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PERiGO: ACORDO COLETIVO ESPECIAL


O ACORDO COLETIVO ESPECIAL (ACE) E A FLEXIBILIZAÇÃO TRABALHISTA

Reportagem veiculada pela Agencia Estado (23/05/12) informa de reunião envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados (dep.Marco Maia do PT/RS), diversas lideranças partidárias daquela casa e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC). Na reunião o sindicato apresentou a sua proposta de Anteprojeto de lei que muda a legislação trabalhista criando o Acordo Coletivo Especial (ACE) e pede celeridade para aprovação do mesmo. O SMABC é um dos sindicatos mais importantes do país, o que já basta para se levar a sério a proposta apresentada. Se somarmos a isso o apoio anunciado da CUT, algumas outras centrais sindicais e do próprio Presidente da Câmara à proposta temos uma situação que exige uma pronta resposta de todos os que resistem à flexibilização dos direitos dos trabalhadores.

A exposição de motivos do Anteprojeto de Lei que trata do Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico (nome oficial da proposta) critica a legislação trabalhista existente. Ela seria “extensa e detalhada, nem sempre adequada à realidade dos trabalhadores e das empresas”, e necessitaria “atualização”. Acusa os “setores conservadores” de resistirem contra as tentativas de “reforma no sistema de relações de trabalho por meio do dialogo social e da negociação tripartite”. E defende as mudanças contidas no Anteprojeto como sendo necessárias para que o sindicato e empresas possam estabelecer acordos que respondam às suas necessidades específicas com a “indispensável segurança jurídica”(os trechos entre aspas foram retirados da cartilha sobre este tema elaborada pelo SMABC).

Não se trata de coincidência apenas, o fato de os argumentos serem tão parecidos com aqueles que embasaram a proposta de mudança do artigo 618 da CLT (para que prevalecesse o negociado sobre o legislado) que o governo FHC tentou aprovar no Congresso Nacional em seu segundo mandato. Ela veio como reação à várias decisões judiciais e ações do Ministério Público do Trabalho que anularam acordos coletivos feitos por sindicatos pelegos (notadamente da Força Sindical) que lesavam direitos dos trabalhadores. Tratava assim de dar “segurança jurídica” à pilantragem praticada por estes sindicatos e empresas. A mesma segurança jurídica buscada agora pelo SMABC (que naquele momento, junto com a CUT, rechaçou a proposta do governo do PSDB).

O Anteprojeto apresentado agora tem o mesmo conteúdo da proposta apresentada naquele momento pelo governo FHC. Se aprovado, trará à nossa classe prejuízos da mesma ordem que traria aquela proposta, caso tivesse sido aprovada naquele momento. Deve, portanto, ser veementemente rechaçado por todos os trabalhadores e pelos sindicatos que tem compromisso com os seus representados e não com as empresas.

O Anteprojeto de Lei

Uma análise, ligeira que seja, do Anteprojeto apresentado, permite ver claramente este seu objetivo. O artigo 1º estabelece que “esta lei dispõe sobre a negociação coletiva e o Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico”, e no artigo 2º, inciso III, a lei considera “condição específica de trabalho, aquela que, em decorrência de especificidade da empresa e da vontade dos trabalhadores justificam adequação nas relações individuais e coletivas de trabalho e na aplicação da legislação trabalhista, observado o artigo 7º da Constituição” (grifos meus). A partir daí vem encheção de lingüiça para dar um ar progressivo à proposta.

Está nesta idéia – autorização para adequação na aplicação da legislação trabalhista conforme especificidade da empresa (tucanês para flexibilização) – o ponto central do projeto. O SMABC fundamenta toda a argumentação em defesa dessa proposta na alegação de que a legislação atual “tolhe a autonomia dos trabalhadores e empresários”, impedindo um “equilíbrio mais consistente”. Chega a dizer que “onde existe controle excessivo e regras engessadas, a liberdade morre” (cartilha do sindicato).

