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EUA: Milícias e grupos de ódio aumentam 755% no governo Obama

O número dos denominados "grupos do ódio", incluindo as milícias armadas, aumentou nos Estados Unidos em 755% nos primeiros três anos do governo de Barack Obama, dos 149 grupos no final de 2008 para os 1.274 em 2011.


Estes dados, que provêm do Southern Poverty Law Center (SPLC), instituição dedicada ao acompanhamento dos grupos extremistas no país, revelam o aumento dos movimentos que proclamam a supremacia dos brancos após a chegada à Casa Branca do primeiro presidente afro-americano dos EUA.

"Desde o início comparou-se Obama com Hitler ou Stalin,elaborou-se um discurso no qual o presidente era uma pessoa alheia (aos EUA), não se tratou ele como um americano e se desenhou o presidente como uma ameaça", explicou à agência EFEPeter Kuznick, professor de história da American University de Washington.

As origens do actual presidente e candidato à reeleição aumentaram "indubitavelmente" o surgimento deste tipo de grupo, que na sua maioria têm um carácter violento e, além disso, costumam respaldar com veemência a Segunda Emenda da Constituição americana, que reconhece o direito de se portar armas. "São realmente uma ameaça. Sobretudo porque receberam certa credibilidade por parte dos sectores mais conservadores do Partido Republicano", sentencia Kuznick.

Segundo explica o professor, estes grupos costumavam ser marginalizados pela política, mas com o surgimento do movimento Tea Party obtiveram certo respaldo. "A mensagem do Tea Party não é completamente racista, mas o é de alguma maneira. Os Estados Unidos estão a viver uma polarização ideológica", disse.

Uma mostra recente do surgimento destes grupos, que estão longe de ser simplesmente curiosos, deu-se recentemente com a detenção de quatro ex-soldados que planeavam cometer um atentado contra Obama, gerando previamente cenas de caos que lhes facilitassem o trabalho.

Os quatro ex-militares pertenciam a uma milícia anarquista no estado da Geórgia, e supostamente pretendiam assassinar o presidente dos EUA, mas um dos seus companheiros da base militar na qual estavam destinados descobriu os seus planos, por isso que o mataram e à sua namorada.

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Acusados pela Promotoria perante um tribunal federal de "terrorismo interior", três deles enfrentam uma possível pena de morte, enquanto o quarto teve o seu castigo rebaixado por colaborar e confessar durante a investigação.

Os quatro acusados membros da milícia, baseados no Forte Stewart da Geórgia, operavam sob o nome de Forever Enduring Always Ready (Sempre Duradouros Sempre Preparados), cujo acrônimo é FEAR, "medo" em inglês. O seu objectivo não era outro que o próprio Obama, para o qual tinham adquirido a não desdenhável soma de US$ 87 mil em armas.

Segundo explica o SPLC, o aumento deste tipo de grupos foi impulsionado "pela ira e pelo medo diante da debilitada economia do país, a afluência de imigrantes não brancos e a maioria branca decrescente, simbolizada pela escolha do primeiro presidente afro-americano da nação".

Mas não somente são anarquistas. Entre os 1.018 grupos que operam activamente no país, também estão incluídos neo-nazistas, membros do Ku Kux Klan, nacionalistas brancos, neo-confederados, cabeças raspadas de tipo racista, separatistas negros e vigilantes de fronteira, entre outros.

Entre todos eles, o SPLC adverte que os mais violentos na actualidade são os grupos anti-imigrantes, que começaram a emergir na década de 20 e que agora se radicalizaram perante o aumento inter-racial.

Num momento de expansão das minorias no país - os dados de 2011 revelam que pela primeira vez nasceram menos crianças brancas que não brancas segundo o Escritório do Censo - o extremismo ideológico destes grupos se acentua paulatinamente assentando-se em crenças tais como que "o México trama um plano secreto de reconquista" ou que "os líderes de Canadá, EUA e México preparam uma integração com a União Europeia".

"É muito provável que esta radicalização ideológica se acentue até mais. Nos EUA já não somente se está em desacordo com o outro. Há uma grande quantidade de ódio", conclui Kuznick.

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Racismo continua em todos os EUA

'Racismo continua em todos os EUA', diz jovem que desafiou leis de segregação

Quando o presidente Barack Obama discursou na noite desta quinta-feira, 6, no palco da convenção democrata, Franklin McCain viu de perto um sonho realizado. Um ano antes de o primeiro presidente negro dos EUA nascer, o então estudante de química sentou-se com três amigos numa lanchonete para brancos na cidade de Greensboro, na Carolina do Norte, e pediu para ser atendido. A afronta às leis de segregação mobilizou os EUA e fez de McCain ícone da luta pela igualdade de direitos.

Aos 70 anos, ex-executivo de uma multinacional farmacêutica, ele vive na mesma Charlotte onde, hoje, Obama aceitou formalmente a candidatura à reeleição. Conseguiu o ingresso para assistir ao presidente - que conheceu pessoalmente na campanha de 2008 - graças à intervenção de uma sobrinha, deputada estadual na Flórida. "Quando saiu o resultado da eleição (da vitória de Obama), fiquei estático. Eu não consegui ir a nenhuma festa de celebração de tão emocionado que estava", disse. A seguir, trechos da conversa com ele manteve com o jornal Estado de São Paulo, Brasil.

Franklin McCain: Discutia toda noite com esses três rapazes, na universidade, sobre o pensamento cristão, a democracia e, juntos, criticávamos os nossos pais por aceitarem o sistema de discriminação e segregação. Fazia parte da quinta geração desde os tempos da escravidão. Em 31 de janeiro, numa dessas conversas, concluíamos que éramos umas fraudes e nos sentimos culpados por isso. Decidimos agir num lugar onde as pessoas eram tratadas de acordo com a raça. Nas lojas Woolworth de Nova Ioque, um negro podia comprar qualquer coisa e tomar um lanche no balcão. Na filial do sul, não se podia sentar no restaurante, mesmo depois de fazer compras. Esse era o lugar.


Como aconteceu? 

Fomos a Woolworth no final da tarde de 1.º de fevereiro. Sabíamos que não seríamos atendidos. Havia muita gente no restaurante. Compramos material de escola, sentamo-nos ao balcão e pedimos coca-cola, café e torta. Fez-se um silêncio de missa. 'Por que não querem nos servir? Não há lei que nos impeça', dissemos à garçonete, que era branca. Uma funcionária negra veio e disse: 'São pessoas como vocês que nos causam problemas. Vão lá para baixo, se querem comer'. Ficamos mais bravos com essa mulher do que com a garçonete. Mas não saímos. Chegou, então, um polícia enfurecido, mas que não sabia o que fazer porque não havíamos quebrado nenhuma lei. Ele batia o cassetete na própria mão, atrás de nós, e estava perturbado. Eu pensei que a minha cabeça seria esmagada.


