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Mineiros da África do Sul : Trabalhadores Guerreiros conquistam 22%

Não se deixaram derrotar 

Nesta terça-feira chegou ao fim a greve dos mineiros da empresa produtora de platina Lonmin, em Marikana, que durava desde 10 de agosto. Palco de um brutal massacre em agosto e deu origem a 45 mortes e várias dezenas de feridos. 

Reunidos ao redor da entrada de uma mina de platina a cerca de 100 quilômetros de Johanesburgo, os mineiros foram informados da oferta que representa um aumento de 22% no salário. A Lonmin emprega 28.000 pessoas e é a terceira maior produtora do mundo de platina 

Outra grande empresa da área também afetada pela greve, a Anglo American Platinum, afirmou que havia retomado suas operações em Rustenburgo, após operários aceitarem novas condições de trabalho 

A onda de greves que se alastrou por um dos principais setores da economia da África do Sul chegou a influenciar a cotação da moeda local, o rand, no mercado mundial. Vários investidores estrangeiros retiraram, inclusive, um grande número de ações das empresas envolvidas na briga por melhores salários. 

O saldo final do conflito que durou seis semanas foi de 45 mortes, além de uma nova disputa política entre o presidente Jacob Zuma, do histórico partido do Congresso Nacional Africano, e o populista radical Julius Malema, um dos principais apoiadores dos sindicatos que entraram em greve. 

Presidente defende massacre 

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, defendeu ontem (17) intervenção policial para "estabilizar a situação" em Marikana, no Noroeste do país, onde, no mês passado, 34 mineiros morreram durante confronto policial. Os embates foram considerados os mais violentos do país desde o fim do apartheid (regime de segregação racial), em 1994. O presidente alertou sobre os eventuais danos econômicos provocados pelas greves. 

Ao discursar na abertura do congresso da maior central sindical do país, a Cosatu, Zuma criticou os que condenaram as operações policiais nas áreas em que houve o confronto. Segundo o presidente, aqueles que compararam o episódio ao período do apartheid foram “irresponsáveis e oportunistas”.
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Cabo Verde: Sindicatos exigem reposição do poder de compra dos trabalhadores

Em tempos de crise, Governo, patrões, sindicatos e trabalhadores preparam-se para um embate de consequências ainda imprevisíveis em torno do aumento salarial.

A 17 de Setembro, os sindicatos iniciam a uma série de discussões que «visam repor o poder de compra dos trabalhadores das empresas públicas e privadas».

Desde Janeiro, nem o Estado, nem as empresas privadas avançaram com a actualização dos salários, o que é denunciado pelos sindicatos.

«O acordo estabelecido em sede de Concertação Social, que determinou a actualização anual dos salários da Função Pública de acordo com a inflação, está a ser violado», disse o Presidente do Sindicato da Indústria, Serviços, Comércio, Agricultura e Pesca.

Julião Varela perspectiva negociações difíceis porque, apesar do novo PCCS prever melhorias salariais, o Governo alega falta de espaço fiscal para actualizar o vencimento e implementar o plano.

Do lado das empresas, o silêncio é total e, ao que soube a PNN, nem as instituições públicas estão dispostas a avançar com aumentos neste ano de crise, em que enfrentam sérias dificuldades para garantirem o salário.

O economista Paulo Lima não perspectiva negociações tranquilas e admite consequências imprevisíveis que podem ir desde greve de zelo a manifestações de rua, com posições bem díspares entre patronato e sindicatos.

«A situação do país é muito difícil, apesar do discurso do Governo ser demasiado optimista e a situação das empresas quase insuportável, com a maioria delas a fazer cortes, principalmente nos investimentos, para assegurar o pagamento dos salários», diz Paulo Lima.

O especialista acredita ser improvável qualquer cedência por parte do patronato «sob o risco de se provocar um desequilíbrio nas contas das empresas, com consequências, a curto prazo, no pagamento dos salários».

Entretanto, os sindicatos consideram que «os trabalhadores não podem pagar sozinhos a crise» e diz esperar que «o Governo e o patronato tenham em conta que, sem a reposição do poder de compra dos trabalhadores, eles serão obrigados a fazer sacrifícios enormes no consumo, o que provocará redução de dinheiro na economia».

Por isso, os sindicatos entendem que o mais «prudente» seria o executivo repor o poder de compra dos trabalhadores, perdido em 2010 e 2011, em função da inflação registada.

Fonte: PNN Portuguese News Network
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Angola: A imagem do Brasil eo desrespeito aos trabalhadores

Enquanto aguarda na fila de carros à entrada do único shopping de Luanda, capital de Angola, um motorista angolano abre as janelas de seu jipe. Os alto-falantes ecoam "Eu quero tchu, eu quero tchá", música da dupla sertaneja brasileira João Lucas e Marcelo.

Em instantes, após estacionar o veículo, ele entrará num edifício erguido por uma empreiteira brasileira (Odebrecht), cruzará com trabalhadores brasileiros, fará compras em lojas brasileiras (Ellus, Nobel) e, possivelmente, comerá numa rede de fast-food brasileira (Bob's).

O alto teor brasileiro do programa não é coincidência: nos últimos anos, Angola se tornou um dos maiores palcos externos do Brasil. Lá, a influência brasileira se alastrou em grande escala pela cultura, pela economia e até pela política local.

Em Talatona, bairro ao sul de Luanda que abriga o Belas Shopping, a presença brasileira alcança seu ápice. Luxuosos condomínios fechados abrigam boa parte dos engenheiros, médicos e consultores do Brasil em Angola. No bairro, eles vivem rodeados por supermercados, academias e restaurantes administrados por compatriotas.

Porém, a maioria dos brasileiros em Angola, estimados em até 25 mil, mora em alojamentos ou casas coletivas: são pedreiros, operadores de máquinas, motoristas e outros técnicos contratados por empreiteiras brasileiras para executar obras no país.

FRICÇÕES E PROXIMIDADE

Embora não haja relatos de hostilidade contra brasileiros em Angola, o grupo começa a gerar desconforto em alguns círculos. "Nas empresas, os angolanos dizem que os operários brasileiros são privilegiados, que têm salários maiores. Isso já provoca algumas fricções", diz o jornalista Reginaldo Silva, autor do blog Morro da Maianga.

Ele diz, no entanto, que a relação entre operários brasileiros, que "gostam de brincar, têm comportamento parecido com o nosso" e angolanos costuma ser boa.

"Já os (brasileiros) mais privilegiados, da classe média, vivem isolados em seus condomínios e têm muito pouco contato conosco."