A interpretação otimista desta argumentação é que, para o sindicato, a presença de uma legislação trabalhista ultrapassada supostamente estaria se constituindo em obstáculo a que os trabalhadores conquistassem avanços em suas relações de trabalho. Só que isto não se sustenta, e por um motivo muito simples: a legislação trabalhista em vigor não impede (nunca impediu) que fossem firmados acordos coletivos com condições mais favoráveis aos trabalhadores do que aquelas estabelecidas na lei. O que não pode é firmar acordos com condições piores do que as previstas na legislação (em alguns poucos casos, é bom que se diga, pois a legislação trabalhista já é excessivamente flexível).

Ficamos então com a única interpretação razoável: a de que o real objetivo do anteprojeto é garantir mais espaço (segurança jurídica) para a flexibilização dos direitos dos trabalhadores. Essa interpretação é amplamente corroborada pelo exemplo apontado pela cartilha, como precursor do tipo de relações de trabalho pretendido com o ACE: o das Câmaras Setoriais do setor Automotivo, constituídas entre as montadoras e o SMABC no início dos anos 90 do século passado e que tiveram, de acordo com a cartilha já citada, resultados “espetaculares”. Nestes acordos, para quem não se lembra, o governo entrou com a sua parte (redução de impostos e outros benefícios para estas empresas); os trabalhadores, além de aceitarem passivamente uma ampla reestruturação do processo de produção das empresas, abriram mão de benefícios e direitos. E as empresas...bem, vejamos os números.

No ano de 1992 (ano em que se assinou o primeiro acordo das Câmaras Setoriais), as montadoras de veículos em nosso país produziram 1.017.550 unidades empregando 105.664 trabalhadores, com faturamento de 30,363 bilhões de dólares. Dez anos depois, em 2002, estas empresas fabricaram 1.700.146 veículos, empregando 81.737 trabalhadores e  faturamento de 41,894 bilhões de dólares (os dados são do anuário da ANFAVEA – Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores).

Como se vê, o grande argumento do Sindicato, de que os trabalhadores manteriam seu bem maior - o posto de trabalho - era apenas mais uma falácia. O numero de trabalhadores nestas empresas no ano (1992) da assinatura do primeiro acordo (que deu base aos demais), era 105.664. Nos anos seguintes foram assinados vários acordos no âmbito das Câmaras Setoriais que retiraram direitos e benefícios dos trabalhadores – surgiu aqui o famigerado banco de horas, que depois evoluiu para banco de dias. Em que pese as enormes concessões feitas pelos trabalhadores, passados 10 anos, em 2002, o número de empregos no setor havia caído para 81.737 (mesmo com o aumento da produção de 1 milhão para 1,7 milhão de veículos/ano).

A flexibilização de direitos e eliminação de benefícios continuam até hoje.  A sobrecarga de exploração sobre os trabalhadores se vê claramente na evolução do índice de produtividade alcançado pelas empresas com as mudanças inauguradas com as Câmaras Setoriais: em 1980 as empresas produziam 7,8 veículos por trabalhador por ano enquanto que em 1992 (quando foi assinado o primeiro acordo das Câmaras Setoriais) eram 9,6 veículos por trabalhador/ano. Dez anos depois, em 2002, saltou para 20,8 veículos por trabalhador/ano.  E isso não é fruto apenas de inovações tecnológicas. A explicação deste fenômeno passa também pela aplicação do critério da multifuncionalidade e de um aumento infernal no ritmo de trabalho. Em 2010 as empresas conseguem atingir a marca de 28,7 veículos por trabalhador/ano, e um faturamento de 83,586 bilhões de dólares. Ou seja, para as empresas os resultados dos acordos das Câmaras Setoriais foram realmente “espetaculares”.

A importância desta discussão nos dias de hoje

Uma das conseqüências da crise na economia capitalista que se inicia em 2007 (quando se identifica com mais clareza uma queda na taxa de lucros das grandes corporações capitalistas) é justamente a reestruturação do setor automotivo, em meio a uma acirrada disputa do mercado pelos principais fabricantes do mundo. Uma das caras desta reestruturação é o fechamento de fábricas (queima de capital) como vimos no caso da GM nos EUA (a empresa fechou 18 fábricas nos Estados Unidos no auge da crise que viveu entre 2008 e 2010). Mas outra faceta, bem mais generalizada, destas políticas de reestruturação é o constante esforço para redução de custos. E a eliminação ou redução de benefícios e direitos dos trabalhadores é o caminho mais comum de redução de custos buscado pelas empresas. Trata-se de uma política generalizada das empresas, não só das montadoras de veículos.