Ninguém os apoiou? 

Uma senhora branca não tirava os olhos de mim. Concluí logo que ela estava enfurecida por eu ter me sentado no lugar dela. Então, ela se aproximou e pôs uma das mãos sobre o meu ombro e a outro no do meu amigo. Pensei que tiraria uma tesoura e nos mataria. 'Meninos, estou orgulhosa de vocês. Eu só gostaria que tivessem feito isso há dez anos', disse ela. Foi um alívio. Das ruas, pessoas brancas e negras vieram nos ver ali sentados. A loja foi fechada antes do horário e nós saímos porque, do contrário, seríamos presos por ocupação indevida.


O movimento foi reproduzido no país. Não tiveram medo? 

A Câmara de Vereadores pediu ao presidente da universidade para nos manter dentro do câmpus. Ele respondeu que estávamos lá para aprender a pensar e que nada faria. Quando decidimos agir, naquela noite de janeiro, sabia que a minha vida de estudante estaria acabada, que eu poderia passar anos na cadeia e até voltar para casa num caixão. Mas a minha raiva era maior do que o medo. Nunca senti uma sensação de liberdade e de paz como aquela, no balcão da Woolworth.


Não sofreram ameaças? 

A Ku Klux Klan veio atrás de nós no câmpus, com armas. Mas não nos pegaram. Recebemos cartas e telefonemas com ameaças. As pessoas passavam por nós e nos queimavam com cigarro, pisavam nos nossos pés e até cuspiam no rosto.


O que significou a eleição de Obama? 

O presidente havia me convidado para almoçar durante a campanha (de 2008) e pudemos conversar. Quando saiu o resultado da eleição, fiquei estático. Não consegui a ir a nenhuma festa de tão emocionado que estava. Mas, agora, acho que ele vencerá por uma margem pequena. Muita gente branca que votou nele em 2008 já se sente com a consciência em paz, pode voltar a sua zona de conforto e não vai reelegê-lo.


Como é o racismo hoje no sul dos EUA? 

Os negros agora têm esperança porque há um sistema que funciona contra a discriminação. Mas o racismo está ainda totalmente presente. Vejo o racismo todo o tempo e em todo o país. Tivemos muita mudança a partir do governo de Lyndon Johnson (1963-1969). Mas Ronald Reagan (1981-1989) fez um desserviço. Ao não fazer nada nesse sentido, George W. Bush abriu a porta para a discriminação. Agora, o racismo está presente em cada crítica de Mitt Romney à assistência social do governo. Isso é um código, que nós entendemos.

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Bahia pagará 10 milhões por repressão nos “500 anos do Brasil”

Durante comemoração, Polícia Militar baiana agiu com violência contra índios, integrantes do movimento negro e estudantes que seguiam em marcha rumo a Porto Seguro 

O Estado da Bahia pagará indenização milionária por ter impedido uma manifestação pacífica que fazia críticas às comemorações do 5º Centenário do Descobrimento do Brasil, em 22 de abril de 2000. A condenação, de R$ 10 milhões, é resultado de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF).

Na acusação consta que a Polícia Militar baiana reprimiu índios, integrantes do movimento negro e estudantes que seguiam em marcha rumo a Porto Seguro. Apesar de não portarem armas, os manifestantes foram surpreendidos por uma barreira policial que impediu o prosseguimento com uso de bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha.

A Justiça Federal entendeu que houve dano moral coletivo por parte do governo estadual, pois impediu o direito constitucional de reunião e de liberdade de expressão. A indenização deve ser paga com juros e correção monetária e revertida ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

O valor da indenização foi calculado diante da gravidade da lesão; da relevância dos direitos atingidos; da grande repercussão social dos fatos; e da necessidade de reafirmar a dignidade das minorias étnicas. O Estado da Bahia ainda pode recorrer da decisão.

Porto Seguro sediou a principal cerimônia de comemoração dos 500 anos do Brasil. Para tanto, foi construída uma réplica da nau que os portugueses comandados por Pedro Álvares Cabral teriam usado para chegar ao Brasil. Após uma sucessão de falhas, a embarcação não conseguiu navegar.

Jorge Américo, Da Radioagência NP






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Maranhão - A “CAMINHADA DO POVO NEGRO”: capitães do mato ou mercadores de escravos? *


Em agosto de 2012 , em São Luís do Maranhão, ocorreu a "Caminhada Povo Negro” como parte da campanha eleitoral para prefeitura da capital maranhense do vice-governador Washington Luiz. 

Tal caminhada demonstra o grau de degeneração que parte do movimento negro do Maranhão chegou apoiando um candidato que representa uma das mais brutais oligarquias coronelista, latifundiária e destrutiva do Brasil: que é a oligarquia Sarney e toda a sua camarilha de apoio. 

Poderiam dizer que estas palavras surgem de um militante de esquerda, sectário e, portanto, com a desqualificação necessária das reflexões. Se esse é o caso não vou fazer uso de meus juízos de valores e convicções políticas e ideológicas de forma incisiva – como até acredito que deveria ser – mas, de uma série de outros interlocutores que não compartilhando necessariamente de minhas convicções caracterizam de forma sintomática o Maranhão oligárquico dos Sarney e do PT. 

Inicio, porém, não com o Maranhão, mas com o Haiti. Como o “povo negro” pode marchar com um candidato que apoia um governo Federal que até tem tropas militantes no Haiti sob um regime de terrorismo de Estado, utilizando-se de força militar para favorecer os interesses mercadológicos do Imperialismo americano e das empresas brasileira. Para tanto, fazem uso da violência física, da aniquilação da liberdade de expressão, da violência simbólica e da super- exploração dos trabalhadores haitianos que recebem os salários mais baixos de toda a América. Isso num país que fez a primeira Revolução negra do continente americano e durante século foi exemplo de resistência e símbolo de medo para as elites escravocratas. Um país que mostrou para o mundo a capacidade organizativa e combativa da população negra, num contexto em que o povo negro era visto como bárbaro e incivilizado. “O povo negro” que caminhou com Washington faz coro com essa chacina que está ocorrendo no Haiti?

Como estar ao lado de um governo que tem expulsado centenas de famílias negras de seus lares, em virtude da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas. Basta entrar no Google e olhar os dados. Recuso-me a fazer esse trabalho simples. Ou não é possível que o “povo negro” veja na internet num Estado como o Maranhão dos Sarneys e do PT que tem a menor rede de energia elétrica e, também, de internet do país?