Se, para o jornalista, a convivência entre os brasileiros mais ricos e os angolanos ainda é fria, os governos dos dois países vivem período de grande proximidade. Entusiasta das relações Brasil-África, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Angola três vezes nos últimos cinco anos. A última visita ocorreu em 2011, ano em que a presidente Dilma Rousseff também viajou ao país.

Atribui-se a uma indicação de Lula a atuação do marqueteiro brasileiro João Santana na eleição angolana deste ano. Ele chefiou a campanha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder há 33 anos. Vencedor com mais de 70% dos votos, ele estenderá seu mandato até 2017.

INDEPENDÊNCIA

Brasil e Angola mantêm boas relações desde que o país africano se tornou independente de Portugal, em 1975. O Estado brasileiro foi o primeiro a reconhecer Angola como nação soberana, gesto que até hoje lhe rende agradecimentos de dirigentes angolanos.

As relações bilaterais, no entanto, só se intensificaram na última década, quando o governo brasileiro ampliou os financiamentos a obras de empreiteiras brasileiras no país africano.

Desde 2006, quando o BNDES (Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social) passou a canalizar a maior parte desses empréstimos, foram criadas linhas de crédito de US$ 5,2 bilhões (R$ 10,5 bilhões) para essas companhias.

O montante é mais do que o dobro do custo inicialmente estimado para a transposição do rio São Francisco (R$ 4,8 bilhões), uma das maiores obras em curso no Brasil. Em 2011, Angola só foi superada pela Argentina entre os países estrangeiros que mais receberam empréstimos do BNDES.

Os financiamentos têm o petróleo angolano como garantia - o país ocupa o segundo posto entre os maiores produtores de petróleo da África Subsaariana, com extração ligeriamente inferior à do Brasil.

Após o fim da guerra civil angolana (1975-2002), as vendas do produto ampararam um amplo programa de reconstrução conduzido pelo governo em parceria com empreiteiras brasileiras, portuguesas e chinesas.

'CAMINHO ABERTO'

As construtoras abriram o caminho para consultorias, comerciantes e companhias de variados setores: de acordo com o banco sul-africano Standard, atraídas pelo elevado ritmo de crescimento de Angola, ao menos 200 empresas brasileiras abriram filiais no país. Em 2007, o então embaixador do Brasil em Angola, Afonso Pena, disse que elas eram responsáveis por 10% do PIB angolano.

No auge do programa de reconstrução, entre 2004 e 2008, Angola cresceu em média 14% ao ano. A crise econômica mundial, porém, derrubou a cotação das commodities e suspendeu a evolução do PIB.

Espera-se, contudo, que nos próximos anos a recuperação nos preços do petróleo alavanque um novo ciclo de crescimento. Segundo a Economist Intelligence Unit, até 2016, a economia de Angola deverá ultrapassar a da África do Sul, hoje a maior do continente.

'COLONIZAÇÃO CULTURAL'

Na cultura, como na economia, Angola mantém laços sólidos com o Brasil. Três canais de TV brasileiros (Globo, Record e, mais recentemente, Band) transmitem sua programação no país.

A grande audiência das emissoras faz com que crimes com grande repercussão no Brasil sejam acompanhados pela imprensa angolana. Brigas de casais brasileiros famosos, por sua vez, acabam nas páginas da Caras Angola, filial da revista de celebridades.

E como revela a cena à entrada do shopping, músicas que estouram no Brasil em pouco tempo ganham as rádios angolanas.

"A cultura brasileira domina completamente Angola", diz Reginaldo Silva.

Segundo o jornalista, a influência do Brasil nesse campo é tão grande que já altera o modo de falar dos angolanos, que passaram a incorporar gírias e expressões brasileiras.

"Pela via cultural, há uma colonização absoluta de Angola pelo Brasil".

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Angola: Sindicalista acusa petrolífera de discriminação

O Secretário-geral do Sindicato Independente da Cabinda Gulf Oil Company acusou a multinacional americana Chevron, concessionária do Campo petrolífero de Cabinda, de dificultar a actividade sindical na indústria petrolífera de Cabinda e de continuar aplicar uma política salarial discriminatória aos trabalhadores angolanos.

Ambrósio Almeida considerou tal comportamento de uma violação à dignidade laboral e de violar sistematicamente os direitos e liberdades dos trabalhadores.

A Chevron e outras companhias ao serviço da indústria petrolífera continuam a dificultar a instalação de sindicatos no campo do Malongo. Disse Ambrósio Almeida que acrescentou que os sindicatos não funcionam no campo petrolífero.

Almeida disse esperar que o estado tome a mão fiscalizadora da lei por forma a permitir maior respeito e defesa dos direitos dos trabalhadores.

As diferenças salariais no campo petrolífero de Cabinda têm entretanto aumentado o clima de insatisfação no seio dos trabalhadores.

Esta situação tem ameaçado a paralisação da actividade petrolífera em Cabinda. A esse respeito, Ambrósio Almeida pediu para que ministério dos petróleos a encontrar uma plataforma de entendimento no cumprimento das directivas que estabelecem o qualificador de funções e remunerações na industria petrolífera angolana.

Ambrósio de Almeida defendeu não ser normal que num estado democrático e de Direito como Angola se permita o que chamou de banalização dos trabalhadores e a violação de princípio elementares consagrados no regime laboral angolano.

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Chevron poluindo o Mar de Cabinda

Derrame de petróleo ao largo de Cabinda

A costa de Cabinda está a ser manchada por um derrame petrolífero ocorrido nas zonas de exploração ao largo da costa.

Fontes oculares disseram que o derrame de “crude” é proveniente das zonas de exploração de petróleo da multinacional americana Chevron.

A companhia nega que tenha ocorrido um derrame nas suas zonas de exploração não obstante ter destacado para algumas praias especialistas da companhia para limpeza dos resíduos petrolíferos.

Nas praias de Mandarim e Chela mais atingidas pelo crude a Chevron recrutou pescadores para a limpeza dos resíduos. A reportagem de "A Voz da América" encontrou no terreno pescadores cobertos de petróleo por não terem ao seu dispor o vestuário necessário para efectuar esse tipo de trabalho de limpeza.Os pescadores são alegadamente pagos 50 dólares pelo trabalho.

A Chevron disse que vai emitir um comunicado sobre a situação mas nega conhecer a origem e a magnitude do derrame. As autoridades de cabinda recolheram amostras e vão efectuar exames de laboratório às mesmas.

Cabinda

Cabinda é uma das 18 províncias da República de Angola, sendo um enclave limitado ao norte pela República do Congo, a leste e ao sul pela República Democrática do Congo e a oeste pelo Oceano Atlântico. Sua capital é a cidade de Cabinda, conhecida também com o nome de Tchiowa. Administrativamente, a província é constituída pelos municípios de Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize.