As várias tentativas de Reforma da legislação trabalhista (que ora se denomina de reforma trabalhista, ora de reforma sindical) tiveram e têm justamente este objetivo: criar condições para uma nova leva de flexibilização, redução ou eliminação de direitos e benefícios dos trabalhadores, atendendo à necessidade das empresas. A PEC 369 (da Reforma Sindical) apresentada no Congresso Nacional em fevereiro de 2005 pelo governo Lula, pela CUT e pela Força Sindical, objetivava criar estas condições. Mas está ainda parada na Câmara dos Deputados com poucas chances de aprovação no curto prazo. O SMABC quer, com o ACE, criar as condições para a flexibilização necessária da legislação trabalhista através da negociação coletiva, de forma a que possa fazer concessões às políticas de redução de custos para as montadoras  e outras empresas estabelecidas no ABC paulista. A CUT, ao apoiar esta proposta, chancela esta política para todo o país, com resultados trágicos para os trabalhadores, caso consigam aprovar este Anteprojeto de Lei.

As mudanças na legislação não podem ser para pior

Rechaçar as mudanças propostas neste Anteprojeto de Lei não implica considerar que a legislação trabalhista vigente é suficiente em termos da defesa dos direitos dos trabalhadores. Longe disso. Para que haja um pouco mais de liberdade de atuação sindical dos trabalhadores, como reclama a cartilha elaborada pelo sindicato em defesa do ACE, de forma a que estes possam avançar em mais conquistas nas relações de trabalho, são necessárias sim, muitas mudanças. Mas não mudanças no sentido da flexibilização.

Aprovada esta proposta estariam legalizados acordos que, por exemplo, permitissem a divisão das férias em mais de dois períodos; o pagamento parcelado do 13.º salário, até mesmo em parcelas mensais; a ampliação do banco de horas sem limites; contratação temporária e terceirização dentro das empresas sem nenhum limite; além de outras manobras. O sindicato poderia argumentar que estes acordos dependeriam de aprovação dos trabalhadores. Verdade. Mas quem não conhece o poder de chantagem das empresas sobre seus empregados, em particular nos momentos de crise econômica? Qual dirigente sindical no setor privado nunca se enfrentou com uma situação em que a empresa propunha “reduzir salário ou demitir trabalhadores”? Como pode o trabalhador decidir livremente nesta situação?

Mesmo a aparente vantagem contida na proposta – a implantação de organização de base ligada ao sindicato nas empresas que quisessem realizar um acordo desta natureza – mostra-se uma mera cortina de fumaça. Trata-se de organização de base subordinada ao sindicato (e não aos trabalhadores da empresa) e ainda por cima vem condicionada à negociação de um acordo que rebaixa direitos legais dos trabalhadores. Não é para isso que lutamos há anos pelo direito de organização dos trabalhadores nos locais de trabalho.

Alguns desafios que poderiam ser abraçados por todos os sindicatos

Um exemplo que podemos apontar é a necessidade do estabelecimento em lei da proteção contra a demissão imotivada (adoção da convenção 158 da OIT), sem o que é pura falácia falar em liberdade sindical ou liberdade de negociação. Enquanto não houver a proteção contra demissão imotivada, apenas se poderá falar em liberdade de atuação sindical ou de negociação para os dirigentes sindicais, mas não para os trabalhadores. Outro exemplo é a necessidade de se assegurar proteção legal ao direito de organização no local de trabalho, do qual pelo menos os trabalhadores da iniciativa privada estão excluídos.