Como “caminhar” com um candidato que está ao lado da Governadora Roseana Sarney, símbolo da miséria e da violência construída no Estado com bem aponta o historiador Wagner Cabral, pois desde a década de 1990 que o panorama socioeconômico do Estado do Maranhão é caracterizado pelos piores índices de desenvolvimento social e humano. Sob o governo de Roseana Sarney, iniciado sob o slogan de um “Novo Tempo”, as medidas ditas de modernização do Estado com investimento industrial, privatizações, reforma administrativa, apoio aos grandes projetos agropecuários trouxeram, ao contrário do propagandeado, aumento e intensificação dos problemas sociais. Como afirma Wagner Cabral (2002, p. 16, grifo do autor) “[...] ao contrário do que os meios de comunicação oficiais afirmam, o desenvolvimento econômico nesse período foi acompanhado pelo crescimento da desigualdade e da injustiça social [...]”

Ainda segundo Wagner (2002) , respaldado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getúlio Vargas, o Maranhão possuía durante a década de 1990 o maior contingente de miseráveis do Brasil. Dados da saúde, educação, saneamento básico alocavam sempre os últimos lugares ao Estado. Reforçando esta assertiva, Rios (2005, p.101) destaca que:

"Na década de 90, o Maranhão experimentou ao longo de sua história, o maior processo de exclusão social, iniciando o século XXI na incômoda posição de último lugar do ranking nacional em diversos setores, entre os quais: falta de água tratada, de rede de esgotos, de coleta sistemática de lixos, renda inferior a dois salários mínimos, analfabetismo, etc., tudo isso associado à falta de investimento na agricultura familiar [...]. "

Essa realidade mudou? Vai de novo ao Google, por favor, e veja os dados mais recentes!

Como caminhar com um responsável direto pela matança da juventude negra no Maranhão como atestam os Mapas da Violência 2011 e 2012 sobre os Jovens do Brasil coordenados por sociólogos de renome nacional que demonstram o grau de extermínio que passa a juventude negra e pobre, moradora das periferias dos centros urbanos, neste país. 
No Maranhão, por exemplo, em 2011, o salto do extermínio da juventude pobre e negra foi brutal – mais de 300% de aumento da violência. O que fica explicito no próprio Mapa da Juventude: 

“Observando mais atentamente as Unidades Federadas, ficam evidentes modos de evolução altamente diferenciados, com extremos que vão do Maranhão, Pará ou Ceará, onde os índices decenais se elevam drasticamente” Nesse sentido, a capital do Maranhão, São Luís, sai do 23º lugar em 1998 para o 11º em 2008."

O Número de Homicídios na População de 15 a 24 anos por UF e Região no Brasil de 1998/2008 demonstra que o Maranhão saiu de 1998 de 74 homicídios para 455 homicídios em 2008, ou seja, um aumento alarmante e assustador, principalmente em se tratando da população negra. Em 2012 o quadro ainda é pior!

Além disso, como demonstra também, o professor Hertz Dias em sua dissertação de Mestrado na Universidade Federal do Maranhão , a juventude negra de São Luís tem sido vitimada por um bem elaborado projeto de extermínio que passa pela intensificação da guerra interna na periferia, com inúmeros métodos de potencialização por parte do Estado da violência nos bairros pobre e de maioria negra em São Luís. É com este governo que o “povo negro” está caminhando?

Como justificar as denúncias e provas apresentadas pelo advogado Diogo Cabral da Comissão Pastoral da Terra e da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA sobre a condição de “barbárie” na qual se encontra o campo maranhense com o extermínio de quilombolas e expulsão de suas terras por comparsas da família Sarney e com a conivência do Estado e do INCRA. Os dados para quem quiser ver estão nos Jornais “Vias de Fato”, mas também estão no Google. Por que será que esses que pertencem ao “povo negro” não conseguem olhar esses dados. Ou será que olham?

Mas podem acusar que Diogo Cabral é um potencial esquerdista ou que o “Vias de Fato” não é isento. Tudo bem? Então o que dizer do protesto na Baía de São Marco do grupo ecologista internacional Green Peace no qual militantes seus se acorrentaram em navios que atracariam no Porto do Itaqui para transportar materiais de empresas situadas no Maranhão que utilizam trabalho escravo, invadem terras indígenas, exterminam esses índios e destroem a natureza. Tudo isso, de novo! Com a conivência do Governo do PT e dos órgãos federais. Mas podem acusar o Green Peace de um grupo militante racial. 

Então o que falar da ONG “REPÓRTER BRASIL” que atesta para quem quiser ser honesto que o Maranhão dos Sarneys e do PT é um dos Estados que mais exporta trabalho escravizado no Brasil. Tanto é quem em 2007 diz assim a publicação dessa ONG : 

"Os dados apresentados [...] indicam os estados com maior número de libertações: Pará, Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Tocantins. Podemos considerar que esses estados, por terem grande número de escravos libertados, são os locais onde a exploração acontece com mais frequência. (p. 26) "

 Invasão do Haiti, desocupação de comunidades negras e quilombolas no Brasil, extermínio da juventude negra, potencialização da guerra interna na periferia pelo Estado, trabalho escravo e assassinatos de quilombolas e indígenas no Maranhão, destruição do meio ambiente... miséria... pobreza...desigualdade...racismo! Esse é o saldo de décadas de dominação da família Sarney agora apoiada e consolidada pelo Partido dos “Trabalhadores”- PT. É esse saldo que o chamado “povo negro” apoia e quer que continue a existir no Estado. Será que esse “povo negro” está preocupado com o povo negro, ou com seus salários comissionados nos gabinetes de parlamentares e do governo? 

Será que esse “povo negro” está preocupado com o povo negro, ou com seus privilégios das Secretarias sem orçamento e poder de decisão? 

Será que todos os “negros” foram aliados sempre do povo negro? Quem foram os capitães do mato? Será que os mercadores de escravizados eram todos brancos ou havia também “o povo negro” entre esses mercadores? Capitães do Mato e Traficantes negros de escravos, a história se repetindo como tragédia. 

É hora de mudar! Quilombo Raça e Classe do Maranhão, nós somos – também – o povo negro e não estávamos naquela fatídica caminhada!

* Rosenverck E. Santos - é professor da UFMA e militante do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe


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Ato homenageia 125 anistiados da Embraer

Metalúrgicos foram perseguidos durante ditadura militar

Num dia histórico da nossa categoria, um grupo de 125 ex-trabalhadores da Embraer recebeu, na última sexta-feira, dia 24, o pedido perdão do Estado brasileiro, por conta da perseguição que exerceu contra estes operários durante a ditadura militar.

Estes trabalhadores participaram das grandes greves de 1983, 84 e 88. Além de serem demitidos pela Embraer, que era estatal, tiveram suas vidas vigiadas pela repressão e não conseguiram mais arrumar emprego.

Quase 30 anos depois, o Estado reconheceu o erro cometido e todos foram anistiados.

