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Presença militar americana origina protestos no Japão

Milhares de pessoas manifestaram-se no domingo (09/09/12) na ilha de Okinawa, sul do Japão, para protestar contra a presença de aviões militares norte-americanos Osprey, depois de vários acidentes ocorridos com este tipo de aeronave.

A manifestação também exigiu o encerramento da base, situada no meio da cidade. A presença militar americana há anos que provoca mal-estar na população.

Os manifestantes exigiram que Tóquio e Washington cancelem o mais depressa possível o projecto de utilização dos 12 aviões híbridos MV-22 Osprey na base americana de Futenma, na ilha de Okinawa. A participação de manifestantes foi calculada em mais de cem mil pessoas pelos organizadores e alguns milhares pelos meios locais. Outras duas manifestações ocorreram em duas ilhas do arquipélago de Okinawa, e milhares de pessoas cercaram o prédio do Parlamento em Tóquio.

Em Julho, os 12 Osprey, que descolam na vertical como um helicóptero e depois fazem girar as asas e os motores para voar como um avião, foram enviados para o Japão.

Um acidente com um avião Osprey em Abril, em Marrocos, e depois outro na Florida, em Junho, a par do barulho do aparelho, deixam a população e o Governo japonês preocupados.

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Professores de Chicago entram em greve pela primeira vez em 40 anos

Professores fizeram ato de protesto nesta segunda-feira
 em Chicago (Foto: Reuters/ Jean Lachat )
Aumento de salário é uma das reivindicações da categoria.
Cerca de 25.000 docentes devem aderir ao movimento.

Os docentes das escolas públicas de Chicago (Illinois, norte dos Estados Unidos) iniciaram uma greve nesta segunda-feira (10), pela primeira em 40 anos, por aumento salarial, um melhor sistema de avaliação e maior segurança no emprego.

"Nós não conseguimos chegar a um acordo que pudesse evitar a greve", explicou a presidente do sindicato dos professores da cidade (Chicago Teachers Union, CTU), Karen Lewis, em um comunicado.

A paralisação do trabalho envolverá cerca de 25.000 professores e pode afetar cerca de 350.000 alunos, do pré-escolar até as turmas de ensino médio.

Os professores exigem um reajuste de 30% de seus salários em compensação à extensão da sua jornada de trabalho, mas no decorrer das negociações deram a entender que poderiam aceitar um aumento menor, em troca de um sistema de avaliação mais flexível.

Também pedem a instituição de um sistema de recontratação dos professores que permanecem desempregados após o fechamento das escolas em que ministravam aulas.

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EUA: Milícias e grupos de ódio aumentam 755% no governo Obama

O número dos denominados "grupos do ódio", incluindo as milícias armadas, aumentou nos Estados Unidos em 755% nos primeiros três anos do governo de Barack Obama, dos 149 grupos no final de 2008 para os 1.274 em 2011.


Estes dados, que provêm do Southern Poverty Law Center (SPLC), instituição dedicada ao acompanhamento dos grupos extremistas no país, revelam o aumento dos movimentos que proclamam a supremacia dos brancos após a chegada à Casa Branca do primeiro presidente afro-americano dos EUA.

"Desde o início comparou-se Obama com Hitler ou Stalin,elaborou-se um discurso no qual o presidente era uma pessoa alheia (aos EUA), não se tratou ele como um americano e se desenhou o presidente como uma ameaça", explicou à agência EFEPeter Kuznick, professor de história da American University de Washington.

As origens do actual presidente e candidato à reeleição aumentaram "indubitavelmente" o surgimento deste tipo de grupo, que na sua maioria têm um carácter violento e, além disso, costumam respaldar com veemência a Segunda Emenda da Constituição americana, que reconhece o direito de se portar armas. "São realmente uma ameaça. Sobretudo porque receberam certa credibilidade por parte dos sectores mais conservadores do Partido Republicano", sentencia Kuznick.

Segundo explica o professor, estes grupos costumavam ser marginalizados pela política, mas com o surgimento do movimento Tea Party obtiveram certo respaldo. "A mensagem do Tea Party não é completamente racista, mas o é de alguma maneira. Os Estados Unidos estão a viver uma polarização ideológica", disse.

Uma mostra recente do surgimento destes grupos, que estão longe de ser simplesmente curiosos, deu-se recentemente com a detenção de quatro ex-soldados que planeavam cometer um atentado contra Obama, gerando previamente cenas de caos que lhes facilitassem o trabalho.