Estas são duas medidas em torno às quais vale a pena fazer uma grande campanha de pressão pela sua aprovação no Congresso Nacional. A este desafio deveriam lançar-se todas as entidades sindicais comprometidas com os trabalhadores: denunciar a proposta apresentada pelo SMABC e pressionar contra a sua aprovação no Congresso Nacional, ao mesmo tempo em que exigimos dos parlamentares a aprovação de leis que realmente beneficiem a nossa classe, como a proteção contra a demissão imotivada e a proteção do direito de organização no local de trabalho.

São Paulo, 17 de junho de 2012

Zé Maria, diretor da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais e da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas
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Petrobrás e antiga federação preparam a desmobilização dos trabalhadores. A FNP resiste!


Petrobrás omite posição da FNP sobre proposta de antecipação do IPCA


Assim como ocorreu no ano passado, a Petrobrás está propondo no início das negociações do ACT 2012/2013 uma proposta de antecipação de reajuste pelo IPCA (5,24%) nas tabelas salariais e na Remuneração Mínima (RMNR).

Embora a empresa afirme que “a concessão da reposição da inflação antes mesmo do início das negociações demonstra a predisposição da companhia em buscar atender às reivindicações…”, sabemos que esse é, na verdade, mais um mecanismo usado pela empresa, em parceria com a FUP, para desmobilizar a categoria. Fracionar a negociação não é uma novidade e a categoria, por experiência própria, sabe que este artifício enfraquece a luta.

A FNP já discutiu a antecipação com a empresa na 1ª mesa de negociação, que ocorreu no dia 5 de setembro. Mesmo sabendo do prejuízo que tal antecipação significa, uma vez que limita nosso poder de exigência nas negociações, os dirigentes da FNP ressaltaram que se há interesse da empresa em realizar a antecipação, que ela então seja feita com base em nossa reivindicação. Ou seja, 10% de ganho real e o ICV-DIEESE, o que totaliza aproximadamente 16% – incorporados ao salário básico da categoria (ativos, aposentados e pensionistas).

A FNP lamenta o fato de que o RH Corporativo, conduzido pelo ex-sindicalista e hoje gerente Diego Hernandes, tenha omitido o posicionamento da FNP quanto à antecipação. Isso porque no dia 5 de setembro, por meio de ofício (clique aqui e leia), a FNP enviou à companhia a sua posição sobre a antecipação. Entretanto, até hoje nenhuma linha sobre tal pleito foi divulgada pelo RH Corporativo aos empregados.

Com isso, mais uma vez, Diego Hernandes demonstra sua inclinação em favorecer a FUP, uma vez que dá tratamento diferenciado às duas federações. De um lado, amplo destaque e cobertura privilegiada; de outro, omissão de nossos pleitos e informações fragmentadas. Para piorar, tenta a qualquer custo atropelar as negociações, já que o mesmo RH diz que o limite para assinatura do Termo de Compromisso para ter direito a receber o IPCA (5,24%) no dia 25/09 é o dia 13/09, justamente no dia da reunião com a FNP. Tal conduta é uma afronta aos petroleiros representados pelos sindicatos que formam a FNP.

Nos dias 13 e 14, a FNP e a Petrobrás voltam a se reunir no Edise, Rio de Janeiro, para retomar as discussões do ACT. Na ocasião, serão discutidos todos os itens da pauta reivindicatória da categoria. Esse detalhamento da pauta foi uma exigência dos dirigentes durante a primeira reunião, uma vez que a empresa insiste em discutir apenas as cláusulas econômicas. Além disso, aproveitaremos a oportunidade para cobrar da empresa mais transparência em seus informativos.

Logo após os encontros com a empresa, a Diretoria Executiva da FNP irá se reunir para fazer o balanço da reunião e divulgar à categoria, em seguida, o resultado das negociações, com a definição de indicativos e calendário da campanha reivindicatória.

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Questionado se cortaria o ponto de grevistas, uma vez eleito, Marcelo Freixo (PSOL) responde: 'depende'

A entrevista de Marcelo Freixo (candidato do PSOL à prefeitura do Rio) no RJTV da Rede Globo, no último dia 22, causou grande estranheza e preocupação nos movimentos sociais cariocas, principalmente entre aqueles lutadores e lutadoras que estão em greve neste momento e apoiam a sua candidatura.