Na cerimônia de sexta, ocorrida no Teatro Univap, os companheiros foram homenageados pelo Sindicato, pela Abap e pela Comissão de Anistia, representada pela vice-presidente Sueli Aparecida Bellato e a conselheira Rita Sipahi.

Num dos momentos mais importantes do ato, Sueli Bellato chamou ao palco o anistiado Zacarias Francisco Pereira, o mais velho de grupo e que representou todos os perseguidos pelo regime. Em nome do Estado brasileiro, a vice-presidente da Comissão de Anistia pediu desculpas ao anistiado pela perseguição sofrida. 

Além do título de anistiados políticos, o grupo receberá uma indenização, referente ao período retroativo, e uma pensão vitalícia.

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Caxias para os trabalhadores!!

UMA CANDIDATURA DE RAÇA E CLASSE 

E EM DEFESA DA LUTA DAS MULERES 
PARA OS(AS) TRABALHADORES(AS) 
EM DUQUE DE CAXIAS/RJ!


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A Revolta dos Malês - Já se vão 170 anos

Em 25 de janeiro de 1835, explodiu uma das mais importantes rebeliões de negros e negras da história do país: a Revolta dos Malês. Praticamente omitida pela historiografia oficial, a Revolta é uma lição de garra e luta pela liberdade. Mas também da perversidade das elites dominantes.


Uma explosão pela liberdade e contra a intolerância


A Revolta foi planejada por um grupo de africanos muçulmanos — negros de origem haussa e nagô, chamados de malês, devido ao fato de que, em ioruba, muçulmano é imale — formado, dentre outros, por Ahuma, Pacífico Licutan , Luiza Mahin, Aprício, Pai Inácio, Luís Sandim, Manuel Calafate, Elesbão do Carmo, Nicoti e Dissalu. A data escolhida, o amanhecer de 25 de janeiro, coincidia com um dia importante do ponto de vista religioso: o fim do mês sagrado muçulmano, o Ramadã, e dos tradicionais festejos religiosos dedicados a Nossa Senhora da Guia, que manteriam ocupados os católicos.


O objetivo da conspiração era libertar seus companheiros islâmicos e negros em geral e matar brancos e mulatos considerados traidores. Uma meta que traduzia a complexa combinação entre escravidão negra e perseguição religiosa, imposta pelos colonizadores católicos. 

Dois aspectos singulares influenciaram todo o processo. Em primeiro lugar, diferentemente da grande maioria dos negros (que compunham mais da metade dos cerca de 20 mil habitantes de Salvador) os malês sabiam ler e escrever em árabe. Além disso, boa parte dos líderes da Revolta, era formada por “negros de ganho” (escravos que faziam serviços urbanos, artesanato ou vendas, recebendo algo por isso) o que não só facilitava sua circulação pela cidade, mas também possibilitou que muitos deles comprassem sua alforria e, nos meses que anteriores à Revolta, adquirissem armas.

Nos dias que antecederam o levante, notícias davam conta de uma intensa movimentação, sobretudo de escravos vindos do Recôncavo Baiano para Salvador. Viriam unir-se ao líder Ahuma, que havia sido preso e estava sendo brutalmente castigado. Além disso, o respeitado Alufá Pacífico Licutan, vítima de constantes maltratos por parte de seu “senhor”, também encontrava-se preso na cadeia municipal. É certo que as agressões sofridas por esses dois mestres foi o estopim para por em prática a revolta há muito planejada.

O número de pessoas envolvidas na preparação da rebelião (entre libertos, escravos, islâmicos e gente que professa outras religiões) varia de acordo com a documentação entre 600 e 1.500, a grande esmagadora deles nascidos na própria África.

Traição e massacre

Antes mesmo de eclodir a Revolta foi denunciada por uma negra ao juiz de paz. A polícia invadiu, na noite de 24 de janeiro, a residência de Manuel Calafate, um dos locais de encontros e reuniões de africanos de fé islâmica. Resistindo à polícia, partiu dali um grupo de escravos que tentou assaltar a cadeia, ainda então instalada na parte baixa do prédio da Câmara Municipal. Outro grupo procurou avisar escravos e libertos malês que trabalhavam nas residências de cônsules e comerciantes estrangeiros. Reuniram-se cerca de 50 a 60 homens armados com pistolas, lanças, espadas e facas. Foram esses os que, primeiro, combateram com a polícia e atacaram o quartel que controlava a cidade.

De forma desorganizada, a Revolta tomou a cidade, mas, devido à inferioridade numérica e de armamentos, acabou sendo massacrada pelas tropas da Guarda Nacional, pela polícia e por civis armados que estavam apavorados ante a possibilidade do sucesso da rebelião negra. 

Durante os confrontos, morreram cerca de 70 negros e aproximadamente 10 soldados das forças repressoras. Com a derrota, centenas foram presos, sendo condenados à deportação (muitos para a África, algo até então inédito no Brasil), a brutais castigos ou à pena de morte. Na seqüência do evento, instalou-se na Bahia, sobretudo em Salvador e Santo Amaro, a mais generalizada e cruel repressão contra os escravos que estendeu a perseguição a outros malês. O temor provocado pela rebelião foi tamanho que a corte imperial proibiu a transferência de qualquer escravo baiano para qualquer outra região do país. 

Uma intifada negra

Muitas vezes apontada como uma rebelião de caráter puramente religiosa, a Revolta, na verdade, foi muito mais complexa. Como lembra João José Reis, autor Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835, em uma entrevista publicada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ``com o risco do anacronismo, diria que a revolta estava mais para Intifada do que para Jihad, embora a guerra santa tenha sempre algum lugar no coração de um muçulmano que se rebela``.

Além disso, o processo só pode ser entendido dentro do quadro de rebeliões negras que sacudiam a Bahia, desde o início do século em sucessivos levantes (1807, 1809, 1813, 1826, 1828 e 1830), envolvendo as mais diversas etnias e grupos. Em relação à predominância dos malês, favorecida pelos aspectos mencionados acima, também é importante lembrar que vários documentos apontam para o fato de que eles viam os demais negros como aliados em potencial.

Acima de tudo, apesar de derrotada, a Revolta serviu como inspiração fundamental para as lutas contra a escravidão, não só pelo exemplo que forneceu, mas também pelo envolvimento de muitos de seus líderes e participantes, como Luiza Mahin (veja abaixo) em outros processos. Uma lição que para nós, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU, continua viva na necessidade de travar uma luta sem tréguas contra o racismo, toda forma de intolerância e, particularmente, contra o sistema que alimenta estas práticas. O colonial, no passado; o capitalista, na atualidade.