Os quatro ex-militares pertenciam a uma milícia anarquista no estado da Geórgia, e supostamente pretendiam assassinar o presidente dos EUA, mas um dos seus companheiros da base militar na qual estavam destinados descobriu os seus planos, por isso que o mataram e à sua namorada.

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Acusados pela Promotoria perante um tribunal federal de "terrorismo interior", três deles enfrentam uma possível pena de morte, enquanto o quarto teve o seu castigo rebaixado por colaborar e confessar durante a investigação.

Os quatro acusados membros da milícia, baseados no Forte Stewart da Geórgia, operavam sob o nome de Forever Enduring Always Ready (Sempre Duradouros Sempre Preparados), cujo acrônimo é FEAR, "medo" em inglês. O seu objectivo não era outro que o próprio Obama, para o qual tinham adquirido a não desdenhável soma de US$ 87 mil em armas.

Segundo explica o SPLC, o aumento deste tipo de grupos foi impulsionado "pela ira e pelo medo diante da debilitada economia do país, a afluência de imigrantes não brancos e a maioria branca decrescente, simbolizada pela escolha do primeiro presidente afro-americano da nação".

Mas não somente são anarquistas. Entre os 1.018 grupos que operam activamente no país, também estão incluídos neo-nazistas, membros do Ku Kux Klan, nacionalistas brancos, neo-confederados, cabeças raspadas de tipo racista, separatistas negros e vigilantes de fronteira, entre outros.

Entre todos eles, o SPLC adverte que os mais violentos na actualidade são os grupos anti-imigrantes, que começaram a emergir na década de 20 e que agora se radicalizaram perante o aumento inter-racial.

Num momento de expansão das minorias no país - os dados de 2011 revelam que pela primeira vez nasceram menos crianças brancas que não brancas segundo o Escritório do Censo - o extremismo ideológico destes grupos se acentua paulatinamente assentando-se em crenças tais como que "o México trama um plano secreto de reconquista" ou que "os líderes de Canadá, EUA e México preparam uma integração com a União Europeia".

"É muito provável que esta radicalização ideológica se acentue até mais. Nos EUA já não somente se está em desacordo com o outro. Há uma grande quantidade de ódio", conclui Kuznick.

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EUA estudam Oriente Médio sem Israel e teriam condenado colonos judeus como terroristas

Segundo o informativo americano The RealNews Network (1), em em inglês, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, em seu relatório anual sobre terrorismo em outros países, redefiniu como "terrorismo" atos violentos por parte de colonos judeus nos territórios palestinos ocupados. 

E um artigo do jurista americano Frankie Lamb (2), ex-assessor da Câmara dos Representantes (deputados federais), em  em inglês, informa que um estudo encomendado pela Comunidade de Inteligência do governo americano, intitulado "Preparando para um Oriente Médio pós-Israel", defende em 82 páginas as teses de que a política de Israel em relação aos palestinos tem as mesmas chances de sobreviver quanto o apartheid tinha na África do Sul em 1987, quando Israel era a única nação alinhada ao Ocidente que mantinha boas relações com o país do apartheid - ou seja, a política de Israel em relação aos palestinos não tem nenhuma chance de sobreviver; de que a liderança israelense perdeu o contato com a realidade, ao patrocinar a instalação de mais de 700 mil colonos nos territórios palestinos ocupados; de que os recentes acontecimentos nos países árabes tornaram uma grande maioria dos 1,2 bilhão de islamitas mais livres para condenarem o tratamento que Israel proporciona aos palestinos; de que os Estados Unidos, por força de seu apoio a Israel, estão perdendo influência junto aos 57 países islâmicos. 

Em suma, o estudo conclui que é inviável, para os interesses próprios dos EUA, manter o apoio à atual política de Israel;


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Racismo continua em todos os EUA

'Racismo continua em todos os EUA', diz jovem que desafiou leis de segregação

Quando o presidente Barack Obama discursou na noite desta quinta-feira, 6, no palco da convenção democrata, Franklin McCain viu de perto um sonho realizado. Um ano antes de o primeiro presidente negro dos EUA nascer, o então estudante de química sentou-se com três amigos numa lanchonete para brancos na cidade de Greensboro, na Carolina do Norte, e pediu para ser atendido. A afronta às leis de segregação mobilizou os EUA e fez de McCain ícone da luta pela igualdade de direitos.