O entrevistador Márcio Gomes não poupou esforços em jogar a candidatura de Freixo à esquerda, em uma clara tentativa de lhe colar um perfil de radicalidade e inviabilidade diante do eleitorado. Esforços em vãos de Márcio Gomes. O corajoso deputado não vacilou em responder categoricamente que terá pulso firme diante de possíveis greves em seu mandato como prefeito, como mostra o seguinte diálogo:

Márcio Gomes:
- Você como prefeito enfrentando uma greve em um serviço essencial, como é que vai se posicionar? Vai ter pulso firme?
Marcelo Freixo:
- Sim, claro!
Márcio Gomes:
- Vai cortar o ponto?
Marcelo Freixo:
- Depende, depende da situação. Depende do setor, depende da negociação, depende do que tiver acontecendo.

O candidato ignorou que foi justamente o golpe baixo e covarde do corte de ponto que a presidenta Dilma utilizou para tentar desmontar a forte greve do funcionalismo federal. Somente no setor da educação a adesão alcançou mais de 70 instituições. A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal também estão em greve e ampliaram seus movimentos para enfrentar essa medida autoritária do governo. IBGE, Receita, Anvisa, CNEN, Ancine, Anatel, ANTT, Incra, Arquivo Nacional engrossam a maior greve já enfrentada pelos governos do PT.

Sinceramente, não esperávamos esta postura de Freixo. A expectativa era justamente o contrário, ou seja, que Freixo utilizasse o espaço em horário nobre da rede Globo para fortalecer o justo e necessário movimento grevista. Quando o candidato do PSOL responde que “depende”, quer dizer que pode cortar o ponto ou não. “Depende” da situação. Então, nos responda deputado: em que situação é justo cortar o ponto dos trabalhadores que lutam por melhores salários?

Não esperamos que o candidato do PSOL, que tem atualmente 12% das intenções de voto, tenha posições revolucionárias ou fale de socialismo na TV. Mas esperávamos ao menos que ele defendesse um direito elementar assegurado pela limitada Constituição Federal.

Em seguida, Marcelo completa: “A possibilidade de greve com a gente é muito menor do que com qualquer outro” . Essa declaração é no mínimo pretensiosa. Vale lembrar que Lula em 2003, praticamente recém-empossado, com todo seu carisma e gozando de amplas expectativas dos trabalhadores, enfrentou uma poderosa greve contra a reforma da Pprevidência. Podemos buscar exemplos mais distantes, como as greves operárias e os cordões industriais no Chile de Allende na década de 70. Enfim, a popularidade de Freixo, apesar de alta, não pode ser comparada nem mesmo com a de Brizola na década de 80 e 90, quando os educadores foram à greve inúmeras vezes e questionaram os prestigiados CIEP’s. Marcelo Freixo não tem bola de cristal e não pode prever que em sua suposta prefeitura não terá greves. Tampouco é Freixo quem decide isso, mas sim os trabalhadores.

Na verdade, o que está por trás do “depende”, é uma tentativa insistente de conquistar a confiança da burguesia carioca.

“A gente não faz alianças espúrias para chegar ao poder”, disparou o candidato do PSOL. Não foi bem isso que a própria militância aguerrida do PSOL assistiu nos meses que antecederam a inscrição das candidaturas. Marcelo Freixo buscou apoio do PV de Gabeira e Zequinha Sarney. O mesmo PV que de verde não tem nada e recebe financiamento de empresas que são inimigas do meio ambiente como a Natura, Aracruz Papel e Celulose, a madeireira Madelongo e a mineradora Anglo Gold.

Em seguida, foi a vez de conversar com Romário do PSB, partido da oligarquia latifundiária pernambucana, que usa indevidamente o “socialista” no nome. Mas foi apenas na sua última tentativa, que Marcelo obteve êxito em sua busca insaciável de ampliar o arco de alianças (à direita): já se vê pela cidade placas de Andréa Gouvêa Vieira (PSDB) em apoio à Freixo. Seguramente, a militância do PSOL e os movimentos sociais estariam muito mais à vontade se Freixo tivesse aceitado a proposta do PSTU em conforma uma Frente de Esquerda.