Luíza Mahin: mulher guerreira

Esta africana guerreira teve importante papel na Revolta dos Malês. Pertencente à etnia jeje, alguns afirmam que ela foi transportada para o Brasil, como escrava; outros se referem a ela como sendo natural da Bahia e tendo nascido livre por volta de 1812. Em 1830 deu a luz a um filho, Luis Gama, que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista e escreveria as seguintes palavras sobre sua mãe: ‘‘Sou filho natural de uma negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luiza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã’’. 

Luiza Mahin foi uma mulher inteligente e rebelde. Sua casa tornou-se quartel general das principais revoltas negras que ocorreram em Salvador em meados do século XIX, dentre elas a chamada Grande Insurreição, de 1835. Luiza conseguiu escapar da violenta repressão desencadeada pelo Governo da Província e partiu para o Rio de Janeiro, onde também parece ter participado de outras rebeliões negras, sendo por isso presa e, possivelmente, deportada para a África.

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Claudicéa Durans: Uma candidatura de raça e classe!



Na última sexta-feira (11), aconteceu mais uma atividade da campanha do PSTU em São Luís. Diante de dezenas de ativistas do movimento negro, hip hop e de professores, foi feito o lançamento oficial da candidatura a vereadora de Claudicea Durans 16111.

Claudicéa Durans é professora do IFMA, dirigente licenciada do SINASEFE e um das mais importantes ativistas do movimento negro de São Luís. Em 2010, sua candidatura ao Senado foi marcada pelo combate à Oligarquia Sarney denunciando o corrupto João Alberto, obtendo quase 22.000 votos e tendo o vídeo do seu programa de TV milhares de visualizações no Youtube.

Estavam presentes no lançamento o candidato a prefeito pelo PSTU Marcos Silva e a vice Kátia Ribeiro.“Claudicea Durans tem uma história de luta desde a juventude no bairro da Liberdade contra o racismo” afirmou Kátia. Também prestigiou a atividade o militante histórico do movimento negro, Antônio Vieira que declarou apoio à candidatura de Claudicéa Durans.

“Minha candidatura estará serviço do combate ao racismo e à violência contra a mulher, denunciando a omissão dos governos, demonstrando que não há capitalismo sem racismo e que a saída é a transformação radical desta sociedade” finalizou a candidata Claudicéa Durans.
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21 de Março: Dia Internacional de Eliminação do Racismo!

A data de 21 de março foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o “Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial” em memória do Massacre de Shaperville, ocorrido em 1960, em Johanesburgo, na África do Sul, e que resultou na morte de 89 pessoas, além de ter deixado 186 pessoas gravemente feridas.

Naquele dia, cerca de 20 mil negros e negras protestavam contra a “lei do passe”, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

O crime praticado pelo regime do apartheid repercutiu no mundo inteiro e praticamente obrigou a aprovar uma convenção (da qual o Brasil é signatário) na qual se afirma que a “discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida.”

Um marco na luta contra o racismo

Massacre de Shaperville - 1963
Evidentemente, sabemos que a ONU e os países que assinaram a convenção jamais tiveram sequer a intenção de realmente eliminar o racismo. Contudo, o estabelecimento da data teve sua importância principalmente porque foi um reflexo das vigorosas lutas que explodiram em protesto ao Massacre de Shaperville e alimentaram os “corações e mentes” dos milhões que, mundo afora, se levantaram contra as opressões nos anos 1960.

Transformado em exemplo mundial da face mais asquerosa do racismo, o Massacre, por exemplo, impulsionou o ascenso das lutas pelos direitos de negros e negras pelos direitos civis e ações afirmativas, nos EUA, tendo inspirado a militância de ícones do movimento negro como Malcolm X, Martin Luther King e os Panteras. Todos eles referências, até hoje, para nossas lutas.

Novos tempos, novos massacres

A reação mundial ao massacre obrigou alguns países a adotarem medidas efetivas para diminuir o abismo racial. Contudo, como tudo mais na sociedade capitalista, as poucas conquistas que foram obtidas foram sendo retiradas no decorrer das décadas seguintes, uma processo que, lamentavelmente, se acentuou a partir do final dos anos 1980, quando os planos econômicos e a ideologia neoliberais resultaram em profundos ataques às populações historicamente marginalizadas, negros e negras em particular.

Nas últimas décadas, na América Latina, em países como Brasil, Bolívia, Equador e Uruguai, o neoliberalismo combinou-se com a política de conciliação de classes promovida pelas chamadas “frentes populares” ampliando ainda mais os ataques às populações historicamente marginalizadas, incluindo seus povos nativos (indígenas).

O resultado não poderia ser outro: mundo afora, a opressão racial voltou a se intensificar, sendo cada vez mais colocada a serviço da superexploração de milhões de trabalhadores, sejam eles negros ou negras, indígenas, migrantes e imigrantes, “chichanos” (latinos nos EUA) ou simplesmente “desterrados”, que vagam de país em país em busca de empregos e melhores condições de vida. Todos eles submetidos aos piores empregos e condições de trabalho, à precarização e à vulnerabilidade.

É isto que faz com que os setores realmente comprometidos com o combate ao racismo falem, hoje, em um processo de “genocídio” contra a população negra, particularmente seus jovens. Genocídio praticado com as armas na nuca nos bairros pobres e periféricos das principais cidades do mundo. Mas, também, um “massacre” cometido cotidianamente ao impedir o acesso dessa mesma população ao trabalho, à saúde de qualidade, à educação e tudo mais que possa lhes garantir uma vida digna.

Uma situação que se agravado ainda mais com a explosão da crise econômica mundial. Exemplo disto é a onda de ataques neonazistas que está ocorrendo neste exato momento em Toulouse, na França, onde (como a imprensa tem noticiado), um esquadrão de ex-militares já promoveu três ataques contra representantes da população árabe, judia e latina (de Guadalupe, no Caribe).

Como também, certamente, é o racismo que está por trás de como tratam a morte do jovem brasileiro na Austrália, também esta semana, e a infinidade de outros casos semelhantes que têm pipocado por Europa e Estados Unidos.

No Brasil, higienização étnico-social e criminalização da pobreza

Cinquenta e dois anos depois do Massacre de Shaperville, no Brasil, o racismo também tem assumido formas cada vez mais perversas. Além das práticas neoliberais, a aproximação dos chamados “grandes eventos” (Copa e Olimpíadas) tem alimentado políticas de higienização social e criminalização da pobreza que, sem margem de dúvidas, atingem mais intensamente a população negra.

E é lamentável que estas políticas estejam sendo levadas a cabo pelo “lulismo” (PT e PCdoB à frente) que, no discurso, sempre se disse comprometido com a luta anti-racista e a defesa do povo negro. Um discurso que, hoje, não resiste à própria realidade. E os exemplos, infelizmente, são muitos.