Tem uma superfície de 7 283 km² e cerca de 300 000 habitantes. A população de Cabinda pertence na sua quase totalidade aos povos bantu, mais concretamente ao grupo Fiote, cuja língua, o Ibinda, é um dos dialectos do Kikongo.


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África do Sul: Exército colocado em alerta máximo

Milhares de trabalhadores exigem aumentos
salariais tendo a tensão agravada pela morte
em Agosto de 44 pessoas na mina de Marikana
O Exército foi posto em “alerta máximo” na África do Sul, pela primeira vez desde o início da democracia, devido aos receios de contágio à instituição militar da tensão das últimas semanas no sector mineiro do país.

A decisão, noticiada pelo correspondente do diário espanhol “El Mundo” na África Austral, foi tomada depois de ser anunciado que o antigo líder juvenil do ANC (Congresso Nacional Africano), Julius Malema, tinha previsto um encontro com soldados de uma base militar. 
O ministro da Defesa emitiu na noite de terça-feira um comunicado em que diz que “a indisciplina no Exército é uma ameaça para o país”. Isto depois de apoiantes de Malema terem anunciado que este vai reunir-se com soldados para ouvir as suas “queixas e pedidos”.

“As intenções de Malema são claras. Ele quer a ingovernabilidade das minas, o que atinge a economia. O país não pode dar-se ao luxo de instabilidade semelhante nas Forças Armadas. O Exército é o garante da soberania e não permitiremos um jogo de futebol político com esta instituição”, disse o ministro Nosiviwe Ngakula.

Malema, antigo dirigente do partido no poder, do qual foi expulso este ano, tem também apelado aos mineiros para iniciarem uma greve geral em todo o país para conseguirem melhores salários e a demissão dos dirigentes do principal sindicato do sector. Mineiros da Amplats (Anglo American Platinum) estavam quarta-feira a bloquear com pneus, troncos de árvores e pedras as estradas da “cintura de platina”, à volta de Rustenburg, no Norte, segundo jornalistas da AFP, que constataram também o bloqueio do acesso à mina de Marikana. Milhares de outros trabalhadores da Amplats reuniram-se calmamente para exigirem aumentos salariais. A actual tensão na África do Sul foi agravada pela morte, em Agosto, na mina de Marikana, de 44 pessoas, dez em confrontos entre grupos sindicais e 34 abatidas pela polícia. O corpo de um outro manifestante foi encontrado no local por jornalistas na terça-feira, elevando para 45 o número de mortos.

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Greve dos mineiros se espalha pela África do Sul

JOHANNESBURGO - A greve dos mineiros sul-africanos se alastrou nesta segunda-feira,10, com 15 mil trabalhadores da mina de ouro KDC iniciando uma paralisação e o comparecimento ao trabalho de apenas 6% dos 28 mil empregados da mina de platina de Marikana, a terceira maior produtora do metal no mundo. No total, o número de mineiros que estão parados é de 41, 2 mil. Em uma segunda mina de platina, Implats, os 15 mil trabalhadores compareceram ao serviço mas exigem um aumento de 10% nos salários. 

Centenas de trabalhadores realizaram um protesto na mina de Marikana, da empresa Lonmin Plc, nesta segunda-feira. Muitos carregavam lanças e porretes. Eles marcharam sob supervisão de tropas de choque. Um confronto entre policiais e manifestantes deixou 34 mineiros mortos em 16 de agosto. Os grevistas ameaçam matar qualquer um que não respeitar a paralisação, convocada até que a Lonmin concorde em aumentar os salários para pelo menos 12,5 mil rands por mês (US$ 1,5 mil).

A Gold Fields International, empresa responsável pela mina KDC, disse que a greve começou na noite de domingo. Mais de 12 mil mineiros querem a remoção dos atuais delegados sindicais e o aumento no salário mínimo para 12,5 mil rands mensais.

A Lonmin esperava que os mineiros voltassem ao trabalho em Marikana, após ter assinado na semana passada um acordo com a central sindical e dois outros sindicatos de mineiros. Trabalhadores não sindicalizados e uma dissidência sindical, contudo, rechaçaram o acordo e prosseguiram com a greve.

Mineiros disseram à Associated Press que estão ficando desesperados porque não têm mais dinheiro para alimentar suas famílias. Ainda assim, dizem estar resolutos a não voltar ao trabalho até que a demanda seja atendida. Eles se recusaram a informar os nomes à reportagem.

A porta-voz da Lonmin, Sue Vey, disse que as negociações entre os mineiros, os sindicatos e a empresa foram adiadas por 24 horas nesta segunda-feira porque representantes dos grevistas não sabiam que uma reunião havia sido marcada. Segundo ela, quando as negociações forem retomadas, deverão durar dias e serão baseadas em um documento que discutirá aumentos salariais.

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Massacre Africa do Sul: MARIKANA E O ENTULHO AUTORITÁRIO[1]


A greve dos 28 mil operários mineiros de Marikana e o massacre 34 deles na África do Sul, pela policia fortemente armada, juntamente com a reação das autoridades políticas e policiais daquele pais chocaram a todos os ativistas e militantes sociais de nosso país. Particularmente por que sabemos que a população negra daquele país levou a cabo uma revolução que derrubou o sistema de apartheid. Regime racista imposto pela minoria branca sul-africana até 1994.

Atualmente 270 mineiros grevistas correm o risco de serem processados, pois, “fiquem impressionados”, estão sendo acusados de assassinato pelo massacre dos seus companheiros com base em uma lei do apartheid, que responsabiliza todos os participantes num protesto pelas mortes que nele ocorrerem.

Estes mineiros que trabalham com o corpo parcialmente coberto pela água e britadeiras de 25kg, sob o risco de desabamentos e esmagamento por rochas ganham salários de 500 dólares (4000 rands ou Mil reais).

Vale muito a pena ver as similitudes deste processo e do processo de derrubada da ditadura brasileira e a redemocratização.

Em primeiro lugar por que há uma identidade em como vivem no Brasil os trabalhadores, e na África do Sul. Todos em condições de vida e trabalho subumanas.

Lá vivem em barracos miseráveis nas comunidades ao redor das minas, sem condições de saneamento. Sempre sujeitos às doenças profissionais características da profissão: tuberculose e silicose que, aliadas aos acidentes, reduzem sua perspectiva de vida.

Aqui muitos setores operários vivem em condições parecidas, como exemplo, os trabalhadores da construção pesada que, muitas vezes, dormem em galpões perto das obras; e os trabalhadores mais pobres nas grandes cidades que moram em favelas e ocupações. O ritmo de trabalho das empresas brasileiras esta gerando uma verdadeira epidemia de doenças ocupacionais.