Aos 70 anos, ex-executivo de uma multinacional farmacêutica, ele vive na mesma Charlotte onde, hoje, Obama aceitou formalmente a candidatura à reeleição. Conseguiu o ingresso para assistir ao presidente - que conheceu pessoalmente na campanha de 2008 - graças à intervenção de uma sobrinha, deputada estadual na Flórida. "Quando saiu o resultado da eleição (da vitória de Obama), fiquei estático. Eu não consegui ir a nenhuma festa de celebração de tão emocionado que estava", disse. A seguir, trechos da conversa com ele manteve com o jornal Estado de São Paulo, Brasil.

Franklin McCain: Discutia toda noite com esses três rapazes, na universidade, sobre o pensamento cristão, a democracia e, juntos, criticávamos os nossos pais por aceitarem o sistema de discriminação e segregação. Fazia parte da quinta geração desde os tempos da escravidão. Em 31 de janeiro, numa dessas conversas, concluíamos que éramos umas fraudes e nos sentimos culpados por isso. Decidimos agir num lugar onde as pessoas eram tratadas de acordo com a raça. Nas lojas Woolworth de Nova Ioque, um negro podia comprar qualquer coisa e tomar um lanche no balcão. Na filial do sul, não se podia sentar no restaurante, mesmo depois de fazer compras. Esse era o lugar.


Como aconteceu? 

Fomos a Woolworth no final da tarde de 1.º de fevereiro. Sabíamos que não seríamos atendidos. Havia muita gente no restaurante. Compramos material de escola, sentamo-nos ao balcão e pedimos coca-cola, café e torta. Fez-se um silêncio de missa. 'Por que não querem nos servir? Não há lei que nos impeça', dissemos à garçonete, que era branca. Uma funcionária negra veio e disse: 'São pessoas como vocês que nos causam problemas. Vão lá para baixo, se querem comer'. Ficamos mais bravos com essa mulher do que com a garçonete. Mas não saímos. Chegou, então, um polícia enfurecido, mas que não sabia o que fazer porque não havíamos quebrado nenhuma lei. Ele batia o cassetete na própria mão, atrás de nós, e estava perturbado. Eu pensei que a minha cabeça seria esmagada.


Ninguém os apoiou? 

Uma senhora branca não tirava os olhos de mim. Concluí logo que ela estava enfurecida por eu ter me sentado no lugar dela. Então, ela se aproximou e pôs uma das mãos sobre o meu ombro e a outro no do meu amigo. Pensei que tiraria uma tesoura e nos mataria. 'Meninos, estou orgulhosa de vocês. Eu só gostaria que tivessem feito isso há dez anos', disse ela. Foi um alívio. Das ruas, pessoas brancas e negras vieram nos ver ali sentados. A loja foi fechada antes do horário e nós saímos porque, do contrário, seríamos presos por ocupação indevida.


O movimento foi reproduzido no país. Não tiveram medo? 

A Câmara de Vereadores pediu ao presidente da universidade para nos manter dentro do câmpus. Ele respondeu que estávamos lá para aprender a pensar e que nada faria. Quando decidimos agir, naquela noite de janeiro, sabia que a minha vida de estudante estaria acabada, que eu poderia passar anos na cadeia e até voltar para casa num caixão. Mas a minha raiva era maior do que o medo. Nunca senti uma sensação de liberdade e de paz como aquela, no balcão da Woolworth.


Não sofreram ameaças? 

A Ku Klux Klan veio atrás de nós no câmpus, com armas. Mas não nos pegaram. Recebemos cartas e telefonemas com ameaças. As pessoas passavam por nós e nos queimavam com cigarro, pisavam nos nossos pés e até cuspiam no rosto.


O que significou a eleição de Obama? 

O presidente havia me convidado para almoçar durante a campanha (de 2008) e pudemos conversar. Quando saiu o resultado da eleição, fiquei estático. Não consegui a ir a nenhuma festa de tão emocionado que estava. Mas, agora, acho que ele vencerá por uma margem pequena. Muita gente branca que votou nele em 2008 já se sente com a consciência em paz, pode voltar a sua zona de conforto e não vai reelegê-lo.


Como é o racismo hoje no sul dos EUA? 

Os negros agora têm esperança porque há um sistema que funciona contra a discriminação. Mas o racismo está ainda totalmente presente. Vejo o racismo todo o tempo e em todo o país. Tivemos muita mudança a partir do governo de Lyndon Johnson (1963-1969). Mas Ronald Reagan (1981-1989) fez um desserviço. Ao não fazer nada nesse sentido, George W. Bush abriu a porta para a discriminação. Agora, o racismo está presente em cada crítica de Mitt Romney à assistência social do governo. Isso é um código, que nós entendemos.