Afinal, foi o governo Lula (e, agora, o de Dilma) que promoveu a vergonhosa invasão do Haiti, um dos maiores símbolos da luta e da resistência negra. Como também, foi este mesmo governo que mutilou o Estatuto da Igualdade Racial (retirando dele pontos fundamentais como as cotas e a defesa das terras quilombolas, isso pra não falar na simples menção ao termo “raça”).

Se isto não bastasse, os governos do PT e do PCdoB tem se caracterizado pela cooptação da lideranças e grupos do movimento negro (com entidades como a CONEN e Unegro, à frente), levando a um imobilismo ou à negociação de nossas bandeiras históricas, em trocas de favores (cargos gabinetes, mandatos parlamentares e secretarias institucionais).

Estimulados por este imobilismo e, principalmente, acobertados e protegidos pelo próprio governo (em troca de favores espúrios e da aprovação de projetos no congresso), a “direita” e os setores mais conversadores do país têm, literalmente, promovido um verdadeiro festival de atrocidades racistas.

Comandados por sujeitos asquerosos como Bolsonaro, Malafaia, Garotinho ou a chamada “bancada cristã” estes setores têm se aproveitado da situação para promover todo e qualquer tipo de ataque contra negros e negras e demais setores oprimidos, principalmente gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros (LGBT) e mulheres.

Os lamentáveis reflexos disto na sociedade lamentavelmente podem ser encontrados todos os dias nas páginas dos jornais. Somente em São Paulo, por exemplo, a lista parece não ter fim.

No início de dezembro, uma estagiária perdeu o emprego no Colégio Anhembi Morumbi porque se recusou a alisar o cabelo; dias depois, um garoto etíope foi jogado para fora de uma pizzaria por ser “confundido” com um garoto de rua; enquanto isso, na USP, um estudante “rasta” foi brutalmente agredido por um policial e um jovem trabalhador mofava na cadeia acusado de um crime que não cometeu (como ficava evidente em vídeo gravado no seu local de trabalho).

E as histórias não param. No último fim de semana, todos viram a brutalidade de um ataque contra um jovem negro, em Embu das Artes, também em S. Paulo, e, há meses, também temos denunciado a política elitista e racista da maior universidade do país, a USP, que tem feito uma verdadeira campanha para desabrigar o Núcleo de Consciência Negra, fundado em 1988.

Para além das fronteiras de S. Paulo, a situação não é diferente. No Paraná, um jovem negro foi torturado por 48 horas; no Maranhão, há alguns dias, outra estudante, Ana Carolina, foi impedida de entrar na escola por ter uma cabelo “black” e, no Pará, jovens negras foram “oferecidas” como objetos sexuais para os detentos de uma prisão.

Junte-se a isto a onda de ataques homofóbicos e as constantes denúncias de agressões machistas e tem-se um quadro bastante desagradável da situação dos oprimidos. Uma situação em muito agravada por outro aspecto do projeto de “higienização” em curso: a contra-reforma urbana. Afinal, não é preciso muito esforço para se identificar a cor da maioria daqueles que residiam no Pinheirinho, na Favela do Moinho, na “cracolândia” ou nas áreas, em todo os países, das quais as populações estão sendo removidas em função das obras da Copa e do PAC.

No que se refere à população negra, este projeto tem assumido um caráter particularmente criminoso através da intensificação dos ataques aos povos quilombolas ou as comunidades tradicionais, como foram os casos recentes do Rio dos Macacos, na Bahia, e da Matinha, no Maranhão.

Retomar as lutas, para honrar os mortos de Shaperville

Diante desta inegável onda racista, a primeira presidente-mulher do país tem dado as costas aos oprimidos e intensificado suas alianças com os reacionário e, consequentemente, potencializado o aumento da violência, das ameaças, do genocídio e mortes dos negros, jovens e mulheres das comunidades ocupadas pela “polícia pacificadora”(UPPs), dos lideres quilombolas e indígenas, que estão em luta por seu direito a terra.

Contudo, isto, felizmente, não tem acontecido sem a resposta dos movimentos que lutam contra a opressão e exploração. Podemos dizer que há um processo de reorganização dos movimentos negro, de mulheres, LGBT, sindical e popular, no mundo e no Brasil. Um processo ainda incipiente, mas que tem cumprido um papel fundamental na organização da resistência e na luta contra a opressão, a exploração e a discriminação da sociedade capitalista.

É isto que podemos ver no atos promovidos, desde o ano passado, pelo “Comitê de Luta contra o Genocídio da Juventude Negra” (constituído em São Paulo, como mais de 25 entidades, dentre as quais o “Quilombo Raça e Classe”, filiado a CSP-Conlutas); na resistência quilombola e popular no Maranhão e no Rio dos Macacos; na continuidade da luta e solidariedade ao Pinheirinho; em campanhas como “meu cabelo é bom, ruim é o seu racismo”, que começam a se popularizar país afora ou nas muitas atividades que estão sendo programadas para este dia 21.

Esse é o único caminho possível para impedir a continuidade dos “massacres” (físicos, psicológicos, sociais e políticos) que continuam sendo promovidos pelos representantes do Capital contra a população negra. Só a luta sem tréguas, em alianças com os demais oprimidos e explorados, pode nos fazer honrar a memória de todos aqueles e aquelas que tombaram lutando pela verdadeira liberdade. Este é o nosso compromisso. E é para isto que convidamos a todos a se juntarem à luta, neste 21 de março e até a vitória.

Com informações de Julio Condaque e Maristela Farias
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Meu cabelo é bom, ruim é o racismo!


Por Claudicea Durans, pelo Quilombo Raça e Classe do Maranhão

Este foi o tema do Ato Público organizado por diversas entidades do Movimento Negro, realizado na manhã de sexta-feira (9) em frente à escola pública Unidade Estado do Pará no bairro da Liberdade em São Luís- MA.

O ato que ganhou repercussão na imprensa local, aconteceu em função da estudante Ana Carolina Soares Bastos, de 19 anos, ser impedida de entrar na escola por conta de seu cabelo black power e só poderia regressar a escola quando mudasse o estilo de penteado.

A estudante comenta que ao chegar à escola foi surpreendida pela diretora falando que tinha se espantando com os seus cabelos e pediu que se retirasse da instituição, depois não satisfeita perguntou por que usava o “cabelo daquele jeito”. Ana Carolina que é engajada no movimento negro e participa de bloco afro, respondeu que é o seu estilo, sua identidade como negra. Este fato aconteceu no final do mês passado e veio à tona por conta de denuncias da própria estudante.