A diferença salarial entre negros e brancos na África do Sul é estimulada pelas subcontratação, método igual aos das terceiras brasileiras, que se aproveitam para superexplorar os trabalhadores.

No ramo petroleiro os índices chegam a 80% de trabalhadores terceirizados, com uma diferença descomunal de salários, entre os operários da Petrobras, das petroleiras privadas e, pior ainda, os das terceirizadas. Diga-se de passagem nos setores terceirizados se concentram a maioria dos operários negros do ramo.

Por outro lado o sindicato mais importante da mineração, o NUM (National Union of Mineworkers), fundado em 1982, peça central na luta contra o apartheid e eixo para a construção da central sindical COSATU, desde o fim do apartheid vem estabelecendo crescentes relações com as empresas mineradoras. A tal ponto que em 2012 tenha abandonado a luta pela nacionalização das minas, bandeira histórica do movimento na África do Sul.

Chegou até mesmo a criar uma empresa em 1995, a Mineworkers' Investment Trust, que em 2011 possuía ativos de 2,8 bilhões de rands e que possui investimentos inclusive nas empresas de mineração, como a Lonmin. Seus dirigentes ficaram milionários. Como Cyril Ramaphosa, ex-dirigente máximo do NUM, acionista minoritário da própria Lonmin. Seus dirigentes máximos ganham altos salários pagos pelo sindicato. Seu dirigente máximo Frans Baleni, ganha vinte e cinco vezes mais o que ganha um britador. [2]

Enfim passam a ser totalmente governista, por suas ligações com o CNA, e consequentemente totalmente patronais.

Qualquer semelhança com a realidade brasileira não é simplesmente coincidência.

Por isso o NUM e a COSATU não apóiam a greve dos mineiros e sua luta, nem rompem com o governo que enviou a polícia para massacrar o operários.

A violência policial é outro elemento de contato entre a realidade na África do Sul pós apartheid e o Brasil pós-ditadura. Lá a polícia mudou a cor de seus agentes, mas não as sua prática.

No Brasil, recordemos do Pinheirinho, a ação policial, mais que cumprir uma legislação ultrapassada, busca esmagar o movimento social. Lá como aqui, encurralaram os mais despossuidos e os massacraram covardemente.

Os aparatos de repressão mantiveram a mesma lógica de combate a população pobre que existia na época do apartheit. No Brasil a atividade policial ainda é baseada na ideologia da “segurança nacional” onde o principal combate é ao inimigo interno. Hoje negros, pobres e despossuidos.

Isso ocorre por que a transição negociada por Mandela e o Conselho Nacional Africano (CNA), permitiu que as estruturas de poder econômico ficassem nas mãos das grandes empresas. O CNA aderiu aos preceitos neoliberais favoráveis ao mercado e liderou uma onda privatista que vendeu, por preços rebaixados, as principais empresas do país, demitiu centenas de milhares de empregados públicos, autorizou as grandes empresas sul-africanas a transferirem suas matrizes deslocadas para Londres, ficando ao abrigo da lei do país.[3]

No Brasil as grandes empresas que financiaram a repressão e a ditadura, continuam ganhando muito dinheiro, recebendo subsídios do governo, isenções de imposto e explorando violentamente a classe trabalhadora.

A força econômica e política atual desses grupos também é resultante da forma como se procedeu a transição política no Brasil do regime ditatorial para o regime democrático. Com a consolidação destes grandes grupos monopolistas-bancário-financeiros se gabaritaram para manter suas projeções nos governos que seguiram ao fim do regime de exceção. Ainda que hoje ganhe mais visibilidade seus envolvimentos nos escândalos de corrupção.

Mas quando os trabalhadores se insurgem nos canteiros de obras, dentro das fabricas e nas estações metro-ferroviarias, a cara da ditadura, que sempre defenderam reaparece assim como as práticas impostas naquele tempo.

No Brasil como na África do Sul, os regimes ditatoriais, cheio de ódio contra a população mais carente e a classe operária caiu, mas a estrutura policial e legal continuou a mesma.

Na África do Sul como no Brasil a retirada do entulho ditatorial é fundamental para que novos massacres, como os que estão ocorrendo naquele pais não voltem a ocorrer. Lá e aqui.

[1] Américo Gomes e coordenador da Comissão de presos e perseguidos políticos da ex-Convergencia Socialista.
[2] Dados da matéria: “O massacre de Marikana: um divisor de águas na época pós-apartheid”, Escrito por Waldo Mermelstein, publicado no Correio Internacional. Dados copilados de Sakhela Buhlungu , http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=lang_en&id=VZvma2zVuqAC&oi=fnd&pg=PA245&dq=sakhela+buhlungu+miners+num&ots=mcMUCgS5Mn&sig=dPSCo_Vs38apxNsGUUS-rddePI#v=onepage&q=sakhela%20buhlungu%20miners%20num&f=false , acessado em 29/08/12
[3] “O massacre de Marikana: um divisor de águas na época pós-apartheid”, Escrito por Waldo Mermelstein, publicado no Correio Internacional. Dados copilados de Sakhela Buhlungu ,http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=lang_en&id=VZvma2zVuqAC&oi=fnd&pg=PA245&dq=sakhela+buhlungu+miners+num&ots=mcMUCgS5Mn&sig=dPSCo_Vs38apxNsGUUS-rddePI#v=onepage&q=sakhela%20buhlungu%20miners%20num&f=false , acessado em 29/08/12
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Moçambique: Polémicas com empresas brasileiras pode comprometer imagem do Brasil

As polémicas laborais que envolve empresas brasileiras em Moçambique podem comprometer a boa imagem do país sul-americano entre os moçambicanos, afirmou segunda-feira o ex-ministro moçambicano da Informação José Luís Cabaço.

"Não foi só com empresas brasileiras que ocorreram problemas, mas o que saiu nos jornais foi o Brasil. Com os outros [países] as pessoas acham que é normal, mas com o Brasil não, devido à sua imagem, que é muito boa", disse Cabaço.

O também investigador da Universidade Técnica de Moçambique participou segunda-feira numa conferência, na Universidade de São Paulo, sobre as relações entre o Brasil e África. Há empresas brasileiras, como a Vale, acusadas no país africano de desrespeito pelas comunidades e mão-de-obra local.

Segundo Cabaço, a relação entre o país e o continente, hoje, é feita por um duplo caminho: a cooperação, feita pelo governo, e a economia, que ocorre com as empresas, da mesma forma que com outros países. "Os problemas que surgem, surgem no segundo caminho", disse.

