas Bt atualmente dominam 39% das culturas transgênicas no globo e a Monsanto não parece estar reduzindo a sua campanha para expandir o uso do agrotóxico.
Os cientistas que fizeram a pesquisa foram liderados por Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, e são experientes conhecedores dos efeitos tóxicos do Bt e do glifosato — o principal componente usado no Roundup.
Inicialmente, Séralini e um grupo de outros cientistas descobriram que o Roundup está ligado à infertilidade e à morte de células testiculares em ratos. O relatório estabelecia que, entre 1 e 48 horas de exposição, as células testiculares de ratos maduros ou estavam danificadas ou mortas. Em somente 100 partes por milhão (ppm), o biopesticida da Monsanto levava à morte celular. Além disso, descobriram que o Roundup a 57.2 ppm matou metade da população de células - o que está 200 vezes abaixo do uso feito pela agricultura. Outro dado preocupante é o fato dos pesquisadores já terem detectado que o Roundup está acima dos limites de quantificação em 41% das 140 amostras de água subterrânea retiradas da Catalunha, na Espanha. Mesmo em pequenas doses, a pesquisa indicou que o Roundup está matando as células.
Também foi divulgado que o Roundup está danificando outras formas de vida além dos humanos, causando, por exemplo, a diminuição na população de borboletas-monarca, porque está matando as plantas que as borboletas usam como habitat e alimento. Um estudo de 2011 publicado no jornal Conservação de Insetos e Diversidade revelou que o aumento do uso do milho e da soja Roundup Ready, geneticamente modificados, está contribuindo significativamente para a diminuição da população de borboletas-monarca na América do Norte, devido à destruição da erva-leite .
A evidência de que o biopesticida da Monsanto e o Roundup estão causando danos à natureza e à segurança humana é clara, mas, mesmo assim, pouco foi feito a respeito. O EPA (Agência de Proteção Ambiental Americana) tem sido bombardeado com chamados para ação e 22 acadêmicos especialistas em milho o advertiram que as culturas transgênicas estão destruindo o futuro da produção agrícola. Quando a gigante corporação Monsanto vai ser responsabilizada pelas devastação de suas criações?


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Monsanto considerada culpada por envenenamento na França


Em uma grande vitória pra a saúde pública que, espera-se, será um incentivo para outras nações, um tribunal francês decidiu hoje que a Monsanto das sementes geneticamente modificadas é culpada do envenenamento de um fazendeiro daquele país. O cultivador Paul François desenvolveu problemas neurológicos como perda de memória e dores de cabeça após ser exposto ao herbicida Lasso em 2004. O monumental caso abre caminho para processos contra o Roundup e outros herbicidas e pesticidas da Monsanto e de outros fabricantes.
Em uma audiência na corte em Lion (sudeste da França), François afirma que a Monsanto não forneceu os devidos avisos de segurança no rótulo do produto. A corte solicitou a opinião de um perito para determinar a soma dos danos e verificar a ligação entre o Lasso e os malefícios reportados. O caso é extremamente importante, já que casos semelhantes contra a Monsanto movidos por fazendeiros fracassaram devido a dificuldade em se provar a ligação entre a exposição ao pesticida e os efeitos colaterais.
Ao serem contactados pela Reuters, os advogados da Monsanto não quiseram comentar.

As Misturas Mortais da Monsanto

O fazendeiro Paul François não estava sozinho na sua luta para responsabilizar a Monsanto por suas ações. Ele e outros fazendeiros afetados pelas misturas mortais da Monsanto fundaram uma associação ano passado para provar que seus problemas de saúde eram resultado do Lasso da Monsanto e outros produtos de “proteção da lavoura”. Suas afirmações foram confirmadas por muitos outros fazendeiros. Desde 1996, o braço ligado à agricultura do sistema de previdência do governo francês recebe cerca de 200 alertas por ano relacionados à doenças causadas por pesticidas. Entretanto, apenas 47 casos foram reconhecidos nos últimos 10 anos.
François, cuja vida foi prejudicada pelos produtos na Monsanto, abriu um precedente poderoso na defesa dos agricultores.
“Hoje eu estou vivo, mas parte da população de fazendeiros será sacrificada e irá morrer por causa disso,” afirmou François à Reuters.
É importante notar também que o pesticida Lasso foi banido da França em 2007 seguindo uma diretriz da União Europeia que se seguiu ao banimento em outros países.

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