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EUA exportam R$ 134 bi em armas em 2011 e batem recorde histórico

Os Estados Unidos exportaram em 2011 mais armas do que nunca, com um total de US$ 66,3 bilhões (R$ 134,2 bilhões) em cargas que se destinaram sobretudo a aliados no Golfo Pérsico, que argumentam que precisam se defender de um possível ataque do Irã, informou neste domingo The New York Times. As exportações americanas representaram quase 78% do mercado mundial de armas, no qual o segundo maior vendedor é a Rússia, com US$ 4,8 bilhões, segundo um relatório entregue na sexta-feira ao Congresso e publicado neste domingo na edição digital do jornal.

O número de vendas é o triplo do total de 2010, quando foram exportados US$ 21,4 bilhões, e é "o maior valor total em um ano da história das exportações de armas dos Estados Unidos", segundo o relatório, elaborado pelo Serviço de Investigação do Congresso – uma entidade independente. Os maiores clientes foram Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã, que compraram, sobretudo, sistemas de mísseis avançados e aviões de última geração.

Entre as vendas para a Arábia Saudita, que somaram US$ 33,4 bilhões, está o maior acordo militar já assinado pelos EUA, que vendeu ao país 84 novos aviões de combate F-15, atualizou outras 70 aeronaves e ofereceu três tipos de helicópteros: 70 Apaches, 72 Black Hawks e 36 Little Birds. Os Emirados Árabes Unidos compraram US$ 4,42 bilhões em armas, entre eles US$ 3,49 bilhões em um escudo antimísseis avançado e US$ 939 milhões em 16 helicópteros Chinook.

Omã, por sua vez, comprou 18 aviões de combate F-16 por US$ 1,4 bilhão, entre outras armas que a região acumula com o argumento de se defender de um possível ataque do Irã. Além disso, os EUA venderam US$ 4,1 bilhões de dólares em aviões C-17 à Índia, e outros US$ 2 bilhões em baterias antimísseis Patriot para Taiwan, em um acordo muito criticado pelo governo chinês.

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Inglaterra ataca soberania equatoriana e escancara complô para levar Julian Assange aos EUA

O Reino Unido ameaça fazer o que nem mesmo o ditador Pinochet foi capaz em plena ditadura chilena: invadir uma embaixada. Em resposta à concessão do asilo finalmente anunciado pelo Equador na manhã desse 16 agosto ao australiano Julian Assange, fundador e líder do site WikiLeaks, Londres ameaça invadir a embaixada do país latino-americano para deter o jornalista e extraditá-lo à Suécia.


Assange está abrigado desde o dia 19 de junho na embaixada equatoriana, quando também ingressou com pedido de asilo político. O australiano fez o pedido após ter negado o último recurso à Justiça britânica contra o processo de extradição realizado pela Suécia, onde é acusado de abuso sexual.

Nesse dia 15 de agosto, assim que o Equador sinalizou que responderia o pedido de Assange, o Reino Unido ameaçou invadir a embaixada para prender à força o jornalista, atacando a soberania do país latino-americano. A denúncia foi feita pelo ministro das relações exteriores do Equador, Ricardo Patiño, que disse ter recebido ameaça "verbal e escrita" de Londres. Caso se concretize, essa ação sem precedentes significaria a invasão do território de um país estrangeiro pela Inglaterra.

O governo britânico ameaça recorrer a uma obscura lei de 1987 que permitiria a revogação da imunidade diplomática de representações estrangeiras, possibilitando assim a entrada da polícia na embaixada equatoriana. O chanceler do Reino Unido, William Hague, negou que o país estivesse prestes a invadir a embaixada, mas reiterou que não concederá o salvo-conduto para que Assange possa sair do país sem ser detido. Ao mesmo tempo, mandou policiais para a entrada da representação diplomática. Na prática, a Inglaterra se nega a reconhecer o asilo concedido pelo Equador ao fundador do WikiLeaks.

A inviolabilidade das embaixadas foi estabelecida pela Convenção de Viena em 1961. Nas ditaduras militares que tomaram o cone-sul nas décadas de 1960 e 1970, por exemplo, esse mecanismo foi fundamental para que milhares de ativistas e perseguidos políticos pudessem escapar da repressão e partir para o exílio. O Convênio de Viena assegura a inviolabilidade das embaixadas inclusive em caso de guerra ou ruptura de relações diplomáticas com o outro país.

Ocorreram protestos em defesa de Julian Assange tanto em frente da embaixada do Equador em Londres como na embaixada britânica no Equador.