O ex-ministro moçambicano afirmou também que houve uma desaceleração dos programas de cooperação com a África no governo da presidente brasileira Dilma Rousseff, em comparação com o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Não há o mesmo vigor. E, não havendo o mesmo vigor e o mesmo protagonismo, a imagem do Brasil [em Moçambique] acaba limitada à atividade económica", afirmou.

Já Henrique Altemani de Oliveira, professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual da Paraíba, afirmou que, na situação de "renascimento" em que a África se encontra, a operação de empresas do Brasil e de outros países, como a China, é vantajosa para os governos, por não exigir contrapartidas ou condições.

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Chineses investem em mineração na África

Grupo chinês Jinan Yuxiao vai explorar zircónio e titânio na Zambêzia


Moçambique está a viver um aumento da actividade mineira sem precedentes na sua história e o grupo chinês Jinan Yuxiao é dos mais activos no terreno, procurando beneficiar das oportunidades existentes.

A Africa Great Wall Mining, subsidiária do grupo, obteve do governo moçambicano, no final de Julho, uma licença de prospecção de zircónio e titânio (na imagem), aquela que é a terceira licença mineira obtida por empresas chinesas em Moçambique, de acordo com o Departamento Económico e Comercial da Embaixada da China em Moçambique.

A licença, segundo a mesma fonte, abrange a maior área concessionada pelo Ministério dos Recursos Minerais de Moçambique para prospecção de minérios.

A mina localiza-se na província de Zambeze, perto do porto de Quelimane, com uma área total de 231 quilómetros quadrados, abrangendo as zonas de Chinde, Inhassuge e Nicoadala, incorporando uma zona de costa com 50 quilómetros.

O grupo Yuxiao detém ainda uma sociedade com o empresário Chuanyou Cong, com participações de 80 e 20% respectivamente, a Africa Yuxiao Mining Development Company, que foi registada em Moçambique em 2008 e dedica-se nomeadamente a actividades de pesquisa e exploração de recursos minerais, incluindo o processamento industrial.

A sociedade procurava desde 2009 assegurar a prospecção e pesquisa de ilmenite, titânio e outros minérios no distrito de Inharrime, província de Inhambane, sul de Moçambique.

Para além do distrito de Moma, zona costeira da província de Nampula, há ocorrência de areias pesadas em outros pontos de Moçambique, sendo de destacar o distrito de Chibuto.

Estas, no entanto, não têm valor comercial, o que ditou o afastamento de alguns investidores como a BHP Billiton, empresa que controla a Limpopo Corridor Sands.

Em Moma, concretamente em Topuito, a irlandesa Kenmare Resources explora o depósito de Namalope, que contém 21 milhões de toneladas de concentrado de minerais pesados, tendo também identificado um outro depósito com um potencial de 140 milhões de toneladas.

Já antes de assegurar a concessão agora atribuída, a Africa Great Wall Mining obteve do governo de Moçambique autorização para construir uma fábrica de cimento em Magude, a par de outras empresas como a Cimentos da Beira (Sofala), S and S Cimento (Matola), e China Mozambique – Cement and Mining Development (Cheringoma).

De acordo com a Economist Intelligence Unit, Moçambique deverá receber nos próximos anos investimentos avaliados em 90 mil milhões de dólares para projectos nos sectores energético e mineiro, cerca de sete vezes o valor actual da economia do país.

Do valor de investimento, que inclui projectos em curso ou nas fases iniciais, perto de 21 mil milhões de dólares destinam-se à geração de energia e 68 mil milhões ao desenvolvimento de gás natural na província de Cabo Delgado, incluindo 18 mil milhões de dólares da norte-americana Anadarko Petroleum e 50 mil milhões da italiana ENI.

“O montante de investimento é enorme para Moçambique ou para qualquer outra economia”, adianta o relatório.

Embora alguns dos projectos não tenham ainda um calendário preciso, espera-se que a maioria avance nos próximos 10 anos.

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No massacre dos trabalhadores africanos os sobreviventes foram acusados de assassinato!

África do Sul retira acusações contra mineiros por massacre

A Procuradoria da África do Sul anunciou neste domingo a retirada, por enquanto, das acusações de assassinato a 270 mineiros pelo massacre de 34 dos seus companheiros por disparos da polícia durante a greve numa mina de platina em Marikana.

O director nacional da Procuradoria, Nomgcobo Jiba, afirmou em conferência de imprensa realizada hoje em Pretória que as acusações de assassinato só serão apresentadas assim que avançar a investigação do episódio, informou a emissora sul-africana Talk Radio.

Os 270 mineiros em greve na mina de Marikana foram acusados de assassinato na sexta-feira pelo massacre dos seus companheiros com base numa lei do apartheid, regime racista imposto pela minoria branca sul-africana até 1994, que responsabiliza todos os participantes num protesto pelas mortes que nele ocorrerem.

"A decisão sobre as acusações só será tomada assim que for concluída a investigação", afirmou Jiba, que defendeu no entanto o trabalho dos procuradores, que actuaram com base nas leis sul-africanas. Os 270 trabalhadores serão postos em liberdade pagando uma fiança na próxima quinta-feira, quando houver o reinício da audiência sobre o caso, acrescentou o director da Procuradoria.

A decisão de prender os mineiros causou espanto na África do Sul pela aplicação da doutrina do "propósito comum", que durante o apartheid foi utilizada para perseguir e deter sistematicamente aos cidadãos que enfrentassem o governo em prol da democracia e da igualdade racial no país. O ministro da Justiça da África do Sul, Joseph Radebe, chegou a pedir explicações à Procuradoria sobre o fundamento das acusações.

Em carta remetida ao governo sul-africano, os advogados dos 270 detidos pediram a intervenção do presidente Jacob Zuma e a libertação imediata dos acusados. "Se Zuma não agir, iremos aos tribunais para obter uma ordem urgente que o obrigue a isso", ameaçaram os advogados dos mineiros, que deram um prazo até as 12h GMT (14h de Moçambique) de hoje para que o chefe do Estado intercedesse no assunto.

Em comunicado, o presidente Zuma afirmou ontem que não interferiria no julgamento, e insistiu na independência dos tribunais e da Procuradoria.

Depois que a polícia fez disparos no dia 16 de agosto em direcção a um grupo de grevistas - que estava armado com pedaços de pau e armas de fogo, segundo o governo - 259 manifestantes foram presos. Outros 11 mineiros que ficaram feridos durante o episódio foram detidos no hospital.