Outro momento marcante da entrevista foi quando Freixo reprovou a atuação da deputada estadual Janira Rocha (PSOL) na greve dos bombeiros em fevereiro deste ano: “Não acho que esse deve ser o papel de um parlamentar” – em referência ao apoio e a articulação da deputada com o cabo Benevenuto Daciolo, expulso da corporação por lutar por dignidade e melhores salários. Mais uma vez Freixo decepcionou. Poderia utilizar o espaço da Globo para denunciar que Cabral demitiu covardemente 13 pais de família e pedir a reincorporação dos bombeiros. Esta sim seria, em nossa opinião, a postura de um deputado de luta. Janira Rocha acertou em cheio naquele momento em se postar junto à greve da segurança pública. De que lado estava Marcelo na greve dos bombeiros em 2012?

Os militantes socialistas podem e devem ficar muito preocupados com as declarações de Marcelo Freixo. Mas talvez, o mais preocupante seja o silêncio absoluto das correntes internas do PSOL. Sabemos que há uma enorme diversidade no interior deste partido, correntes de diferentes matizes e tradições. Inclusive, há correntes que se reivindicam trotskistas e herdeiras da IV Internacional. Não pode ser que continuem caladas diante do ocorrido e ajam como torcedores, que se contorcem de nervosismo a cada momento em que Freixo marca um gol contra.

O caminho da institucionalidade, das amplas alianças com os “setores honestos da burguesia” e da “ética na política” são um atalho para o desastre. É um idealismo platônico acreditar que a República pode ser governada por homens e mulheres competentes e honestos, que guiarão o povo e todas as suas classes pacificamente à dias melhores.

O PT destruiu uma geração de quadros forjados no calor da luta de classes na década de 80, que passaram a vida tentando eleger Lula, e o fizeram. Hoje estão muito bem acomodados nos palácios dos podres poderes e a realidade do país fala por si.

A esquerda socialista não tem o direito de repetir essa história, e Marcelo Freixo tem uma grande responsabilidade em mãos.



Thiago Hastenreiter, do Rio de Janeiro (RJ)

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PSDB parabeniza o governo, enquanto Eike Batista comemora o "kit felicidade"

Reunidos com empresários e políticos, a presidente Dilma Rousseff anunciou, no último dia 15, um plano de privatizações no qual repassará ao setor privado concessões para a exploração de rodovias e ferrovias. Com o chamado Programa de Investimento em Logística, o governo espera viabilizar investimentos de R$ 133 bilhões ao longo dos próximos 30 anos.

Entre os objetivos dos programas anunciados se incluem a construção de 7.500 quilômetros de rodovias e 10 mil de ferrovias. Elas seriam construídas por meio das Parcerias Público-Privadas (PPP's) e administradas pelo capital privado. Para quem não se lembra, as PPP's são uma modalidade na qual os investidores entram com parte do capital para a expansão dos projetos, tem a administração dos mesmos cobrando tarifas (pedágios, taxas etc.), e ainda a salvaguarda do Estado para eventuais perdas e prejuízos. A modalidade virou coqueluche do governo Lula e até do PSDB em São Paulo, como é o caso da linha amarela do metrô.

No caso das rodovias, as empresas privadas só poderão cobrar pedágio após a construção de pelo menos 10% de cada trecho contratado, ou seja, o pedágio será cobrado mesmo que ainda falte 90% das obras. Segundo o governo, o monopólio sobre os 10 mil de quilômetros de ferrovias ficaria aberto a todos os interessados no transporte de cargas. Apenas 28 mil quilômetros de ferrovias restaram após a "privataria tucana". Em todas elas vigora o monopólio das empresas concessionárias.