Perseguição política
A insistência da Inglaterra em recusar o asilo político concedido pelo Equador, chegando ao extremo de fazer ameaças que nem as piores ditaduras tiveram coragem de fazer, reforça o caráter político das denúncias contra Assange. As acusações de abuso sexual ocorreram após o vazamento de centenas de milhares de telegramas diplomáticos e mensagens confidenciais que expuseram publicamente, entre outras coisas, aspectos da barbárie norte-americana no Iraque e Afeganistão, além da ingerência do imperialismo em vários países, inclusive Brasil.

Nas negociações realizadas entre Equador, Suécia e Reino Unido nos últimos dois meses a fim de resolver o imbróglio, o país escandinavo negou-se a se comprometer a não enviar Assange a um terceiro país. Ao mesmo tempo, recusou-se também a interrogar o jornalista na Grã-Bretanha, revelando que a sua real intenção passa ao largo de investigar e dar sequência ao processo de abuso sexual contra Assange.

Teme-se que, uma vez extraditado à Suécia, o país entregue Julian aos EUA para ser julgado pela publicação de documentos confidenciais, podendo até ser condenado à morte. A situação do soldado Bradley Manning, preso por vazar informações sigilosas dos EUA (foi formalmente acusado de, entre outros crimes, 'conluio com o inimigo') e brutalmente torturado no cárcere, é apenas uma mostra do que pode ocorrer a Assange em território norte-americano.

Correa não é exemplo
O presidente do Equador Rafael Correa, por sua vez, ao mesmo tempo em que se posta de democrático e defensor da liberdade de expressão ao mundo, em seu próprio país impõe uma prática completamente oposta. Criminaliza os movimentos sociais de oposição ao seu governo e cerceia os meios de comunicação, não só os que estão nas mãos da direita, mas principalmente os dos movimentos sociais e de esquerda.

Há hoje no Equador centenas de ativistas indígenas, sindicalistas e estudantes processados por "terrorismo", estando um deles, o dirigente estudantil Marcelo Rivera, preso desde 2009. Da mesma forma, o governo tenta impor ainda mais restrições aos meios de comunicação e mudanças no Código Penal para reduzir a liberdade de expressão. Fosse Assange equatoriano, muito provavelmente estaria hoje buscando asilo em alguma embaixada.

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Estupro "de verdade" raramente resulta em gravidez, diz senador dos EUA

Todd Akin acredita que o corpo feminino tem formas de impedir a gravidez em casos de violência sexual 


Ao condenar o aborto, o senador republicano Todd Akin gerou revolta nos Estados Unidos ao dizer que um estupro "de verdade" ("legitimate rape" em inglês) raramente resulta em gravidez. As declarações do político em um país com 32 mil gestações anuais consequentes de violência sexual foram seguidas de centenas de críticas na internet por políticos democratas, organizações de direitos humanos e mulheres ofendidas com as afirmações. 

Akin, que possui apoio do setor ultraconservador do Tea Party, declarou em entrevista ao canal KTVIneste domingo (19/08) que as mulheres possuem uma defesa biológica ao abuso sexual e reforçou sua oposição à prática do aborto, mesmo no caso de estupro. 

"Me parece, conforme soube por médicos, que a gravidez resultante de estupro é rara”, disse ele. “Se é um estupro de verdade ("legitimate rape"), o corpo feminino tem formas de se fechar para isso". 

A expressão utilizada pelo republicano, "legitimate rape", provocou forte reação neste domingo, levando o assunto aos TT do Twitter. Para os críticos do republicano, a lógica da frase sugere que, quando há gravidez, a mulher consentiu com a relação sexual.

"Mas, vamos pensar que isso (a suposta defesa natural da mulher) não funcione: eu acredito que deve existir punição, mas a punição tem de ser ao estuprador e não à criança”, explicou. 

Uma de suas principais opositoras políticas no Missouri, a senadora democrata Claire McCaskill, respondeu em sua conta no Twitter que estava “chocada” com o posicionamento do republicano. “Como mulher e ex-promotora que cuidou de cem casos de estupro, estou chocada com os comentários do Senador Akin sobre as vítimas” de violência sexual, escreveu ela. 

Após uma extensa repercussão nas redes sociais, o senador republicano reconsiderou sua declaração, mas não suas convicções em relação à interrupção da gravidez. “Ao rever minhas observações, está claro que eu me posicionei mal nesta entrevista e que ela não reflete a empatia que eu sustento pelos milhares de mulheres que foram estupradas e abusadas todos os anos”, afirmou ele em um comunicado citado pelo jornal The New York Times. “Eu acredito profundamente na proteção de toda vida e eu não acredito que prejudicar outra vítima inocente é a coisa certa a ser feito", acrescentou ele.