Esta não é a primeira vez que situações como estas ocorrem nesta escola, há vários relatos de alunos, bem como de organizações afro-culturais de que foram impedidas de realizarem atividades pedagógicas junto ao corpo discente. A agremiação Netos de Nanã, grupo do próprio bairro, relata que várias vezes tentou construir atividades culturais de matrizes africanas na escola, mas foi impedida pela direção, o que levou a aproximação com escolas em bairros mais próximos.


As atitudes da diretora, há várias décadas à frente da escola, demonstra autoritarismo, total desprezo pela cultura africana e afro descentes, despreparo e desrespeito para lidar com a diversidade pluriétnica e multicultural, sobretudo quando pouco interessa para sua gestão a interlocução com a comunidade no qual se encontra a escola. Ela se situa no bairro da Liberdade, bairro este com
maior população negra de São Luís, considerado pelo movimento negro como o maior quilombo urbano do Maranhão, rico em manifestações culturais de origem africana.

Caso como este não é isolado, negros e negras tem vivenciado situações de humilhações e ofensas raciais diariamente em diferentes espaços públicos e que se expressam em distintas formas como: piadas racistas, batidas policiais, agressões físicas e morais, que muitas vezes não são denunciadas pelo constrangimento, humilhação, tristeza, frustrações e revoltas que causam às pessoas que as denunciam, mas precisam ser denunciadas para que sirvam de exemplos e possam de fato serem punidas já que o racismo é crime inafiançável e imprescritível.

O racismo tem diferentes facetas. A utilização de estereótipos negativos e a ridicularização das caracterís
ticas e tratos físicos é mais um aspecto desse racismo, que é em nossa análise, ao mesmo tempo silencioso, cruel e violento, age para negar a identidade negra, destruir os valores culturais, históricos e físicos desta população, destruindo a sua autoestima.


O fato dessa atitude discriminatória ter ocorrido na escola nos remete a reflexão que esta situação é comum no ambiente escolar e que a escola tem sido historicamente um instrumento de reprodução das ideologias dominantes, sendo o racismo, mais um elemento para garantir a opressão e a exploração sobre os negros.

A escola que deveria ser o espaço acolhedor de diferentes grupos étnicos, garantindo a todos igualdade,
liberdade de opinião, de culturas e identidades, exclui as camadas populares, nega sua história e constrói visões de mundo elitista, além de quem muitos negros (as) não tem acesso a ela.

Nós do Movimento Negro Quilombo Raça e Classe consideramos importante não só denunciar as práticas racistas, mas também as estruturas de poder que relegam ao negro a lugar da inferioridade.

Pelo Fim do Racismo!

do PSTU Maranhão 



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Rio dos Macacos - Marinha ameaça repetir Pinheirinho


O Movimento Negro Quilombo Raça e Classe, entidade filiada a CSP Conlutas vem declarar total apoio a luta dos irmãos e irmãs do Quilombo Rio dos Macacos, na Bahia, que nesse momento encontram-se sitiados em seu próprio território pelas forças repressivas da Marinha do Brasil que ameaçam invadir o território a qualquer momento.  Os quilombos são “paginas viva” do que tem de mais importante da História do Brasil e dos afros descendentes. Representam, acima de tudo, a resistência do povo negro ao maior crime da história da humanidade que foi a escravidão.

                 Os ataques ao Quilombo Rio dos Macacos se enquadram na política mais geral de limpeza étnica levado a cabo pela burguesia e pelos diversos governos desse país para atender interesses que não os dos trabalhadores e do povo negro. O governo Dilma não pode usar os mesmos expedientes que usou o governo de Geraldo Alckmin no massacre de Pinheirinho. Em São Paulo foi o PSDB que passou por cima de uma decisão do governo federal, desta vez a responsabilidade é do próprio governo Dilma de garantir que o acordo firmado na reunião do dia 27 de fevereiro, realizada dentro da comunidade com representantes do próprio governo, parlamentares e movimentos sociais em que o governo federal, de em suspensão da ação de despejo por cinco meses, seja respeitado.

                A Marinha do Brasil não pode invadir o Quilombo dos Macacos sem a anuência da chefa maior das forças armadas brasileiras que é a própria presidenta. O governo do PT não pode dar prosseguimento a política que as oligarquias agrárias tem empreendido em nosso país desde o início do processo de colonização/escravidão quando enquadravam os quilombos como organização de ameaça a ordem estabelecida.

                  A Fundação Palmares e o INCRA até o momento não fizeram nada de efetivo para impedir os ataques a dignidade humana que Marinha do Brasil vem desde a década de 1970 praticando contra o os moradores do Quilombo do Rio dos Macacos que estão impedidos de pescar, plantar e até de receber alimentos doados por outras organizações sociais. Não basta ter secretárias como acessório simbólico de políticas raciais, já que em sua essência só tem contribuído para mascarar a política de limpeza étnica dos governos. Dados de agosto de 2010 divulgados pela Comissão Pró-Índio de São Paulo apontam que em oito anos de governo do PT foram tituladas apenas oito terras de quilombos, num total de 2.847 existentes. Uma por ano.

                Não é mais possível considerar como aliado um governo que ataca direitos históricos, políticos e sociais do povo negro e da classe trabalhadora de maneira geral.  Fazemos um chamamento a todos os movimentos sociais deste país para engrossar as fileiras de luta em defesa do Quilombo Rio dos Macacos.

                    Nesse momento é preciso que a história dos Malês e de todos os quilombolas deste país seja resgatada com exemplo de ousadia e luta contra a exploração e a opressão. Contra mais esse crime contra o povo negro, Somos Todos Quilombo do Rio dos Macacos.
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8 de Março - A Luta da Mulher Negra


Março/2012
Boletim  do Movimento Nacional

Quilombo Raça e Classe

8 DE MARÇO

DIA INTERNACIONAL de LUTA

Das MULHERES TRABALHADORAS

Nesta data – 8 de Março, nós mulheres temos um grande desafio, diante da realidade colocada no mundo em que cada vez mais, o capitalismo através do imperialismo, utiliza e explora os setores oprimidos (mulheres, negros e homosexuais). Infelizmente Dilma, em nosso país tem cumprido “muito bem” este papel, quando reduz mais uma vez o orçamento (55 bilhões), congela salários, não implementa políticas conseqüentes de moradia, de terras quilombolas, indígenas e rurais, não constrói de fato creches, ou quando propõe uma MP (557) que é um verdadeiro controle sob o direito das mulheres. A política que vem aplicando para as trabalhadoras não está a serviço da ascensão delas, senão da manutenção da política que privilegia os interesses dos grandes banqueiros e empresários. Esta data histórica de luta tem que estar colocada para as mulheres do mundo inteiro ir às ruas gritarem e lutar por seus direitos, e por uma sociedade realmente igualitária, sem opressores nem oprimidos, imploradores e nem explorados.

AS MULHERES, NUMA PERSPECTIVA NEGRA!