Os mineiros estão em greve desde o 10 de agosto para reivindicar aumento salarial na mina de platina da companhia Lonmin. Desde o início dos protestos, 44 pessoas morreram, entre elas dois polícias, dois seguranças e seis mineiros antes do massacre de 16 de agosto. Ninguém foi acusado, até o momento, da morte destas dez pessoas, informou a Procuradoria sul-africana.

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Aprenda sobre "competitividade" com a mulher mais rica do mundo

Gina Rinehart é a mulher mais rica do mundo
depois de ter herdado uma fortuna
Para a magnata Rinehart, Austrália é muito cara para mineração

SIDNEY, 5 Set (Reuters) - A mulher mais rica da Ásia, a magnata Gina Rinehart, alertou nesta quarta-feira que a Austrália está se tornando muito cara para empresas de mineração.

Ela disse ainda que a indústria de mineração pode encontrar mão-de-obra muito mais barata na África.

Os comentários de Rinehart, prontamente censurados pela primeira-ministra Julia Gillard, coincidem com a crescente preocupação com o boom de mineração da Austrália, diante da demanda mais fraca do principal consumidor, a China.

Além disso, os preços do minério de ferro estão em queda, atingindo o menor patamar em quase três anos.

Na semana passada, a Fortescue Metals Group Ltd, da Austrália, disse que reduziria seu gasto de capital em 25 por cento e que recuaria nos planos de expansão, enquanto a BHP Billiton Ltd deixou de lado uma expansão em mina de cobre e ouro de 20 bilhões de dólares na Austrália, e colocou todas as outras aprovações ao redor do mundo em posição de espera.

"A evidência é indiscutível de que a Austrália está se tornando muito cara e muito pouco competitiva para realizar um negócio orientado para exportação", disse Rinehart ao Clube de Mineração de Sidney, em uma rara aparição pública. Um vídeo de seu discurso foi publicado no site do clube.

"Os africanos querem trabalhar, e seus trabalhadores estão querendo trabalhar por menos de 2 dólares por dia", disse ela no vídeo. "Tais estatísticas me fazem me preocupar com o futuro deste país.

"Estamos nos tornando um país de alto custo e alto risco para investimento."

Rinehart, cuja fortuna foi estimada pela revista Forbes em 18 bilhões de dólares em fevereiro, opõe-se à recente taxa de mineração introduzida, que criou tensões com o governo de Gillard.

Ela também pediu que as mineradoras permitam trazer trabalhadores de fora do país, e sua companhia, a Hancock Prospecting, recebeu aprovação do governo em maio para contratar 1.700 trabalhadores estrangeiros de construção, para o projeto Roy Hill, no Estado da Austrália Ocidental.

Gillard criticou as observações de Rinehart, dizendo que o setor de recursos estava indo bem e que possui um investimento de 500 bilhões de dólares, dos quais quase metade em estágio avançado.

"Não é o jeito australiano balançar 2 dólares às pessoas, jogar uma moeda de ouro e pedir que eles trabalhem por um dia", disse Gillard aos jornalistas. "Nós apoiamos salários australianos adequados e condições decentes de trabalho."

As considerações de Rinehart são as mais recentes a ter a economia da Austrália como alvo.

Em uma coluna publicada na semana passada, em revista sobre mineração, Rinehart disse que os australianos precisam reclamar menos e trabalhar mais se quiserem ser ricos.

"Não há monopólio em se tornar um milionário. Se você é invejoso daqueles com mais dinheiro, não fique sentado reclamando, faça algo para fazer mais dinheiro você mesmo", escreveu ela na revista Australian Resources and Investment. "Gastar menos tempo bebendo, fumando e socializando e mais tempo trabalhando."

(Reportagem de Damian Gill)

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O verdadeiro rosto da África do Sul

No dia 17 de agosto passado, a polícia sul africana reprimiu selvagemente uma manifestação de 3.000 trabalhadores em greve da mina Marikana (a 100 km de Johannesburgo), assassinando 34 operários e ferindo outros 78. O acontecimento recorda os piores atos repressivos da época do apartheid e nos obriga a fazer a pergunta: o que mudou na África do Sul desde o fim do sinistro regime político em 1994? 

Os atos de Marikana foram comparados, com justiça, com o massacre de Sharpervile, um subúrbio de Johannesburgo, em 1960, e com o triste célebremassacre do Soweto, outro subúrbio dessa cidade, em 1976. São uma mostra de que a profunda desigualdade social entre a minoria branca (menos de 10%) e a imensa maioria negra (80%), de fato uma clara divisão de classes, não terminou com o apartheid, nem tampouco alterou a estrutura econômica e social que está na base dessa profunda desigualdade . 

O que mudou foi o fato de que agora é um regime e um governo controlados por um pequeno sector da população negra, uma nova burguesia que passou a defender o estado capitalista. Por isso, já não lhes interessa questionar a exploração e, inclusive, aceitam que a burguesia branca continue com suas imensas riquezas e mantenha seus privilégios, impondo uma exploração selvagem à classe trabalhadora, cuja imensa maioria é negra. Por isso, para entender as contradições que estalaram em Marikana, é necessário repassar brevemente alguns elementos da história sul africana que levaram à situação atual. 

O apartheid 

A África do Sul tem quase 50 milhões de habitantes e é o país mais desenvolvido e industrializado do continente africano. O eixo de sua economia é a atividade mineradora, especialmente a extração de ouro, diamantes e platina (é o principal produtor mundial deste metal). Atualmente, existem cerca de 500.000 trabalhadores mineiros, em sua absoluta maioria negros já que, pelas condições de trabalho e salários, os brancos não querem trabalhar nesta indústria. 

O país sofreu duas colonizações brancas: uma de origem inglesa e outra holandesa, que deu origem aos chamados “africâneres”. Os africâneres foram ganhando predomínio e, a partir de 1910, começaram a construir o regime do apartheid, no qual os negros não tinham voto e nenhum direito político. Este sistema foi completado em 1948. 

Como parte deste sistema, se formaram verdadeiras aberrações jurídicas, os bantustões (como o Lesotho), supostas repúblicas negras “independentes” das quais seus habitantes só podiam sair com permissões especiais, inclusive para ir trabalhar diariamente. Se transgredissem estas permissões eram duramente reprimidos. 

Os níveis de exploração da população negra eram próximos da escravidão: esta população vivia em gigantescas favelas ou vilas miseráveis, das quais a mais famosa foi a do Soweto, com quase um milhão de habitantes vivendo nas piores condições, quase sem nenhum serviço básico garantido. 

Foi sobre esta base de superexploração e de um imenso aparato repressivo estatal que a burguesia branca sul africana, associada aos capitais ingleses e holandeses, construiu seu poderio e a sua riqueza. 