Os candidatos republicanos à Presidência, Mitt Romney e o vice Paul Ryan, se apressaram para distanciar as declarações do senador de sua campanha. “O governador Romney e o parlamentar Ryan discordam com a afirmação de Akin. A administração Romney-Ryan não se oporia ao aborto em caso de estupro”, afirmaram em um comunicado citado pelo jornal norte-americano The New York Times.

Na tentativa de não provocar polêmica em plena corrida presidencial, o candidato à vice-presidência parece ter ignorado seu posicionamento radical contra o aborto. Paul Ryan defende a criminalização da prática em casos de estupro, incesto e até em risco de saúde da mãe. Para ele, a interrupção da gravidez em qualquer circunstância deveria ser ilegal, conforme informa o site Daily Beast.

Ryan co-patrocinou um projeto de lei que definia óvulos fertilizados como seres vivos que, caso passasse no Congresso, criminalizaria algumas formas de contracepção -- como a pílula do dia seguinte -- e de fertilização in vitro. A organização anti-aborto Comitê Nacional pelo Direito à Vida definiu seu desempenho como 100% em votações relacionadas ao tema no Congresso, desde que ele ingressou, em 1999. "Sou pró-vida até a alma", disse Ryan à publicação conservadora Weekly Standard’s em 2010. "Vocês não terão trégua", avisou o agora candidato a vice de Romney aos apoiadores do aborto.


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Dez fatos chocantes sobre os Estados Unidos


1. Maior população prisional do mundo
Elevando-se desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controle social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra-se como uma gangrena, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários inferiores a 50 cents por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar chicletes. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas, sobretudo, os negros, que representando apenas 13% da população norte-americana, compõem 40% da população prisional do país.
2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.
Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças norte-americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.
3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.
O número de países nos quais os EUA intervieram militarmente é maior do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelo país só no século XX. Por trás desta lista, escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA conduzem neste momente mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, superando de longe George W. Bush.
4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.
Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos por cada empresa, é prática corrente que as mulheres norte-americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes ou depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia.

5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.
Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de norte-americanos não têm), então há boas razões para temes ainda mais a ambulância e os cuidados de saúde que o governo presta. Viagens de ambulância custam em média o equivalente a 1300 reais e a estadia num hospital público mais de 500 reais por noite. Para a maioria das operações cirúrgicas (que chegam à casa das dezenas de milhar), é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e, como o nome indica, terá a oportunidade de se endividar e também a oportunidade de ficar em casa, torcendo para não morrer.
6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano.
Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças com índios e colonos partilhando placidamente o mesmo peru em torno da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmos imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA iniciaram um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito em idioma que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo oficializar esterilizações forçadas como parte de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e, mais tarde, contra negros e índios.
7. Todos os imigrantes são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUA.
Além de ter que jurar não ser um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do Partido Comunista, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada terrorista. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.
8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.
O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente, todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que, acrescidas de juros, levarão, em média, 15 anos para pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel prazer, sem o consentimento ou sequer o conhecimento do devedor. Num dia, deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juros e, no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes norte-americanos cresceu à marca dos 1,5 trilhões de dólares, elevando-se assustadores 500%.
9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.
Não é de se espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com outras partes do mundo: no restante do planeta, há uma arma para cada dez pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada dez. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, algo em torno de 275 milhões. Esta estatística tende a se elevar, já que os norte-americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.
10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.
A maioria dos norte-americanos são céticos. Pelo menos no que toca à teoria da evolução, já que apenas 40% dos norte-americanos acreditam nela. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos norte-americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-pré-candidato republicano Rick Santorum, que acusou acadêmicos norte-americanos de serem controlados por Satã.

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A Crise não chegará aqui, disse o governante...

16 milhões de menores na miséria
Num artigo contundente publicado no jornal mexicano La Jornada, David Brooks apresenta a face cruel dos EUA pouco difundida pela mídia colonizada. Mostra que a pobreza extrema cresce em ritmo acelerado no império. Já as poderosas corporações batem recordes de lucros. No capitalismo, a crise mata de fome o trabalhador e engorda ainda mais os tubarões. 