A opressão das mulheres negras está calcada na desigualdade, na falta de oportunidades e conseqüente acesso a saúde, moradia, educação, trabalho bem como no machismo, e falando de gênero, temos que ressaltar o quanto a mulher ainda é discriminada, tanto no ambiente familiar como no de trabalho, principalmente a mulher negra, a qual é triplamente oprimida, digo isto, por que! Além de ter que enfrentar o machismo, a exploração, sofre com o racismo.
Facilitado muito pela questão, que na classe trabalhadora hoje há um percentual de mulheres que representam 51,3% da população com mais de cinco anos de idade e 50,5% das estudantes. Além do que as mulheres apresentam maior escolaridade 23,2% do que os homens com 20, 1% (Dados do IBGE). Porém, um maior nível de instrução não traduz em maiores rendimento pelo contrario, para trabalho igual salário menor para as mulheres. No casso das mulheres negras, a situação é mais grave, pois além de ganhar menos tem que provar a todo o momento a sua capacidade.
Há na sociedade um “Racismo não declarado”, o que tem a ver com “a política de estado do Mito da Democracia Racial”, que leva milhares de alunas negras a enfrentarem diversos preconceitos em sala de aula, que contribui e muito para essas meninas terem uma marca negativa na sua auto-estima e na sua identidade de mulher, negra e trabalhadora que se reflete nas dificuldades que os negros (muito mais as mulheres negras) enfrentam cotidianamente, como nas dificuldades de acesso e ascensão no mercado de trabalho, a educação, bem como, o acesso restrito à saúde, resultado que facilita as mulheres negras, morrer sete vezes mais do que as não negras no parto. Onde vemos que as “ditas minorias” são sempre relegadas a segundo plano, e em todos os âmbitos da sociedade brasileira – Muitas vezes potencializando a opressão e favorecendo a exploração!

Nem os mais exitosos sobreviventes do Haiti desde o terremoto – as mercadorias dos supermercados centrais – escaparam das indissolúveis cadeias que representam o terremoto social do imperialismo norte-americano e europeu.  Mesmo inundado por “organizações humanitárias da ONU, ONG`s”, o Haiti segue faminto e sem políticas públicas. O que isso só pode significar, numa conjuntura em que não há comida suficiente a todos, a seguinte estatística: aumento da violência contra a mulher, na busca por alimentos. E é necessário distinguir a causa da fome e a operação das conseqüências. Pois nem chega perto das taxas monstruosas dos casos de violência praticado contra as haitianas pelos soldados da MINUSTAH, que fornecem de maneira bárbara comida em troca de sexo, de silêncio forçado e de outros trabalhos humilhantes às heróicas mulheres do Haiti!
  
21 de março dia internacional de luta contra o racismo

Basta de Racismo no BRASIL e no mundo!

Em 1960, na cidade de Joanesburgo na luta contra o Apartheid da Africa do Sul e contra o regime segregacionista entre negros e brancos imposto pela colonização inglesa, ocorreu a morte de centenas de jovens e crianças negras indefesas com uniformes escolares, que vinham em passeata pacífica, cantando hinos da unidade africana, e que foram bárbaramente massacrados e alvejados pelos policiais que atiraravam para matar. Por isto, o Movimento Negro vai às ruas na data de 21 de Março, tormou-se uma data de luta para questão racial  à nível mundial.


 LUTAR NÃO É CRIME, LUTAR É UM DIREITO!


A violência contra a mulher ainda é um ponto maléfico desta sociedade machista, racista e capitalista. Onde a mulher passa a ficar na condição de coisa e o homem é o senhor dono do corpo e vida da mulher. Quando se trata do corte de classe essa situação fica mais perversa, pois a classe trabalhadora se enfraquece todas as vezes que uma mulher é espancada por um homem trabalhador. Esse ato contribui para fortalecer ainda mais a opressão e a superexploração das mulheres trabalhadoras.
Mas a violência do estado e de seu braço armado tem atacado cada vez mais homens, mulheres, jovens e crianças negras e pobres, nos dias de hoje, implementando uma verdadeira política higienista. Como quando acontecem os casos de enchentes e desabamentos, como no Rio de Janeiro em 2009 e 2010, e até hoje as pessoas continuam desabrigadas; Ou quando também no Rio, o governador sobe a favela da Rocinha e diz: - Que as mulheres as mulheres são fábricas de marginais, e ocupa os morros com uma “política de segurança” e “racismo de estado”e aprofunda o genocídio da população negra como as UPPs, que não asseguram  nada, só cerceiam o direito de ir e vir dos moradores das comunidades.
Quando vemos, em vários estados do Brasil por onde haverá jogos da copa e olimpíadas em 2014/2016, uma verdadeira faxina étnica nas cidades, onde as ocupações urbanas e até mesmo comunidades inteiras existentes a mais de cinqüenta anos estão sendo expulsas ou “removidas” de qualquer forma, geralmente são empurrados para localidades rurais bem distantes dos centros urbanos, nem sempre com seus direitos assegurados; Ou quando o governo na busca desenfreada do progresso ou da manutenção de interesses políticos/econômicos de determinados grupos, se abstém de garantir os direitos a terra da população indígena, quilombola, ribeirinha, rural, como a ameaça de despejo agora no mês de Março, que a comunidade quilombola do Rio dos Macacos na Bahia está sofrendo;
O ápice destes ataques desenfreados está sendo implantado em São Paulo, não só pelo número seguido de casos de racismo em tão pouco tempo, como pela forma ditadora e violenta que o PSDB vem aplicando em seu governo, a exemplo de que forma a cracolândia está sendo removida, a coincidência de incêndio nas ocupações próximas ao centro, e pior ainda, de que forma desabitaram a comunidade do Pinheirinho em São José dos Campos, com uma repentina ação policial, às 06:00h da manhã de um Domingo, de forma truculenta e usando violência desmedida para cumprir a ordem do governo do estado e da prefeitura da cidade (ambos do PSDB), para que pudessem estar garantindo a especulação imobiliária de Naji Nahas, desabrigando milhares de homens, mulheres e crianças.

Igualdade Racial só será alcançada com as Reparações, Já!

·         Abaixo a Criminalização da Pobreza e as UPPs: queremos Trabalho, Moradia, Educação e Saúde 100% Estatal Pública.

·         Basta de Crimes Racistas, Machistas e Homofóbicos: pela condenação dos culpados!

·         Salários dignos e concurso público com cotas para negros e negras: Salário igual para trabalho Igual

·         Contra o Genocídio da Comunidade Negra e jovem

CONTATOS:
quilomboracaeclasse.nacional@hotmail.com

TEL: 11-89278287 / 21-87701099 – Julio
         21-86493543 - Maristela
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