O fim do apartheid 

A população negra lutou duramente contra esta situação e pelos seus direitos políticos. Periodicamente, se produziam explosões que eram respondidas com uma selvagem repressão e massacres, algumas das quais já citamos. 

Como parte da luta contra o apartheid, se funda o Congresso Nacional Africano (CNA) que, a partir da década de 1950, começa a ter um crescimento cada vez mais acelerado até transformar-se na expressão política e na direção da maioria da população negra. Seu dirigente mais conhecido e de maior prestigio popular e internacional foi Nelson Mandela, que esteve preso entre 1962 e 1990. 

A luta do povo negro contra o regime do apartheid ia crescendo e radicalizando-se cada vez mais. Também seu isolamento internacional. Sua queda parecia inevitável e existia a possibilidade de que esta luta varresse o regime por uma via revolucionária e avançasse também no caminho de uma revolução socialista do povo negro que também destruísse as bases capitalistas da dominação branca. 

Estava colocada a possibilidade que as massas em sua luta revolucionária expropriassem a burguesia branca, o que seria na realidade, a expropriação de quase toda a burguesia sul africana. 

Ante essa situação e para frear e controlar o processo revolucionário, a maioria da burguesia branca sul africana elaborou um plano de transição que “desmontasse” o apartheid de modo ordenado e, por sua vez, garantisse seu domínio econômica, através da manutenção da propriedade das empresas e bancos. As potências imperialistas apoiaram a fundo este plano, do qual um dos operadores foi o bispo negro Desmond Tutu, que ganharia o Prêmio Nobel da Paz por este serviço. 

Deu-se forma a um pacto no qual em troca de eliminar o apartheid se manteria o sistema capitalista e a dominação econômica burguesa. Assim, a burguesia branca se alijaria do controle direto do estado e aceitaria a chegada do CNA ao governo para manter sua dominação de classe. Contaram para isso, com a colaboração de Nelson Mandela (liberado da prisão em 1990) e do Congresso Nacional Africano (CNA), que passaram a frear a luta do povo negro e participaram das negociações e da transição até 1994, quando Mandela foi eleito presidente. 

A realidade atual 

O fim do apartheid foi um grande triunfo do povo negro sul africano que, ao eliminá-lo, obteve liberdades, direitos políticos e um sistema eleitoral baseado em “uma pessoa - um voto”. Acabaram-se os bantustões e, pela primeira vez na história do país, elegeu um presidente de sua raça. 

Mas a estrutura econômica do país não foi tocada e seguiu dominada pela burguesia branca que, agora, contava com a vantagem de ter um regime e governos negros para defender os seus interesses. Ao mesmo tempo, a nova burguesia negra se aproveitou do acesso do CNA ao poder político para acumular força econômica e passar a ser parte da classe dominante da África do Sul. 

Ao manter-se essa estrutura econômica, a desocupação nacional é de 25%, mas entre os trabalhadores negros chega aos 40%. Uns 25% da população vive com menos de 1,25 dólares diários, considerado mundialmente o piso da miséria e da fome. 

Quase 20 anos depois do fim do apartheid, a burguesia branca detêm grandes privilégios e riquezas enquanto a imensa maioria do povo negro segue vivendo na pobreza e na miséria. Mas agora essa burguesia branca tem como sócia a burguesia negra que se formou nas últimas décadas. Essa desigualdade explosiva é a base de um grande crescimento da violência social: com 50 mil assassinatos por ano (proporcionalmente, 10 vezes mais que nos EUA). 

O CNA e o governo de Jacob Zuma 

Ao assumir o controle do regime e dos governos pós-apartheid, em 1994, Mandela e o CNA, mudaram seu caráter. Até este momento, se ainda que com profundas limitações de suas concepções nacionalistas burguesas, eram a expressão da luta do povo sul africano contra o apartheid. A partir dali, se transformaram nos administradores do estado burguês sul africano. A partir dessa opção, fizeram uma nova aliança com os antigos inimigos africâneres. Por essa aliança, em troca dos serviços prestados, os principais quadros e dirigentes do CNA se transformaram em uma burguesia negra, sócia menor da branca, que lucra com os negócios do Estado. Por exemplo, o atual presidente Jacob Zuma foi acusado de corrupção, em 2005, quando era vice-presidente, por receber uma alta comissão na compra de armamentos no exterior. “Vivem nas mesmas casas e nos mesmos bairros que os brancos”, se indignam os trabalhadores negros ao ver o enriquecimento destes dirigentes. 

Mandela abandonou a política ativa em 1999. O sucederam diversos presidentes do CNA, e as sucessivas eleições já começaram a evidenciar processos de crise e desgaste desta organização. Jacob Zuma foi eleito em 2009 e, no exterior, se o considerava representante de um setor mais à “esquerda” e opositor a seu antecessor Thabo Mbeki, que aplicou uma política neoliberal e de favorecimento ao ingresso de capitais imperialistas. Algumas medidas tomadas no campo da saúde e do emprego público (numerosos cargos reservados só para negros) pareciam justificar esta definição. 

Mas a realidade é que ele representa uma continuidade da linha neoliberal e a favor da burguesia sul africana branca e negra e a imperialista adotada pelo CNA. Por exemplo, a maioria dos sul africanos, pedem a nacionalização da mineração, em grande medida em mãos estrangeiras (a empresa Lonmin, proprietária da mina Marikana tem sua sede em Londres). O próprio dirigente juvenil do CNA Julius Malema defendeu a nacionalização, mas Zuma se opôs terminantemente e destituiu a Malema de seu cargo no CNA. A repressão aos mineiros de Marikana completa o quadro para vermos de que lado estão Zuma e seu governo. 

Crise na COSATU? 

A COSATU é a principal central sindical sul africana, construída na luta contra o apartheid e em oposição aos velhos sindicatos “só para brancos”. Nesse período, ganhou seu peso e seu prestígio. Era um exemplo mundial para a luta dos trabalhadores. 

Hoje está aliada, e de fato integra, ao CNA e apoia seus governos e suas políticas. Isto rendeu grandes benefícios aos seus dirigentes, em numerosos cargos governamentais ou parlamentares, e também nas empresas privadas. Por exemplo, o ex-dirigente Cyril Ramaphoosa, que foi líder da luta dos trabalhadores mineiros e contra o apartheid quando encabeçava o sindicato mineiro nacional (NUM) e a COSATU, é hoje sócio-propietário e membro da diretoria da empresa Lonmin. 

Este alinhamento com o CNA e suas políticas antioperárias e de defesa da burguesia branca parece estar provocando uma crise no interior da COSATU. Por um lado, alguns ativistas e quadros estariam propondo a ruptura com o CNA e que a central lance um partido dos trabalhadores. 