“Aqui milhões padecem de fome. Não estamos falando do Haiti, nem de países africanos, nem asiáticos, nem das ‘favelas’ sul-americanas, e sim do extraordinário fato de que no país mais rico do mundo, milhões sofrem do que se chama insegurança alimentar, o que o cristianismo traduz como: não saber de onde virá a próxima comida”, afirma, indignado, David Brooks logo na abertura do seu artigo. 

“Nos EUA é permitido – sem transformar em escândalo nacional – que as crianças não tenham o suficiente para comer. O programa nacional de televisão da CBS News, ‘60 minutos’, mostrou recentemente as faces e as histórias de famílias de sem-teto, cujos filhos falavam o que sentem quando não comem o suficiente Mais de 16 milhões de menores de idade vivem na pobreza – dois milhões mais que antes da crise econômica que explodiu em 2007”. 

Um das crianças entrevistadas na Flórida explicou o que se sente quanto tem fome. “É difícil. Não dá para dormir. Dorme-se por cinco minutos e desperta novamente. Dói o estômago. É porque não tem alimento nele”. Muitas famílias contaram à CBS que jamais imaginaram ficar sem casa ou sem alimento suficiente para seus filhos, já que gozavam de uma vida de classe média. “Com a crise, tudo acabou”, aponta o jornalista do La Jornada. 

Milhares alojados em motéis 

Parte da reportagem da CBS foi feita na mesma zona conhecida como o lugar mais feliz do mundo – nos condados em volta da Disney World, em Orlando, Flórida. A CBS detectou ali 67 motéis que alojam mais de 500 crianças sem-teto. Em volta das escolas do condado de Seminole, mil estudantes perderam recentemente suas casas. “O governo aloja milhares de famílias de sem-teto em motéis por todo o país durante um período”. 

Segundo recente estudo da Feeding, a maior organização do país dedicada à assistência das famílias carentes, mais de um a cada seis estadunidenses (16,6% da população) sofreu de insegurança alimentar em algum momento de 2009. A entidade hoje presta serviços de apoio para 37 milhões de estadunidenses, entre eles 14 milhões de crianças, um aumento de 46% na comparação com 2006. 

“A fome está por todas as partes” Até na capital do país mais poderoso do mundo há cada vez mais fome. Na zona metropolitana de Washington, mais de 400 mil residentes sofreram períodos de fome durante a recessão”, relata Brooks. Outras partes do país, em zonas ricas ou marginalizadas, também registraram cifras crescentes de fome, segundo recente relatório da Feeding. 

“A maioria ficaria surpresa ao saber das dimensões da fome em suas comunidades. As pessoas tendem a pensar que a fome ocorre em algum outro lugar, mas não no seu quintal. Mas o informe mostra que a fome está por todas as partes de nossa nação agora mesmo”, comentou Vicki Escarra, diretora da Feeding América, ao jornal Washington Post. 

Obama ainda corta gastos sociais 

Diante da gravidade da situação, qual é a resposta do governo? Barack Obama propõe reduzir a assistência alimentar aos necessitados, promover mais cortes no gasto social e reduzir os impostos dos milionários. Para Brooks, esta conduta, que nega os compromissos de campanha do “democrata”, tem elevado o tom das críticas ao seu governo. 

Mark Bittman, crítico de gastronomia do jornal New York Time, anunciou que se somaria ao jejum de uma semana com quatro mil pessoas por todo o país, com o propósito de chamar a atenção da opinião pública sobre as propostas de redução drástica dos programas de assistência aos pobres. “Os cortes para supostamente reduzir o déficit farão com que mais pessoas morram de fome e vivam miseravelmente”, explicou. 

“A fome não é prioridade nos EUA” 

A revolta aumenta quando se observa a opulência dos ricaços e o aumento dos lucros das corporações empresariais em plena crise. Em 2010, os lucros empresariais cresceram a taxas mais aceleradas desde 1950, enquanto houve um recorde no número de pessoas que dependem da assistência federal para comer. Como já apontou o cineasta Michel Moore, os 400 estadunidenses mais ricos têm mais riqueza que a metade dos lares do país, enquanto 45% dos estadunidenses gastam um terço de sua renda em alimentos e uma a cada quatro crianças dorme com fome no país. 

O aumento dos protestos nos EUA parece, no entanto, não incomodar a elite e seu governo de plantão. “A fome não está entre as prioridades das cúpulas políticas e econômicas deste país. Aparentemente, a segurança alimentar não é assunto considerado de segurança nacional”, conclui David Brooks. 