O governo diz que deseja mudar essa situação, porém, não explicou como irá mudar as antigas regras de concessões. Por outro lado, já existe uma gritaria por parte dos empresários, preocupados com a "instabilidade" gerada pelas "quebras de contrato". O fato é que há todo um setor da burguesia interessado em mudar as regras, pois a exclusividade do uso das ferrovias por um punhado de empresas privadas se tornou um obstáculo para os lucros do agronegócio e do setor minerário, os maiores beneficiados pelo pacote de Dilma, além do setor da construção civil.

Também há dúvidas sobre a existência de capital disponível no país e no exterior para bancar as PPP's, sobretudo, devido ao cenário de crise mundial. Segundo o jornal Valor Econômico, que comparou o pacote de Dilma a outros projetos de privatização, a taxa de lucro no investimento proporcionada pelo pacote é a menor da história, na casa de 6%. O governo, por sua vez, responde que não faltará dinheiro ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e que não descarta aportes do Tesouro Nacional.

O modo petista de privatizar
Logo após o anúncio, muitos empresários comemoraram a decisão do governo. "É um kit felicidade pro Brasil", exaltou um efusivo Eike Batista. Até a oposição comemorou: "Lamentamos o atraso dessas iniciativas (...) Porém, reconhecemos que esta mudança de rumo adotada pelo governo significa avanços para o país", parabenizou em nota o PSDB. Já a grande imprensa e os jornalões destacavam com alegria "as privatizações de Dilma".

Durante o lançamento, porém, Dilma tentou explicar que as medidas não poderiam ser comparadas a privatização. "Não estamos nos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa. Estamos fazendo parceria com o setor privado para beneficiar a população, para saldar uma dívida de décadas e um atraso nos investimentos ", disse.

Naturalmente, seria ingenuidade esperar que o governo petista reconhecesse o caráter privatista das medidas anunciadas nesta quarta-feira. Afinal, as duas últimas eleições presidências foram ganhas pelo PT a partir da denúncia das privatizações realizadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). A campanha de Dilma foi emblemática deste discurso.

Dizer que foram "concessões" ao capital privado não passa de uma ladainha para tentar aclamar os ânimos da base petistas. Na prática, Dilma utiliza os mesmos argumentos desfilados pelo governo FHC para privatizar as estatais. Ou seja, de que o setor público seria sinônimo de ineficiência e incompetência, ao contrário da iniciativa privada. Mais ainda: realiza as PPP's para sim fazer caixa, retirando uma boa parte do dinheiro público do orçamento destinados aos investimentos de infraestrutura para o pagamento dos juros da dívida pública. De acordo com as contas da Auditoria Cidadã da Dívida, em 2012, até o dia 2 de agosto, a dívida consumiu R$ 566 bilhões, ou seja, 52% do gasto federal.

E foi para pagar a dívida que o governo quase não investiu em rodovias. Dos R$ 13,661 bilhões autorizados para investimento em rodovias, em 2012, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram gastos até maio. A situação é ainda mais crítica quando se verifica que apenas 7% desse desembolso (R$ 197,4 milhões) diz respeito a despesas do orçamento deste ano. No setor ferroviário a mesma coisa. Dos R$ 2,77 bilhões para injetar na infraestrutura dos trilhos, apenas 8% (R$ 239,7 milhões) do valor foi usado.

Assim como no caso da privatização dos aeroportos brasileiros, não restam dúvidas de que a as "concessões" de Dilma não passam da velha e conhecida "privataria".

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CUT e as privatizações do Governo do PT


CSP-Conlutas - [Atnágoras Lopes] Quando o tema é as privatizações do Governo do PT, a CUT tem a capacidade de apagar o “Sujeito Simples” da oração

Segundo as “regras” gramaticais brasileiras “O sujeito insere-se dentre os chamados “Termos essenciais da oração”, pois para que uma oração seja dotada de sentido, ela necessariamente precisa conter sujeito e predicado e, em algumas vezes, complemento”; Em nossa língua há “Sujeito” de tipo Simples, Composto, Oculto, Indeterminado e até oração sem “Sujeito”.
Longe de estar sob meu domínio a amplitude dessas “regras”, e talvez até cometendo alguns erros grosseiros em...
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