Por outro lado, estariam se produzindo rupturas nos sindicatos que a integram. Algo que se expressaria na própria greve de Marikana. Segundo as informações, nessa mina surgiu um novo sindicato (AMCU), caracterizado como “muito mais ativo em suas demandas”, em ruptura com o da COSATU (chamado NUM). AMCU ganhou a maioria na mina e impulsionou a greve por aumento salarial (ganham uns 500 dólares mensais e exigiam um salário de 1500). O NUM estava contra a greve e depois do massacre não fez nenhuma condenação clara do governo, enquanto alertava contra os “divisionistas” (o AMCU) 

Pior ainda foi a posição do Partido Comunista sul africano, integrante junto com o CNA e a COSATU do “tripé” em que se apoia o regime. Logo depois do massacre, o PC pediu “a detenção imediata dos dirigentes do sindicato AMCU, aos quais acusou de provocar o caos com a desculpa da exigência salarial”. Em uma nefasta posição de defesa do governo e da patronal, para o PC o responsável pelo massacre é o sindicato que impulsionou a greve e, seus dirigentes devem ir presos. Indigno! 

Algumas conclusões 

A repressão aos mineiros de Marikana deixou totalmente evidente a realidade sul africana. Um regime e um governo de uma organização “negra”, mas que defende os interesses da burguesia nacional – branca e negra - e imperialista. Um aparato repressivo que não vacila em perpetrar um sangrento massacre para defender esses interesses. Uma patronal que se sente segura e atua com cínica soberba: dois dias depois do massacre, os porta-vozes de Lonmin advertiram que os trabalhadores que não se apresentassem para trabalhar seriam demitidos. Entretanto, os mineiros que extraem um metal que é vendido por 1.440 dólares a onça (28,35 gramos), ganham 500 dólares ao mês e vivem em casas e bairros nas piores condições, e são massacrados se lutam por suas reivindicações. Essa é a realidade do capitalismo na África do Sul. 

Por isso, cremos que é necessário tirar conclusões profundas. Na década de 1990, o povo negro sul africano obteve liberdades e direitos políticos que sem dúvida devem ser defendidas. Mas continuou submetido à pior exploração capitalista em beneficio de uma minoria branca e, agora, também da nova burguesia negra oriunda de seus antigos dirigentes. Não existirá verdadeira liberação do povo sul africano sem destruir as bases capitalistas desta exploração. Por isso, as imprescindíveis lutas por melhores salários e condições de trabalho dignas, devem avançar no caminho da revolução operária e socialista que acabe com a exploração de classe que permanece no país. 

Além destas conclusões de fundo, frente ao massacre de Marikana, em primeiro lugar, expressamos nossa mais profunda solidariedade de classe com os trabalhadores mineiros e, especialmente, com as famílias dos assassinados. A greve continua e começa a estender-se a outras minas, como a Royal Bafokeng Platinum, de 7.000 trabalhadores. 

Apoiamos incondicionalmente esta luta. Por isso, em primeiro lugar, chamamos a todos os sindicatos, organizações políticas e democráticas do mundo a realizar uma grande campanha internacional de repúdio a este massacre e de exigência de castigo aos responsáveis materiais, intelectuais e políticos do mesmo, dentro do governo sul africano e da empresa Lonmin. Chamamos também uma grande campanha de solidariedade e apoio à greve da Lonmin e das outras empresas mineiras sul africanas. Seu triunfo será o de todos os trabalhadores do mundo. 


Suplemento Correio Internacional agosto 2012. 

Escrito por Secretariado Internacional da LIT-QI 



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Massacre de Trabalhadores na África do Sul

La Policía mata a varios manifestantes en Sudáfrica


 A Polícia Sul Africana abriu fogo ontem à tarde contra milhares de mineiros que se manifestavam armados com paus e facões, matando vários deles como confirmou um porta-voz da polícia.

Um repórter do Sul Africano da agência de notícias SAPA disse que contou 18 corpos. Fotografias e imagens de TV da cena mostram a polícia com coletes e fuzis e, no chão, os corpos ensangüentados dos mineiros. Até o momento não há confirmação oficial do número de vítimas.

São trabalhadores de uma mina de Platina pertencente à empresa Lonmin, em Marikana, a cerca de 100 quilômetros de Joanesburgo, capital  Cidade mais populosa da África do Sul. As manifestações começaram no dia 10 de agosto quando cerca de 3.000 mineiros deixaram seus postos de trabalho para protestar por melhores salários. A empresa chamada esta ação de uma “greve ilegal”.

"Os trabalhadores em greve ainda estão armados e sem trabalhar", declarou a empresa Lonmim, antes do ocorrido. "Isso é ilegal", acrescentou a empresa, que ameaçou despedir os mineiros que não voltarem a trabalhar sexta-feira. A Lonmin, de propriedade britânica, é a terceira maior produtora de platina do mundo.

Os confrontos de hoje se deram quando policiais, apoiados por veículos blindados, levantaram barricadas com arame farpado. Diante deles, sobre uma pequena colina, havia cerca de 3.000 mineiros. Em seguida, um grupo de trabalhadores conseguiu superar o cerco e se aproximar da polícia, que respondeu com tiros, segundo um repórter da agência Reuters, que após tiroteio contou sete corpos no chão.

Havia mineiros armados com paus, facões e lanças. Não está claro se eles também tinham armas e teriam disparado contra a polícia antes que estes abrissem fogo.

Uma semana de tumultos

A maioria dos mineiros que estão protestando é representada pela Associação dos Trabalhadores da Mineração e Construção (Association of Mineworkers and Construction Union, AMCU, em Inglês).

Os trabalhadores que tentaram retornar a seus postos no dia seguinte foram atacados, de acordo com a empresa e com o Sindicato Nacional de Mineiros da África do Sul (National Union of Mineworkers, NUM, em Inglês), mais antigo e que faz oposição ao AMCU, de criação mais recente e muito mais ativo em suas demandas.

Líderes de ambos os sindicatos têm tido várias conversas durante esses dias, mas por enquanto ainda não chegaram a um acordo. Enquanto isso, mineiros ligados a ambos sindicatos tem se enfrentado entre si e com a polícia durante a última semana.

No domingo, os manifestantes mataram dois agentes de segurança depois de ter ateado fogo ao seu carro. No dia seguinte as forças de segurança não conseguiram deter outro grupo violento, que matou dois trabalhadores e dois policiais. Estes responderam abrindo fogo e matando pelo menos três manifestantes, de acordo com autoridades e a Polícia.

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