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País mais rico do mundo, EUA têm ‘acampamentos da miséria’

A BBC visitou nos Estados Unidos alguns acampamentos de sem-teto, cada vez mais numerosos no país desde o início da crise econômica que explodiu em 2008.
Dados oficiais apontam que cerca de 47 milhões de americanos vivem abaixo da linha pobreza e este número vem aumentando. Atualmente há 13 milhões de desempregados, 3 milhões a mais do que quando Barack Obama foi eleito presidente, em 2008. Algumas estimativas calculam que cerca de 5 mil pessoas se viram obrigadas nos últimos anos a viver em barracas em acampamentos de sem-teto, que se espalharam por 55 cidades americanas.
O maior deles é o de Pinella Hope, na Flórida, região mais conhecida por abrigar a Disney World. Uma entidade católica organiza o local e oferece alguns serviços aos habitantes, como máquinas de lavar roupa, computadores e telefones. Muitos acampamentos são organizados e fazem reuniões para distribuição de tarefas comunitárias. Para alguns com poucas perspectivas de encontrar trabalho, as barracas são habitações semi-permanentes.

Mofo

Várias destas pessoas tinham vidas confortáveis típicas de classe média até pouco tempo atrás. Agora deitam sobre travesseiros tão mofados quanto suas cobertas, em um inverno no qual as temperaturas baixam a muitos graus negativos.
"Esfregamos literalmente nossos rostos no mofo toda noite na hora de dormir", diz Alana Gehringer, residente de um acampamento no Estado de Michigan, ao programa Panorama da BBC.
O agrupamento de 30 barracas se formou em um bosque à beira de uma estrada, no limite do povoado de Ann Arbor. Não há banheiros, a eletricidade só está disponível na barraca comunitária onde os residentes se reúnem ao redor de uma estufa de madeira para espantar o frio.
O gelo se acumula nos tetos das barracas e a chuva frequentemente as invade. Mesmo assim, cada vez pessoas querem morar ali.
A polícia, hospitais e albergues públicos ligam com frequência perguntando se podem enviar pessoas ao acampamento.
"Na noite passada, por exemplo, recebemos uma ligação dizendo que seis pessoas não tinham vaga no albergue. Recebemos de 9 a 10 telefonemas por noite", diz Brian Durance, um dos organizadores do acampamento.
A realidade dos abrigados da Flórida e de Michigan é a mesma em vários lugares.
Na segunda-feira, Obama revelou planos de aumentar os impostos sobre os mais ricos. "Queremos que todos tenham uma oportunidade justa."
O presidente americano mencionou os que "lutam para entrar na classe média". Em Pinella´s Hope, em Arbor e em outros dezenas de locais no país, além dos que querem entrar na classe média, há os que foram expulsos dela pela crise e que desejam voltar.


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Desemprego de jovens universitários nos EUA atinge maior nível em 60 anos

Apenas 54,3% dos norte-americanos entre 18 e 24 anos estão empregados, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (09/02) pelo Pew Research Center. Este é o pior índice registrado para este grupo de idade desde o início da série histórica do levantamento, de 1948.

Em relação ao cenário anterior à crise financeira iniciada em 2008, o percentual de ocupação dos jovens universitários caiu oito pontos – era de 62%. Os resultados da pesquisa mostram que a crise afetou especialmente esse grupo etário, composto de calouros a recém-formados e iniciantes no mercado de trabalho, mais do que qualquer outra faixa.

O levantamento do Pew Center saiu dias após o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos ter divulgado um dado otimista – a queda do índice de desemprego pelo quinto mês seguido. A taxa de desemprego dos EUA registrada no último mês de janeiro foi de 8,3%, face aos 9,1 d do mesmo mês no ano passado.

O índice de desemprego de jovens adultos nos Estados Unidos sempre foi mais alto do que a média, mas nunca se encontrou em um quadro tão crítico - 16,6 pontos percentuais.

Já entre adultos de 18 a 34 anos entrevistados pelo Pew, mais de um terço afirma que teve de voltar aos estudos em razão do endurecimento do mercado de trabalho. Quase um quarto afirmou ter feito um trabalho não-remunerado ou admitiu terem voltado a morar com os pais. E um entre cinco admitiram ter adiado os planos de casamento ou filhos por razões de inviabilidade econômica.

Entretanto, os entrevistados pelo Pew Center se dizem muito otimistas quanto ao futuro. 88% afirmaram que estão fazendo o necessário para atender suas necessidades agora ou que o poder de compra aumentará nos próximos anos. E, entre os entrevistados de 18 a 34 anos, 67% acreditam que seus filhos terão um padrão divida melhor que os deles. Já entre os acima de 35 anos, esse otimismo só atinge 43%.

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